17 agosto 2015

16/31 - O BEDA e a problemática da perfeição

Como boa otimista fundamentalmente pessimista, costumo falar muito sobre como minha vida é horrível, como não consigo realizar nada nesse mundo e como tudo sempre dá errado all the time, por aqui. Contrariando minha essência, preciso dar o braço a torcer e dizer que dessa vez, contrariando todas as expectativas, consegui chegar num lugar antes nunca desbravado, NUNCA pensei que conseguiria chegar no dia "16" do BEDA * Palmas acaloradas*, mas não só consegui como me diverti bastante no caminho e agora é chegada a hora de comemorar tal feito.

Confesso que achei que o mundo iria acabar nesses 15 dias, teve dia pra tudo quanto é gosto: teve bia saindo correndo do curso porque já eram dez e meia da noite e daqui que chegasse em casa seriam umas onze horas e pouquinho; teve bia desesperada catando assunto pela casa; escrevendo no meio de aulas (várias), porque a inspiração vinha e ela não podia ir embora né; escrevendo escondida; colocando despertador pra escrever, mas dormindo logo em seguida; enfim, até agora teve de tudo e ainda estamos no meio dessa roubada deliciosa, ou seja, muita coisa ainda está por vir. Ainda bem.

Nunca fui de postar muito, quem me acompanha há um tempo sabe que às vezes passo mais de meses sem postar, é que a vida bate e sou muito perfeccionista, só posto quando o texto me agrada, no mínimo, uns 75% ou eu canso de ser controladora e posto ele do jeito que tá mesmo. Além disso, tenho muitas ideias no decorrer do dia, mas nunca anoto nada. Às vezes acontece do texto vir praticamente completo na minha cabeça, mas perco a oportunidade de escrever, porque tenho preguiça de colocar no papel dependendo do lugar que to, ou por falta de costume de fazer isso mesmo. Então, postar era uma questão com inúmeras variáveis: timing, disposição, criatividade e por aí vai. Até o BEDA.

Com o BEDA não tenho o luxo de editar tudo incansavelmente como antes, de ficar ponderando, cobrando um texto melhor de mim, eu simplesmente posto. Sei que como resultado saem umas coisas bem esquisitas, mas to tentando me importar cada dia menos com isso. Afinal, aqui posso ser eu, esse é exatamente o objetivo do blog. Antes mesmo de alguém lê-lo, gostar dele ou não, eu preciso gostar dele, preciso me sentir a vontade pra escrever aqui, pra me posicionar, desabafar, do jeito que eu quiser, mesmo que isso signifique um texto cocô. Até porque, como já é sabido, a vida é essa junção de coisa ruim e boa, e meus textos refletem isso; quero que eles reflitam isso. Porque, convenhamos, na maioria das vezes, a vida não é essa coca-cola toda, nem eu, nem meu blog.

E é isso que me torna humana. Não vou mentir e dizer que é fácil aceitar o fato de que não sou perfeita - eu sempre quis ser -, mas querer ser perfeita é cobrar demais de mim, é exigir algo que não sou e não poderei ser. Preciso aceitar minhas partes boas e as ruins, e nisso também consiste em aceitar essa dicotomia nos meus textos, porque eles são quem eu sou. Com o BEDA isso se tornou claro como água, eu preciso aceitar quem eu sou e o que escrevo.

Confesso que já pensei inúmeras vezes em desistir, apagar o blog e recomeçar do zero por cobrar demais de mim, por querer sempre tirar mais um pouco de sangue meu, sabe? "Você pode mais" "Pode escrever melhor" vide Consciência; provavelmente sim, sempre posso melhorar, mas será mesmo que isso é tudo? Recentemente postei sobre os "desenhos" que assistia na minha infância e foi tão bom fazer aquele post, mesmo ele saindo não muito bem o que pensei, foi maravilhoso assistir os vídeos dos desenhos, relembrar minha infância. Foi como um abraço caloroso em quem eu fui, foi colo de mãe pra tudo aquilo que passei. E eu passei por muita coisa, e perceber que há alguns anos que parecem meses  eu era aquela garota que não perdia por nada aqueles desenhos, perceber como mudei e cresci é bonito demais pra passar em branco. Por isso eu fiz aquele post e ele é importante pra mim nesse sentido (Nem tudo é sobre se algo é bom ou ruim, mas sobre o que aquilo significa pra você). Se gostei dele? Não. Se reescreveria ele caso tivesse tido mais tempo? Provavelmente. Vou fazer isso depois? Não. Ele vai ficar exatamente daquele jeito estranho que está e, aqui entre nós, esse é um passo e tanto pra mim.

Portanto, chego a conclusão de que BEDA é sobre escrever todo dia, sim, mas também é sobre se conhecer, sobre autoconfiança, sobre desencanar um pouco e se divertir com uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever. Então, passaram-se quinze dias, dezesseis pra ser mais exata, desse desafio gostoso e agora só posso prometer uma coisa: vou continuar dando o meu máximo pra ser, agora e sempre, cada dia mais eu.




2 comentários:

  1. Olaaar~~

    Você comentou no blog no post sobre ser competitiva, e acho que esse seu texto complementa o meu em vários pontos. Saber lidar com a derrota é uma coisa que tento aprender exaustivamente. Tem dias em que me saio melhor do que outros, mas é uma luta constante. A mesma coisa para aprender a lidar com essa vontade de deixar tudo perfeito nos mínimos detalhes: não é sempre que vou conseguir e, portanto, tenho que fazer a Elsa e cantar "let it go". Não adianta ficar louca tentando chegar a uma perfeição inexistente, não é? A cada dia eu treino um pouquinho disso e aprendo a me deixar levar (o que, confesso, é difícil porque controle é meu nome do meio).

    Mas a gente consegue, você vai ver!
    Parabéns pelo BEDA ~ YAY.

    Um beijo!

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  2. Acho que você falou tudo. No início eu começava os blogs aí nem escrevia porque não gsotava do layout, queria que fosse tudo lindo e perfeito, afinal, como EUZINHA PODERIA FAZER ALGO PORCO? Não aceito errar também, isso é bem sufocante. Então fiz como você, deixei sair as coisas "meia boca" (claro, nunca é meia boca porque eu sei que você ainda deve dar sempre uma arrumada, como eu), mas você disse tudo aqui: "chego a conclusão de que BEDA é sobre escrever todo dia, sim, mas também é sobre se conhecer, sobre autoconfiança, sobre desencanar um pouco e se divertir com uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever." e to muito feliz com o BEDA também (apesar de não postar aos fins de semana, me dou o direito da folga haha). Beijão!

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