30 agosto 2015

30/31 - Sobre um rascunho e um professor

A necessidade é uma coisa engraçada. Precisava de um post pra o penúltimo dia (!!!!!!!!!!!!!!!!) do beda e nada NADA me saía da mente, então o que fazemos em momentos de desespero? Não sei, só sei que eu fui aqui nos meus rascunhos, dei uma olhadinha básica no tanto de coisa que tem aqui (vocês nem imaginam) e escolhi o mais recente, e o resultado é esse que está por vir.

Escrevi numa noite dessas quando estava lembrando do meu professor de redação da oitava série (nono ano hoje em dia) que me pegou um dia e disse que eu deveria criar um blog. E criei, e não só fiz o blog como me encontrei na escrita. Gosto de um vídeo da Stephanie Noelle no qual ela diz que ao escrever ela se conhece, organiza os pensamentos, desabafa e etc. E é isso mesmo, é como se fosse uma terapia, é acolhedor, mas também dói, é libertador, mas também é pesado. São várias coisas em uma, e hoje em dia não me vejo mais sem escrever o monte de coisas que escrevo, por isso agradeço por aquele professor que, sim, me transformou.

Não postei antes aqui, porque não tenho certeza se gosto dele e se ele se encaixa. Tenho essa mania de escrever coisas do tipo e na maioria das vezes gosto de mantê-las guardadas, porque nem sempre as compreendo totalmente. É como se fosse uma desabafo diferente, sabe? Mas como nem meme tive vontade de fazer hoje, então vida que segue.




Certa feita, me disseram: Beatriz, você precisa escrever. Olhei encabulada aquela pessoa soltar essas palavras assim como quem não quer nada, escutei cada som, mas não entendi nada. Eu não preciso de nada. Aquilo martelou o tempo inteiro na minha cabeça beatriz você precisa escrever beatriz você precisa escrever escreve vai lá escreve. Não gosto de fazer nada porque alguém me disse pra fazer, mas aquilo já me levava às carambolas da loucura, então sentei, olhei o papel em branco, respirei uma, duas, três vezes, pensei o que é que eu to fazendo aqui. Mais umas duas respiradas, peguei o lápis e escrevi uma palavra, eu.

Olhei o formato da minha letra ali naquela folha em branco, nada mais, só eu. Eu o que? Eu e quem mais? Só eu? Tem cabimento? Olhei por uns 5 segundos, que besteira to fazendo aqui. Sou. Escrevi ao lado de eu, tudo bem, eu sou, sou alguém algo o nada o tudo e agora? Não sei, não tenho a mínima ideia. Parei de pensar, olhei pra folha em branco, mais mil e uma palavras ali, ainda prestes a serem escritas, apagadas, mas sem borracha. Todas dentro, escondidas.

Olhei novamente pra fora e depois pra dentro. Achei. Encontrei a nascente, a semente, o tijolo, meu começo, eu. Pensei, não pensei mais, só escrevi e senti cada letra sair pela ponta do meu dedo. Não, não, o lápis não escrevia, eu não escrevia, já tava tudo escrito. Dentro, lá fundo. Como um abismo repleto de um alfabeto, repleto de vírgulas, acentos, eu.

Eu sou abismo.

Percebi: Beatriz, você precisa escrever. Eu não preciso escrever, eu sinto. Sinto o peso e a dor de cada volta do o, cada ponto no i. Eu sou, sou letras, sou o alívio quando aquele abismo sai pelas pontas dos meus dedos, sou a semente que brota, sou o pólen da flor. Sou nada, mas sou tudo. Eu sou palavra, sou vírgula e acento. Se não fosse, não seria. Não há eu sem pausa, não há eu sem estremecimento, não há eu sem Beatriz, você precisa escrever. Não sou e nunca serei. Talvez ontem; hoje me tornei eu quando disseram Beatriz, você precisa escrever. Vomitei, cuspi, pari – senti senti  senti -,  aliviei.  Escrevi. 







4 comentários:

  1. Estou indo nas ultimas postagens e respondendo os comentários das postagens... Não estou conseguindo mimar todos os amigos blogueiros com o carinho devidos.... Te indiquei no BlogDAY!!!
    http://ladomilla.blogspot.com.br/2015/08/beda31-finalizando-o-beda-e-blog-day.html

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  2. Estou indo nas ultimas postagens e respondendo os comentários das postagens... Não estou conseguindo mimar todos os amigos blogueiros com o carinho devidos.... Te indiquei no BlogDAY!!!
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  3. Que lindeza de texto Beatriz... ainda bem que essa pessoa iluminada te deixou com essa pulga atrás da orelha ~ e você começou a escrever. Nasceu para isso mesmo, viu?

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