24 dezembro 2018

Um último adeus pra tudo que f(u)oi

Faz um bom tempo não escrevo. Talvez pela autoresolução interior que fiz comigo e pra mim mesma. Não avisei a ninguém. Apenas fui. Esse ano foi muito intenso, como praticamente todos os anteriores, sejamos sinceros. Mas acho que me rendi à necessidade de respirar, sair do meu mundo e viver mais um pouco. 

E respirei, chorei, sorri e aproveitei cada segundo que o universo resolveu me oferecer. 

Escrever me faz falta, não há como negar, mas apenas colocar os pés pra fora de casa sem pensar muito nas repercussões disso, é meio libertador a ponto de me fazer querer mergulhar ainda mais nesse abismo do desconhecido. Sempre ponderei, planejei, coloquei em pensamentos, palavras e sentimentos todos os passos que dei; senti, logo no início, que dois mil e dezoito seria o momento de mudar um pouco esses ares, e foi por isso que fiz essa resolução de viver mais aqui fora e menos aqui dentro das palavras.

Pensei muito se deveria vir aqui falar sobre mais um ano e sobre a vida, já que deixei o blog abandonado mais do que deveria, mas sinto que o ano só tá mesmo acabando quando paro pra escrever sobre ele. Um processo todo e completamente egoísta, me desculpem vocês.

Sem mais delongas, dois mil e dezoito foi intenso, repito. Parece que quanto mais velho a pessoa fica, eu em meus vinte e três, acho que tomamos mais consciência do tempo, das situações e coisas que acontecem ao nosso redor. Dois mil e dezessete me parece distante nesse sentido, quando reflito, porque percebo que aqui, nesse instante do agora que foi 2018, eu vivi intensamente cada coisa que nunca poderia imaginar.

Sinceramente, espero e acredito que cresci muito, em alguns sentidos mais do que outros, obviamente, mas vou percebendo com o tempo que me torno mais alguém que admiro cada dia mais quando me olho no espelho ou quando percebo alguma repercussão das minhas escolhas. Me admirar não é fácil, não o faço sempre, na maioria dos dias me critico infinitamente, acho que não to fazendo o suficiente, sinto que poderia ser mais gentil, mais amigável, menos orgulhosa, porém apesar de todos esses grandes detalhes que pretendo, sim, mudar, me admiro por ser quem sou, por ter a coragem de ser quem sou e arcar com as consequências disso. Não é fácil.

Esse ano tive essa grande lição, ainda to tentando digerir, confesso, de que é preciso coragem pra acordar todo dia e escolher dar a minha cara a tapa pro mundo e pras pessoas com meu jeito peculiar de ser, porque muita gente (sério) não vai gostar de você. Isso ainda me causa arrepios, porque sou orgulhosa demais pra aceitar que às vezes o santo simplesmente não bate e as pessoas não vão com seu jeito e sua cara, e tudo bem isso acontecer. Então se conhecer a ponto de compreender que muitos não vão gostar de você e que não tem como mudar quem você é por isso, é excepcionalmente incrível (ainda to tentando, me desejem sorte).

Também aprendi esse ano (ou estou aprendendo) que nasci sozinha. Vim a esse mundo sozinha e não posso depender de ninguém nesse processo, porque virar alguém melhor, crescer, me descobrir é um processo com influências exteriores sim, mas que depende preferencialmente da minha pessoa e somente. É meio dolorido pensar assim, porque sempre gostei de ter pessoas em quem confio ao meu redor, reflexo talvez do convívio diário com as minhas irmãs. Mas criar essa dependência em relação a sempre ter pessoas ao lado, meio que limita nossas oportunidades e venho percebendo isso diariamente na minha vida - comigo mesma - em Maceió. Descobrir esse meu lado inteiro, através de passeios sozinha, idas a restaurantes que quero, caminhadas, dias de compras sem ter ninguém apressando e etc está sendo desafiador e delicioso.

Esse ano me desentendi com uma amiga querida, não lembro se já falei dela aqui, que costumava me acompanhar em todas as situações, desde fazer feira no mercado, até a comprar roupas, ir no cinema e afins. Ter ela na transição da minha mudança pra um pessoa múltipla com minhas irmãs pra alguém completamente sozinha numa cidade desconhecida foi mágico e sou muito grata a ela por tudo que vivemos e por todo crescimento que alcançamos juntas. Mas esse ano nos percebi distantes, talvez pelas respectivas descobertas interiores de cada uma, percebendo-nos como seres completos e cheios de anseios, que já não mais se contentavam com o que tínhamos. Foi dolorido.

Sinto que chegou o tempo de sair andando com minhas próprias pernas, me abraçar assim bem imperfeita e cheia de defeitos, descobrir o que quero, quais meus anseios, quais coisas me fazem sorrir e quais me fazem chorar. Descobrir quão forte ser ao resolver um chuveiro queimado, as compras do mês, que algum lugar já não me cabe. Apenas sair descobrindo por aí.

E em 2018 sinto que foi o começo de toda essa descoberta, meio cambaleando, chorando mil vezes ao dia, sofrendo sem entender porque algumas coisas aconteciam de tal modo, como as pessoas podiam ser tão cegas pros outros. Esse ano foi um momento de separação daquilo que quero pra mim e pro mundo, de quem quero ao meu lado e daquilo que prefiro deixar distante da minha energia e das pessoas que amo.

Dois mil e dezoito foi quebra, foi destruição. Com ele estão indo coisas que acreditei, quem pensei conhecer, visões de vida, emoções, dores e por aí vai.

Ele trouxe consigo destruições doídas, profundas e irreversíveis, mas que me mostram que a partir do que - não - restou, é possível iniciar esse percurso com o coração mais ávido por tudo aquilo que ainda há por vir.

, 2019

3 comentários:

  1. Ah, como te desejo sorte e o coração mais leve em 2019! Tuas palavras se encaixam perfeitamente. Diferentemente de ti, sinto que se me afastar da escrita, enlouqueço.

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  2. Também estou nesse processo de reconhecer que viemos sozinhos(as) e as coisas e pessoas passam (mesmo que doa saber disso). Quem sempre fica aqui somos nós e precisamos aprender a simplesmente ser - sem também ignorar que podemos sim ter pessoas importantes e sem se fechar pra essas oportunidades. Isso é o mais difícil.

    Que a nossa jornada continue e seja mais de cuidado conosco, de independência com um espaço pra quem deixarmos entrar, de paciência, silêncio para ouvirmos o que nos incomoda e voz para comunicar isso.

    Vem 2019.

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  3. Espero que 2019 seja sobre viver tanto, tanto, tanto, que mesmo demorando, você volte com um texto cheio de luz como esse <3

    Limonada

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