22 janeiro 2017

Não sei exatamente o que dizer de 2016

Minha roommate certo dia apareceu com uma planta, até agora não descobrimos qual planta era, arruda ou arueira, só sei que decidi chamá-la de Bernadete e assim o foi. Passei uns dias cuidando de bernadete, colocava água, conversava, colocava no sol no fim das tardes e fazia mil snaps com ela pra mostrar ao mundo que agora eu era madrinha e que a vida era uma coisa engraçada. Alguns dias depois, bernadete se mostrou esquisita, algumas folhas caíram, outras amarelaram e ela foi murchando aos poucos. Quanto mais ela murchava e se encolhia dentro de si, mais eu cuidava, colocava água, conversava, não entendia. Por fim, ela não aguentou mais e perdeu todas suas folhas, morreu, murcha, sem vida. Nossa planta não aguentou sequer dois meses conosco. 

Lembro que toda vez que chegava do estágio eu sentava no sofá e ficava olhando ela lá no canto da sala, perto da televisão e da porta da varanda. Às vezes eu deitava e apenas ficava lá com ela, nessa calmaria acolhedora, sem ninguém por perto, só eu e ela pensando a vida e me dando conta de seus caminhos surpreendentes, assim como da sua efemeridade. 

bernadete me fazia pensar em mim mesma, nunca soube responder por que, só sei que sua presença tinha esse efeito sobre mim. Até quando ela se foi. 

Nesses tempos me vi refletida na tarde que passava da distância de uma porta de varanda até a sola dos meu pés que descansavam sobre o braço do sofá enquanto eu pensava que bonita essa coisa de viver e crescer sempre. Nem que seja pra morrer no fim, já que este é o meu fim mesmo e o de bernadete também. 

Mas viver sempre e crescer também, o tempo todo. 
E esse ano só foi isso. 

Nunca pensei que sentiria ou viveria todas as coisas que pude viver esse ano ou que seguiria os caminhos que segui; até sonhei com uma realidade semelhante, mas a vida veio e se transformou em algo muito além do imaginável. Por um bom tempo achei que estava incompleta, sem rumo, perdida nas escolhas impossíveis que meu coração teimava em escolher sempre e sempre. Mas eu só precisava me encontrar e foi nesse ano que comecei a entender um pouco quem venho me tornando esse tempo todo, minha força, minhas risadas, meus choros e passei a me enxergar melhor nesse caminho torto que é a vida. Como uma construção que vai ganhando e ganhando mais um tijolo, mais um formato, se transformando em algo reconhecível, tangível, exatamente quem serei (e sou).  

Foi nesse ano que coloquei meus pés no mundo, viajei sozinha, conheci pessoas incríveis, conversei mais, saí de dentro de mim e resolvi viver ao meu redor, me aventurar e me descobrir sozinha sem o apoio da família e dos amigos por perto. Esse ano eu cresci porque decidi dar uma chance a mim mesma e a esse mundo enorme; foi então que vislumbrei exatamente quem sou e a minha força nessas esquinas da vida, consequência de quem eu era antes, das vezes que chorei, me desesperei, me despedacei por dentro e depois ergui a cabeça. 

Meu eu como resultado de quem fui no percurso que resolvi seguir e continuo a ser no que ainda virá, vivendo e crescendo sempre. Até ser ainda mais eu, forte, segura, confiante, imperfeita, e abraçando ainda mais a chance de ser mais eu um dia após o outro. 

Então eu entendi a beleza dessa sucessão de coisas - talvez - aleatórias, dessa soma sensacional de coisas que nos tornam quem somos, dos caminhos, do percurso, das pessoas que encontramos, dos beijos e abraços que damos, dos choros que choramos que juntos se somam e resultam nisso tudo que somos, sou, vou sendo e aprendendo. Um dia após o outro. 

dois mil e dezesseis, em todos seus aspectos, doeu dentro dos ossos, mexeu, fervilhou, inquietou, fez chorar, sofrer, desacreditar um pouco do mundo pra depois acreditar de novo a cada novo amanhecer, mas dois mil e dezesseis também fez crescer (tenho certeza) apesar dos pesares, fez em cantos escondidos e anônimos coisas lindas, nem sempre notadas, fez sorrir, abraçar, sonhar e viajar na imensidão que somos nós e os outros. dois mil e dezesseis, mesmo difícil, foi lindo e assim dezessete também será. 




2 comentários:

  1. que coisa bonita de ler! faz refletir o quanto o 16 foi bom e dá essa vontade de ter um 17 muito lindo, intenso e aconchegante como o que você escreve. Comecei a te ler há pouco tempo e to amando <3

    ResponderExcluir
  2. Algumas mudanças surgem apenas para nos tornar melhores do que ontem, né? (E se esse não for o propósito da vida, qual o sentido?)
    Espero que seu 2017 seja maravilhoso, Bea! <3

    Novembro Inconstante

    ResponderExcluir