28 setembro 2015

Minha amiga,


Te escrevo do futuro. Não muito distante, mas distante o bastante para não sermos mais como éramos antes. A gente cresce, né? Cada batida do relógio marca uma mudança, um recomeço, milhares de células morrendo e outras nascendo. Essa é a vida, um constante caminho de coisas que chegam, passam e se vão. 

Te escrevo pra dizer que sinto saudades do que éramos, de como éramos e o que vivemos juntas. Te escrevo porque não sei te falar, a não ser por palavras soletradas, arrancadas e quase que desenhadas aquilo que está guardado em mim. Não estou triste, não, jamais. É impossível relembrar dos momentos que vivemos sem ter um sorriso no rosto, é impossível não lembrar das vezes que estivemos juntas, nos apoiando e crescendo. 

Não é dor o que sinto, é saudade do tempo em que éramos eu e você e isso bastava. Mas o tempo passa e crescemos, mudamos e percebemos que algumas coisas simplesmente não se encaixam mais. Sem dor, sem sofrimento. No máximo, saudade e a vontade de deixar tudo igual. Mas não dá, nem eu sou o que era e nem tu és. Somos pessoas diferentes buscando coisas diferentes e isso é normal. Repito, é a vida: "Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai" 

Talvez, naqueles anos, em todas as vezes que sorrimos ao nos entendermos com o olhar, todas as vezes que estivemos uma ao lado da outra, rindo, chorando, cantando e dançando, estivemos únicas, infinitas em nosso limitado infinito. E que infinito!  Nunca fomos tão felizes e completas, uma ao lado da outra rodeadas por amor e cumplicidade.

Te agradeço, portanto, por me deixar ser eu e por ser você, apesar desse sentimento no fundo de perda, de deixar coisas tão boas pra trás. Somos nós, diferentes, mudadas e crescidas. Não há vergonha nisso, não há dor em crescer e não pertencer a determinadas coisas ou pessoas. Às vezes dói, confesso, afinal fomos e somos especiais na vida uma da outra. Mas somos tão especiais que percebemos a hora de deixar ir, deixar uma e outra seguir seu próprio caminho. Obrigada por ser tão minha amiga até nesse momento, obrigada por me apoiar em me tornar quem eu sou, hoje, completamente diferente do que era. 

Obrigada por não desistir nem de mim nem de ti. Não há amor maior do que aquele que compreende, e você me compreendeu e te compreendi. Amo cada coisa que fomos, cada coisa que tivemos, cada momento que passou, mas amo mais ainda quem eu sou e quem tu és hoje. Obrigada, novamente, por isso. Te amo e tu sempre fará parte de mim.

Com amor.





17 setembro 2015

Viagem pra o Canadá e os (nem tão) pequenos ensinamentos da vida

Ontem, enquanto conversava com minha irmã e lhe contava que meu ex (hoje amigo) me chamou pra ir com ele pro Canadá estudar, algumas pulgas surgiram atrás da minha orelha. Mas não me dei conta de imediato. Apenas hoje, deitada, esperando a coragem de levantar da cama chegar, descobri uma das coisas mais esquisitas e complicadas de ser dizer em voz alta - ou escrever pra outras pessoas lerem. (Aviso logo: qualquer coisa que sair muito sem jeito e com muita cara de arrogância, me perdoem, não é a intenção)

Voltemos um pouco no tempo. Na escola, sempre fui a melhor da sala, e quando não era, eu competia com quem "conseguia me ultrapassar", claro que a pessoa não sabia disso, mas nunca aceitei ser menos que a melhor. Então quando alguém tirava 10 em física, eu tinha absoluta certeza de que se aquela pessoa conseguiu, eu também era capaz de conseguir e por incrível que pareça eu realmente conseguia. Porque eu me esforçava e estudava bastante; mas não posso dizer que vivia pra estudar. De jeito nenhum. Sempre fui daquelas pessoas que pega as coisas muito rápido, então eu prestava atenção nas aulas, anotava tudo que eu podia e só ia estudar mesmo nas semanas de véspera das provas. Porque sempre fui preguiçosa, tanto é que quase nunca ficava em recuperação e toda vez que ficava, sim, eu chorava. Enfim, em resumo, nunca tive grandes problemas em ser a melhor da sala, tirar as melhores notas e ser a mais adorada dos professores. Essa era minha realidade.

Então, digamos que eu sabia do meu potencial, e acreditava que dali daquela sala se alguém conseguiria o melhor emprego ou as melhores oportunidades, baseadas em estudo, essa pessoa seria eu. Digamos que eu me tinha em alta estima, o mundo estava praticamente nas minhas mãos. É difícil dizer isso, mas nunca me achei ordinária, apesar de todos os momentos (todo mundo tem) de baixa autoestima, de achar que nada vai dar certo ou que minha vida era um desastre e eu um fracasso, eu nunca me achei uma pessoa qualquer. Sim, soa arrogante, eu sei, mas se não puder ser sincera aqui, onde serei?

Preciso confessar outra coisa: coloquei um ultimato na minha mente, se não passar esse ano em medicina, não irei passar mais um ano em cursinhos. Preciso seguir em frente e agora me sinto atrasada, parada e etc, então decidi que se não passar, colocarei jornalismo, que é uma das minhas segundas opções (Tenho várias coisas que gostaria de fazer). Não tem nada certo ainda, não contei pra quase ninguém isso, meus pais não sabem e afins, mas me dei esse ultimato, porque me dei conta que a vida passa muito rápido, e as escolhas estão aí para serem feitas. Pode ser que não dure nem 1 mês no curso, talvez odeie, talvez ame, não sei, só sei que preciso tentar todas as minhas possibilidades. Preciso me descobrir, me entender, e dar uma chance a mim mesma pra descobrir coisas novas. Enfim.

Hoje me dei conta que nunca quis ser ordinária, na verdade, nunca achei que poderia ser. Sempre achei que a vida havia me reservado um futuro brilhante, uma carreira brilhante, amigos brilhantes, tudo maravilhoso e nada menos que sensacional. Sim. Talvez acreditasse que nasci com a bunda virada pra lua, o que poderia dar errado? Estava tudo escrito e nada poderia me segurar, o mundo estava ali pra ser conquistado. E eu seria a pessoa responsável por conquistá-lo RISOS. Hoje me dei conta que estava esperando a vida de repente acordar e dizer: "opa esse tempo todo estávamos brincando com você, aí está sua vida perfeita. Pode aproveitar" Só hoje me dei conta que me pus em tão alta estima ou me acostumei em ganhar sempre, provavelmente sem nem perceber, que cruzei os braços chateada porque as coisas não aconteceram do jeito que eu queria logo no início e estava esse tempo todo esperando uma redenção da vida para comigo. MAIS RISOS.

Demorei três anos pra perceber quão arrogante fui e talvez ainda seja, demorei três anos pra descobrir que minha bunda não ta virada pra lua, que minha vida escolar nem importa tanto assim, que a vida nem é uma competição por notas melhores e eu não sou melhor do que ninguém só porque conseguia tirar 10 em física. E agora me dou conta que praticamente esperei a aprovação em medicina cair no meu colo, porque convenhamos, em nenhum desses três anos tentando vestibular, me esforcei realmente o que poderia ter me esforçado e o que deveria pra entrar num curso tão concorrido. Novamente, eu estava esperando a vida se redimir comigo e entregar minha vaga no meu colo, pedindo desculpas por ter demorado tanto. Mas ó, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos, não to aqui pra ser mimada, na verdade, ninguém, e muito menos o mundo, deve nada a mim e eu nem devia precisar falar esse tipo de coisa, porque isso é óbvio né, só que aparentemente não. (Temos essa mania de achar que o mundo, as pessoas, todo mundo tem que ser legal com a gente, tem que nos ajudar e fazer com que as coisas deem certo sempre (E isso eu sei que não se restringe só a mim)).

Mas, novamente, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos e as pessoas não estão nesse mundo pra nos agradar, não importa quão maravilhosos somos, como incríveis e sensacionais (na nossa cabeça). O mundo, pasmem, não gira ao nosso redor. Como diria um professor, a Terra vai continuar a girar se tirarmos todos os humanos daqui, se a nossa espécie for extinta, o mundo não vai parar. Claro que somos importantes e etc, mas não somos sempre (ou nunca) o centro do universo. E tá tudo bem né.

Depois dessa descoberta, me sinto meio esquisita, porque to me achando bem ridícula, se querem saber. Meio sem noção também. Mas ó, acho que me descobrir desse jeito e expor esse meu lado por aqui já é um avanço, não sou perfeita e preciso abraçar isso em mim. Todo mundo é meio ridículo às vezes. Como não me transformei ainda, afinal as coisas não acontecem num passe de mágica, esse texto não tem uma conclusão, porque ainda não descobri qual seria esta. Porém, com essa descoberta, começo a aceitar e entender que não preciso e não quero vencer na vida, não com todas essas noções que tive, ta bom ser uma pessoa simples, não querer ser a melhor sempre e etc (Não to falando que não devemos ter ambições, mas que nem tudo é sobre vencer e tudo bem) e ser ordinária, portanto, nem é das piores coisas.




Observação: Estava aqui pensando que nunca me encaixei em pessoa de 'exatas/humanas/saúde', sempre fui muito a mescla disso tudo, daí lembrei do teste do pottermore e de como eu também seria uma verdadeira sonseriana com tudo isso que acabei de falar. Ou seja, sou uma pessoa meio híbrida, meio de tudo um pouco.



15 setembro 2015

What a wonderful world

Ou: Sobre um show maravilhoso
Ou: Um post cheio de parênteses e muitos "amor" repetidos por aí



Eu deveria começar esse post confessando minha mania louca de aumentar cada dia mais esse mundo obscuro da blogosfera com inúmeros blogs secretos por aí, mas, irei falar, ao contrário, que sou muito preguiçosa e amante da procrastinação. Também deveria começar esse post falando que voltei, porque aqui é o meu lugar, entretanto não o farei. Sucintamente, digo: voltei e ao que tudo indica o mundo não parou e, muito menos, acabou nesses exatos quinze dias que me vi cada dia mais distante de agosto. Sim, caros colegas e companheiros de cilada, não parece, mas já estamos no meio de setembro (Quando digo que já podemos fazer a lista de presentes de natal, não to sendo dramática). Agosto se foi e levou com ele todas as minhas forças e toda a esperança de um ano de 2015 maravilhoso; convenhamos, eu esperava que houvesse uma reviravolta desse estado de negatividade no segundo semestre, porém, contudo, todavia, alguma vez acertei na lata o destino dessa que vos fala? Pois é. O jogo não virou, dois mil e quinze promete (não) e ta tudo bem, tudo ótimo. Pelo menos finjamos.

Sei que gastei um parágrafo com algumas desnecessárias linhas pra falar sobre algo que não tem nenhuma relação com o assunto que vim falar, mas precisava desabafar. Me compreendam.


Enfim. Hoje é segunda (mentira, já é terça, mas não dormi ainda, então é segunda) e ontem, em pleno domingo, resolvi sair de casa. Sim, resolvi largar a minha cama quentinha em plena maratona de Star wars (resolvi assistir e não me arrependi, depois conversamos a respeito) para me dirigir a um shopping, mais especificamente um teatro, com o intuito de escutar o meu cd do momento. Apesar de muito relutar, depois de ler esse post da Thay, resolvi colocar a cara no sol e ir assistir ao maravilhoso Tiago tocar e cantar minhas músicas. Acontece que estou sem carteira de estudante, então tive que desbancar cem reais (leiam isso com a apreensão de uma pessoa pirangueira (eu)) para assisti-lo e por isso estava uma pilha de nervos.


Dizer que estava com altas expectativas é eufemismo. A última vez que havia ido a um show num teatro, fui assistir ao maravilhoso Marcelo Camelo e aquele show foi sensacional demais pro meu coração (tanto é que estraguei todas as gravações que fiz porque não conseguia não cantar junto com ele), ou seja, eu esperava algo no mesmo estilo ou que chegasse aos pés daquele momento. Veja bem, eu amo shows, amo a sensação de esperar as cortinas abrirem, amo escutar a voz original daquilo que amo escutar, amo ver que aquela pessoa que vive nos meus ouvidos existe mesmo e não é nenhum alienígena, então quando todas as luzes começaram a se apagar e ouvi o farfalhar do microfone, meu coração deu pulos de ansiedade, felicidade e não sei o que mais. Sabe quando se está apaixonado? Pronto, essa sensação. E quando as cortinas abriram e aquele homem maravilhoso, com todas aquelas luzes, começou a soltar aquela voz doce e melodiosa e maravilhosa, eu endoidei. Não me aguentei mais dentro de mim, cantei junto, dancei junto e me libertei completamente assim que ele nos convidou a levantar. Amei cada segundo, cada suspiro, cada 'lindo' gritado da plateia, cada olhar que o Tiago nos dirigiu e até as vezes que ele nos convidava a cantar e errávamos todos o tempo da música. E ele ria e eu ria com ele, porque aquilo só podia ser mágica.



E eu estava enfeitiçada por aquele moço de sorriso aberto, energia maravilhosa e voz sensacional. E que músicas. Como foi fantástico cantar cada uma delas com ele, com todas aquelas pessoas que estavam ali de livre e espontânea vontade, em pleno domingo, loucas pra ver amor em forma de palavras, de melodia e gestos. E viram, vimos. E foi lindo, foi de aquecer o coração, foi aquela sensação de abraço apertado, compreensivo, sabe? Ele existia, aquelas músicas existiam e a gente tava conversando, juntos, construindo aquela relação de amor, conexão intensa e verdadeira.

E só amar cada segundo do show não foi suficiente, porque ali eu percebi que ele era gente como a gente e me deu vontade de chorar (Sou dessas). Sim, Tiago é um ser humano assim como eu e você, completamente iluminado, é verdade, mas humano como nós e todas aquelas letras saíram de dentro dele, sabe-se lá por que, como ou quando. Ele fez aquilo tudo, ele teve o poder de nos tocar, de tocar nosso coração e nós ali naquele teatro éramos uma pequena amostra do resultado de tudo que saiu de dentro dele, de tudo que ele sentiu, de todas as vezes que ele parou e resolveu escrever, compor. De carne e osso, assim como nós, ele me mostrou que somos muito grandes, apesar de tão pequenos, me mostrou como podemos ser infinitos ao tocar a alma de alguém, como somos tão fortes quando fazemos e expressamos aquilo que amamos. Porque em toda uma hora e meia de show, eu tive absoluta certeza que tudo que saia da boca dele era amor, só podia ser amor e da gente saía a resposta pra todo aquele sentimento tão grandioso.

Que amor, que carinho, que doçura. Tive vontade de abraçá-lo lá fundo, no coração dele, tocá-lo e dizer que ele era um ser iluminado que foi capaz de juntar todas aquelas pessoas apenas para vê-lo tocar amor. Tudo por amor. E quer coisa mais bonita que isso? Sair em pleno domingo, oito horas da noite, pra ver, sentir e espalhar amor. Que vida maravilhosa essa a que somos capazes de amar e sentir o amor ao nosso redor. Se esse não é um momento feliz, eu não sei qual seria. (Não preciso dizer que superou todas minhas expectativas, né?)




(É notória minha habilidade em gravar vídeos. Não tenho paciência e fico louca pra cantar junto)