16 abril 2017

Despedaçada,

vou andando
Sem destino, meu corpo move sem parar
Olho pro chão, a chuva ensopou as manhãs de domingo e resolveu recriar o céu em abismos profundos entre paralelepípedos irregulares, descontínuos e reconvexos
Puxo de dentro esse entreolhar, essa confusão
As nuvens recobrem minhas pupilas entreabertas, meio dilatadas meio contraídas
Paro, respiro
a chuva tem cheiro de verde grama, árvores cheias, folhas caídas e terra molhada
Me recosto nessa imensidão que me rodeia e me acalenta no instante em que vejo o agora
Sinto, cheiro, toco, escuto
volto
ando
Sem rumo, hesitante e indecisa
Mas vou, não deixo de ir





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