10 março 2016

Pensamentos desconexos sobre uma semana e tanto

Deixa eu contar uma coisa pra vocês, faz exatamente uma semana e um dia que estou nesse estado totalmente quente e desconhecido na vida dessa que vos fala. Sim, caros amigos, Alagoas, ou mais precisamente, Maceió é mais quente que Recife. Como isso é possível, vocês me perguntam, eu não sei responder. A questão é que to aqui e, adiantando, ta sendo uma loucura só.

Cheguei quarta, depois de aproximadamente quatro horas de viagem de carro, com minha vida - quase -  toda na mala. Com exceção dos meus livros, trouxe tudo, inclusive minha vontade, esperança e tudo o mais que uma mudança dessas é capaz de causar em qualquer um. Finalmente cheguei, arrumei tudo no lugar, fui na faculdade pegar horário e etc e pronto. Vida nova. Minha mãe passou cinco dias aqui comigo, ficamos eu, ela e minha "roommate". Nesses dias, quando não estava na faculdade, íamos conhecer a cidade que, sinto muito, não chega aos pés de Recife (não que haja uma comparação) (tem sim). Meu novo apartamento fica exatamente ao lado da faculdade e a aproximadamente três quarteirões da praia, não que isso me interesse. Na quinta pela manhã, fui pra uma reunião. Conheci algumas pessoas da turma, alô alô prazer como é que tá tudo bem cê é de onde e por aí vai.

Enfim. Sábado minha família toda veio aqui, fomos fazer feira, comemos, passeamos e ficamos juntos, como sempre aconteceu. Até chegar o domingo. Às 13:00 eles foram embora, todos eles, inclusive minha mãe. E foi aí que eu chorei pela primeira vez desde a descoberta inusitada de que me mudaria e cursaria medicina. Mas eu chorei tudo o que eu não tinha chorado ainda e muito mais. Chorei por estar, finalmente, de cara com o curso que sempre sonhei. Chorei com a perspectiva - até realidade - de um dia me tornar, mesmo, médica (Depois de um tempo tentando passar e não conseguindo, eu via essa realidade cada dia mais distante). Chorei porque eu me sentia feliz, mas algo em mim pesava demais.

Sou uma pessoa completamente família. Pode não parecer, ou talvez eu não deixe transparecer, mas eu sou tão família que não sei ser sozinha, não sei ir em restaurantes sem pensar em levar minhas irmãs, ou pensar em comer fora da mesa - até hoje como na mesa, mesmo sozinha-, não sei viver no completo silêncio por muito tempo (mesmo que o ame), não sei não ter com quem conversar por madrugada adentro, ou discutir sobre feminismo, ou apenas falar do dia que passou antes de dormir. Também não sei tomar decisões sem consultar outras opiniões antes, não sei viver sem implicar com minhas irmãs ou qualquer coisa parecida. Porque eu nunca fui só, nunca precisei ficar só.

Só que domingo eu fechei a porta, enquanto eles desciam pelo elevador, e me vi completamente sozinha, numa cidade estranha, cheia de gente estranha e com pessoas conhecidas a "apenas" 4 horas de viagem. Foi aí que não consegui segurar, eu precisava colocar pra fora essa sensação estranha de vazio, de completa e absoluta incógnita. Então eu chorei.

Apesar da estranheza inicial, como a faculdade praticamente me suga inteira, passei os dias seguintes nessa sensação de estar e não estar num lugar, de sonho versus realidade, ou de férias passageiras. Acho que ainda não caiu a ficha de que passarei, no mínimo, seis meses aqui. Mas é que, sinceramente, nem deu tempo de pensar a respeito, eu só to indo e indo e indo. E, nesse processo, enlouquecendo, ao mesmo tempo que sinto calor, estudo, decoro ossos e rio um pouco da loucura que é viver esse sonho doido que é cursar MESMO medicina. Depois de tanto tempo, vocês têm noção? Acho que a ficha ainda não caiu. Na verdade, nenhuma ficha caiu. Ta tudo muito doido e, sinceramente, as coisas só melhoraram agora porque recebemos três dias de mini férias e todos os artigos que tinha pra entregar foram cancelados. Estamos, eu e meus colegas de classe, em êxtase. FESTA FESTA COMEMORAÇÃO, pelo menos enquanto ainda podemos - ou temos tempo. (Gente, recadinho rápido aqui, quem quiser fazer medicina e tiver a ingênua ideia de que depois ainda terá vida social, desista, corra, vá pra outro curso (isso porque só comecei agora e dizem que só piora!!!!!!!!!!)). Mas, juro, vale a pena toda a dor de cabeça, todos aqueles choros (mas se puderem passem perto de casa - recomendo)

Apesar de odiar viver em Maceió (Sei que odiar é uma palavra muito forte, mas depois que vim pra cá amo TANTO TANTO Recife que vocês não têm noção) e de, ás vezes, querer largar tudo pra voltar pra minha casinha, minha caminha, meu aconchego e meu lar, quando eu paro pra pensar, me olho no espelho de jaleco e me imagino lá na frente, daqui uns anos, sendo MESMO médica, meu estômago fica todo cheio de borboletas, meus olhos brilham, meu coração pula, faz escândalo, se emociona; é aí que eu percebo que to no caminho certo e sinto que as coisas darão certo. Porque, dizem, o amor é, e também tem, a resposta pra tudo. Então quando as coisas pesam demais, nesses oito dias elas já pesaram algumas vezes, eu paro, penso e sinto tudo aquilo que vive dentro de mim, e percebo que to indo, seguindo no melhor caminho. (Ah e nunca totalmente sozinha )





Obs: Sinto que esse tempo longe da minha família, mesmo sendo difícil, vai me tornar uma pessoa melhor, conhecedora da minha própria força e liberdade. Sei que esse é um passo muito importante pra mim. 
Obs2: Sinto muito pela loucura que foi esse post, mas o que posso fazer? As coisas estão realmente uma loucura. Nada mais lógico. 
Obs3: Até hoje à tarde eu tinha tanta coisa pra fazer que tava me batendo uma bad paralisadora, não tinha tempo nem pra respirar, quiçá dormir. Só de pensar que dormirei linda e bela hoje, fico maravilhada. Por isso, to devendo mimo pra algumas pessoas maravilhosas que ainda não desistiram de mim e continuam a comentar nesse blog, me perdoem por demorar tanto pra responder os posts, é que ta TUDO MUITO LOUCO MESMO. Mas juro que assim que der apareço pelos cantinhos de vocês. 
Obs4: Sim, já to bem cansada, mas também to bem feliz.