13 agosto 2017

Deixa molhar e lavar o peso da minha caminhada

Acho que não cheguei a comentar aqui - faz tempo que não dou as caras - o que me aconteceu no início do ano. Por incrível que pareça, passei numa prova de transferência de uma faculdade em Recife. 

Até aí tudo bem, você pensa, que notícia ótima bia foi pra casa. Só que eu não fui. 

Fazia um bom tempo eu queria colocar em palavras esse período, mas nunca soube como. Agora, acho que hoje, nesse dia dos pais, parece ser o momento certo. 

Eu recebi a notícia em uma segunda. Todos pularam, não acreditaram, sorriram, choraram e eu fiquei sem reação. Nenhuma. Eu aqui em Maceió e eles lá em Recife. Minha mãe ligou pra faculdade, conferiu novamente o resultado e, sim, eu tinha mesmo passado. Todos felizes, nos céus. 
E meu coração pesado. 

O período de inscrição era sexta, então na quarta eu já fui pra Recife entender como seria tudo e quais documentos eu precisaria. Cheguei lá, fui na faculdade, teria que reprovar um período; todos eufóricos, só felicidade porque eu iria voltar, coisa linda. 
E meu coração pesado. 
Chorei. 
Falei a meu pai não sei o que fazer. 

Ninguém entendeu, me deram a escolha, opções, motivos pra transferir, motivos pra não continuar aqui. Entendi todos eles, concordei com todos.  
Mas meu coração permaneceu pesado. 

Fiz rebuliços, confusa, fiz confusão, estressei a todos, meu pai sofreu mais do que todo mundo, indo pra lá e pra cá, tentando resolver tudo, movendo céus e terras, afinal eu ia voltar pra minha casa, pra perto deles. Minha família querida. 

Na sexta, tudo deu errado, ficamos resolvendo as coisas até de noite e nada de dar certo. Chorei, chorei, algo dentro de mim dizia que meu lugar ainda não era ali. 
Que dor, que confusão, eu não sabia mais de nada, minha família, meu amor maior, e eu não conseguia ficar ali. 
Meu pai não aceitou mais essa confusão, brigamos, gritamos, choramos. 
Pensei, perdi meu pai ali. 
Fui contra tudo e todos, meus maiores exemplos, meus amores, e cancelei a transferência. Sem dizer nada a ele antes. 
Ele parou de falar comigo. 
Pensei, perdi meu pai definitivamente. Por quê? Pra quê? 

Nunca sofri tanto dentro de mim; como me doeu ir contra eles, pela primeira vez na minha vida. Escolher de espontânea vontade viver longe deles; escolha essa que carrego no meu coração todos os dias. Não há um dia que eu não acorde e pense se tomei a decisão certa: estar aqui, sozinha, distante de todos. Até hoje me dói nas vísceras. Até hoje penso em voltar correndo pros seus braços, pra minha casa, minha cama; mas permaneço aqui, sozinha, trilhando meu próprio caminho. Não sei se to certa, se fiz errado, só sei que continuo indo. Hoje meu pai já me perdoou, ele fala comigo, diz que me ama (apesar do que fiz) e que sempre estará comigo. Ele entende as minhas escolhas, não as aceita muito bem, mas segue ao meu lado. E é por isso que eu o amo profundamente. Decidir ficar distante foi a escolha mais difícil da minha vida, tenho certeza, cada dia arco com as consequências dela, mas tê-lo ao meu lado me ajuda a aguentar a barra que é crescer e amadurecer. Não somos muito de demonstrações de afeto e etc, mas eu sou ele e ele sou eu e esse é o maior elogio que alguém poderia me fazer. 



(Resumi bem a história, esse só foi um pseudodesabafo porque esse dia ta mexendo muito comigo. Sei que ta confuso e mal escrito, mas colocar um pouco disso pra fora foi purificador (tipo chuva nos nossos ombros, sabe? Bem Deixa molhar mesmo). Chorei e ainda choro de saudade, dessa história e de como foi difícil passar por tudo isso. Espero que um dia ele aceite e me entenda completamente.) 

3 comentários:

  1. boa sorte nas suas escolhas e seu amadurecimento, florzinha <3

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  2. ai, bia, me abraça <3 me vi muito no seu texto. desde q vim pra floripa e minha família ficou em santos, as dúvidas a respeito do meu lugar se tornaram constantes. agora elas melhoraram pq meu companheiro tb veio pra cá, entao eu meio que finalmente me senti em casa depois de ter saido da casa dos meus pais. é um processo. dói, deixa a gnt maluca, mas é importante. e a gente consegue, sério. a impressão que dá é que a gnt sai de novo da barriga da nossa mãe e a partir do momento que saímos da casa dela, é um caminho sem volta - por mais q a gnt volte um dia. mas acima de qqr coisa, um caminho necessário, que nos faz crescer muito.
    sua familia vai superar. foca em vc <3

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  3. Oi Beatriz, imagino como deve ter sido difícil tomar essa decisão. Mas, no fim das contas, foi o que o seu coração mandou. Eu passei por algo parecido aos 18 anos. Foi difícil? Foi. Mas não me arrependo de nadinha. A gente sofre, mas a gente cresce e segue em frente. <3

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