23 abril 2017

meu bem,

Hoje me vesti de você
senti tuas mãos, teus pés, teu cabelo e pele
depois voltei a mim pra sentir você de novo, aqui, perto de mim
dentro, fundo, ocupando minhas horas, meus pensamentos e corpo todo
Abriu as minhas portas, janelas, sentou na sala e me fez sua 
Toda sua
pele, barriga, pernas, pés, pescoço 
Você tocou meus precipícios, abriu os braços e se jogou dentro de mim
com esse sorriso, essas mãos nas minhas caminhando pelo mundo mesmo com meu medo de entrelaçar os dedos em outros dedos pairando ao nosso redor
Você esperou esperou, olhou nos meus olhos, pegou meu braço, foi descendo e segurou minha mão 
Não quis mais soltar
Aceitei
Abri bem os braços e te encaixei
no espaço entre meu querer e não querer
e fui, segui contigo bem aqui 



16 abril 2017

Despedaçada,

vou andando
Sem destino, meu corpo move sem parar
Olho pro chão, a chuva ensopou as manhãs de domingo e resolveu recriar o céu em abismos profundos entre paralelepípedos irregulares, descontínuos e reconvexos
Puxo de dentro esse entreolhar, essa confusão
As nuvens recobrem minhas pupilas entreabertas, meio dilatadas meio contraídas
Paro, respiro
a chuva tem cheiro de verde grama, árvores cheias, folhas caídas e terra molhada
Me recosto nessa imensidão que me rodeia e me acalenta no instante em que vejo o agora
Sinto, cheiro, toco, escuto
volto
ando
Sem rumo, hesitante e indecisa
Mas vou, não deixo de ir