11 novembro 2015

Hello,


Resolvi te escrever porque minhas mãos tremem. Parece que já não sou capaz de segurar isso tudo aqui dentro, preciso vomitar cada parte tua que insiste em contaminar cada célula desse corpo. Meu sangue pulsa, devagar como sempre, mas não quando lembro dos teus olhos me olhando do jeito que você me olhou quando nos vimos pela última vez; parece que meu coração vai fugir, sair correndo, apesar de ser apenas um músculo. Mas não é. Tentei ser racional, tentei negar que não somos apenas um fruto do meu hipotálamo, tentei te tirar da minha mente te excluindo de cada parte da minha vida, de cada retrato do que poderíamos ter sido. Mas não obtive sucesso. Parece que quanto mais tento te arrancar das minhas entranhas, mais você decide se alojar fundo dentro de mim.

O que me resta, então, é jogar todas essas palavras maltratadas em cima de você pra você fazer o que quiser com elas. Já não são mais minhas, são suas, assim como cada parte do meu corpo que tem teu toque. Assim como cada dia em que nos beijamos e até as vezes que sonhei contigo. São teus, leva contigo. Não me resta nem o teu cheiro enroscado em minhas roupas ou teus pelos arrepiados juntamente com os meus, minha boca na tua e teu dedos entrelaçados nos meus. Leva. São teus, não quero mais.

Poderia ter sido apenas um sonho bom. Um dia acordei e dei de cara com teu rosto me olhando fundo a alma, te enxerguei em cada pedacinho teu, em cada olhar bonito que você dirigia pro mundo e te vi até nas brigas que tivemos. Te vi sendo você e tive vontade de te abraçar, porque não é possível saber assim desse jeito, ao olhar no olho do outro devagar e pouquinho, que se está apaixonado. Mas foi assim, eu te vi e te vi tanto que não pude deixar de amar o que encarei, mesmo que um pouco esquisito às vezes, mas quase sempre repleto de amor. Meu amor.

Mas o sonho acabou. Não vou dizer que algum de nós teve culpa nisso tudo, não tivemos. Ou você teve, pode ser. Não quero entrar no mérito. Apenas quero dizer que você mexeu comigo, mexeu com cada fio de cabelo, mexeu com meus sentimentos e foi embora levando uma parte minha contigo. E até hoje também tenho uma parte tua comigo, te vejo nas pessoas da rua, rio das suas piadas, fico imaginando você nos lugares que vou e sonho constantemente contigo.

Mas hoje não. Chega, Hoje resolvi jogar esses sentimentos todos pra você. Repito, fica com eles, não quero mais nada teu. Essa carta é tua, essas palavras são tuas. Aproveita, faz com elas o que quiser. Mas some, sai de mim, vai e não volta mais.

De alguém que já te amou (e tenta com todas as forças não te amar mais).





(Percebi que amo escrever cartas, principalmente cartas de amor. Porque cartas de amor são ridículas, mas ridículos são os que não as escrevem. E tento muito não ser ridícula, mesmo que pra isso eu invente uma ou outra carta de amor ridícula por aí) 

6 comentários:

  1. Eu também amo escrever cartas de amor, é como se eu me liberta-se de tudo e só o que importa é escrever. Sobre a imagem, eu amo esse filme é um dos meus preferidos! Mil Beijos.

    transbor-dando.blogspot.com.br

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    1. Esse filme é maravilhoso demais <3

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  2. Fiquei boquiaberta, que visceral! Principalmente aqui: "Mas foi assim, eu te vi e te vi tanto que não pude deixar de amar o que encarei, mesmo que um pouco esquisito às vezes, mas quase sempre repleto de amor.". UAU.

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  3. Posso dizer que amo tudo, absolutamente tudo que escreve? Acho intenso, forte e lindo, assim como deve ser. Parabéns, adoro te ler. Um beijo! <3

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    1. Sei nem o que responder que seja suficiente pra dizer quão feliz fico ao ler algo assim. Muito obrigada mesmo <3 Beijo no coração!!

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  4. às vezes a vontade de jogar umas coisas pra for é forte né, mesmo que tenha nos feito bem, as lembranças de coisas boas que não existem mais geralmente doem.
    mas o que mais gostei foi o parágrafo em parênteses sobre a estupidez de cartas de amor e a estupidez em não escrevê-las :)

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