11 abril 2016

Enquanto a máquina termina de lavar as roupas

Sei que ando monotemática, mas juro que vou tentar mudar isso. As coisas estão se ajeitando, to começando a anotar as coisas, determinar meus horários, fazer a lista de compras do mês, e até as faxinas semanais. 

Vim aqui hoje dizer que nunca pensei que estaria aqui. Sim, novamente, to falando sobre como é surreal viver esse mundo da  medicina, mas não quero falar somente disso, também quero dizer que nunca pensei que realmente estaria aqui, cuidando da minha própria casa, da minha comida, da lavagem das roupas, das compras e contas certinhas pro mês. É louco, é surreal, triste, mas bom demais, tudo junto e misturado. 

Sei que já faz um mês que não apareço aqui, por isso vou fazer logo um apanhado geral do que me aconteceu esses dias. Primeiro de tudo, estou me acostumando à cidade, não é igual a viver numa cidade que conheço desde que nasci, mas não é tão ruim que eu queira sair correndo. Na verdade, só mudei de escola uma vez, mudei de casa poucas vezes, então ter uma mudança drástica dessas foi e está sendo enriquecedor demais pra mim. Por isso vou espalhando aos quatro ventos que cresci nesse mês o que não cresci em três anos, quatro ou cinco e continuo a crescer. 

To andando, seguindo e feliz como não estive em um bom tempo. Sabe quando você se encontra? Pronto, eu me encontrei aqui, estou realizada. Sinceramente, desejo esse sentimento a todo mundo, o sentimento de dever cumprido (Tá, não to nem no começo, mas to no caminho e isso já é suficiente pra mim) 

Confesso que não tenho vida, até tenho, mas ela se resume a fazer feira e estudar (e fazer faxina). E só, to falando sério. Várias vezes durante as semanas, enquanto escrevia uns relatórios, tive vontade de escrever aqui, trocar o relatório pelo blog, mas sabe como é né, preciso tirar notas boas. Como tive prova sábado e to esperando a máquina terminar de lavar as blusinhas que coloquei, arranjei esse tempo pra dar um oi e dizer que não morri, só to por aqui vivendo (enlouquecendo). 

Hoje fui pela primeira vez numa Unidade de saúde, numa comunidade carente, onde permanecerei por quatro anos do curso, aprendendo e contribuindo com tudo de possível. E me encontrei, e amei e percebi que o ser humano é lindo demais, por isso quero ser cada dia mais humana, tanto quanto possível. Sei que é só o começo, mas a perspectiva de ser um pontinho de amor nesse mundo, de atenção e cuidado me dá forças pra aguentar todas as noites sem sono (muitas), até as vezes que acordei de madrugada pra estudar, e os professores que tenho que aguentar, os termos técnicos e toda a não-vida minha de hoje em dia. Novamente, me encontrei e nessas curvas da vida, ando me encontrando cada dia mais. 

Só tenho motivos pra agradecer, até os aperreios e as vontades de jogar tudo pro alto porque é loucura demais esse curso (sério) e é coisa de louco mesmo, por isso que tem gente que fica meio perturbado. O curso exige muito da gente, mas esses encontros, essas visitas às comunidades e toda vez que paro pra ler um pouco sobre o SUS e percebo que existe tanto pra fazer, tanto pra contribuir, tanto pra doar, eu percebo que no fim valerá a pena, já ta valendo. Então eu sigo, vou seguindo, feliz da vida e com o coração feito escola de samba, doido pra pular do peito, sair sambando por aí e chamando todo mundo pra sambar junto comigo. Vamos lá, dança também, porque a vida é bonita demais.