04 agosto 2015

04/31 - Pela matemática, minhas epifanias

Eu ia escrever sobre alguns filmes que assisti no mês de julho, mas o filmow decidiu não me ajudar nesse quesito, então, como sou incapaz de lembrar ate do que comi há dois segundos, falarei sobre coisas que não me escapam. 

Preciso confessar que estou numa aula de matemática de trigonometria,  nesse momento, o professor ta resolvendo uma questão besta de seno e cosseno. E lembrei que tenho no celular o OneNote cuja eficiência nunca testei ate agora. Resolvi sair um pouco desse ar trigonométrico pra falar um pouco amenidades bloguilísticas que são tão reais. Na verdade, gostaria de destacar como somos seres mutáveis.

Há um tempo atrás, na aula, eu seria a pessoa a estar sentada na primeira fila, sem piscar e prestando atenção até nas pausas do professor. Hoje, assim que entrei na sala, fiquei feliz ao perceber que sentaria na última fileira. Não vou mentir, em toda aula torço para sentar na parte de trás. E matemática pra mim já não tem nenhuma graça, na verdade, quase chego a não suportar. 

Três anos se passaram desde que saí do ensino médio, naquela época não imaginei que estaria aqui nesse momento, sendo isso que sou. Sendo um pouco drástica, afirmo que a beatriz de três anos atrás nunca pensou que se tornaria a beatriz de agora. Não por eu ser um fiasco agora, coisa que não sou, mas porque, há três anos, meu mundo era muito pequeno pra imaginar um dia me tornar isso tudo que sou agora.

Primeiro, eu nunca me imaginaria feminista (nunca tinha ouvido falar dessa palavra, na verdade). Acho graça quando lembro de uma vez em que um amigo me disse que sua professora de redação gostaria que lhe escrevessem sobre mulher, mas sem entrar no senso comum "da mulher que conquistou seu lugar na sociedade" e eu afirmei categórica: " o que mais ela quer que você fale além disso?". Ignorante dos problemas enfrentados pelas mulheres, na época, não tinha a mínima ideia do mundo ao meu redor. Ingenuidade, talvez. 

Segundo, me via desesperada pra encontrar aquilo que deveria me fazer feliz pro resto da vida. Uma profissão. Buscaria o sucesso profissional irracionalmente, sem perceber que o sucesso nem sempre é esse que as pessoas pintam por aí. Na verdade, ingênua, não vi(via) em sociedade de forma crítica, não enxergava todo um discurso opressor e manipulador por trás daquilo que nos é passado diariamente como normal. 

Talvez, há três anos, fosse a favor da redução da maioridade penal. Talvez não enxergasse as pessoas como elas são lá no fundo, simplesmente as visse passar com indiferença. Talvez uma de minhas palavras favoritas não fosse empatia. Ou talvez eu nem gostasse tanto assim do meu pé, de mim.

Às vezes nós focamos tanto nas coisas ruins da vida e na gente que esquecemos aquilo de melhor que nos tornamos. Pra falar a verdade, mudamos para melhor e nem percebemos, constantemente. Esquecemos como crescemos com as dificuldades, com os choros. Tem um pensador (esqueci qual) que diz que quando somos infelizes somos sensíveis à dor do outro e nos transformamos. Com isso, lembro de uma professora que tem como principal desejo pra filha que ela seja infeliz. Nunca entendi muito bem o que ela queria dizer com isso, mas hoje entendo. 

Chego a uma etapa da minha vida em que tenho consciência de tudo o que passei, entendo as dores, os choros e agradeço pelo que passou e ainda está por vir. 



2 comentários:

  1. Nossa!
    Fui lendo o texto e me identificando, entendendo o que tu queria dizer, sabe? Mergulhei em uma linha de pensamento tão profunda que quando terminei de lê-lo parei um pouco pra respirar fundo.

    Adoro parar pra pensar sobre o quanto nós mudamos sem perceber. Quando nos damos contas, tudo está diferente. Já escrevi sobre isso, mas parece que não consigo me expressar direito. Aí eu leio esse texto e, bá, é tudo o que eu queria colocar pra fora.

    Aliás, aulas de matemática são bens inspiradoras pra fazer qualquer coisa que não estudar matemática, né? Eu também já escrevi uns quantos textos enquanto ouvia o professor falar sobre fórmulas e números, uhauhauah.

    Beijo!

    Palavras Alienadas

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  2. Ultimamente tive pensamentos bem parecidos sobre as mudanças que tive em mim, que felizmente foram pra melhores, mudanças em anos ou até em poucos meses, e muitas delas se devem ao feminismo. :)

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