09 julho 2015

Não fossem os anos e os olhares, não seria eu

Se não fossem minhas olheiras cheias de um sono infinito, ou aquele sonho que sonhei há três anos e toda a bagunça meticulosamente descalculada. Não fossem as chamadas, todas ignoradas e minha incapacidade de sociabilizar, não seria eu. Se não fossem todos os choros e as dores por querer estar sempre certa e a mania chata de metaforizar e transformar tudo e todos em poesia. Ou se eu desistisse na primeira oportunidade, e não dançasse sozinha, num show particular, quando as coisas pesam demais. Se não desse errado e fosse fácil demais, não seria eu.

Se o fato é que constantemente me perco nos meus pensamentos, sonho acordada e não escuto nada do que você diz. Não quero ser chata, mas vou ser honesta: não sei exatamente o que é que to fazendo aqui. Você pode tentar por horas me chamar à realidade, mas vai dar errado. Porque foram os livros e o amor e essa mania chata de não ter os pés no chão que me fez assim.

Se não fossem os dramas e não fosse a dor e essa mania de ler de tudo feito um computador (?). Se não fosse o estralar de dedos e o brilho nos olhos quando vejo o chocolate meio amargo olhando diretamente pra mim e os abraços inesperados, desengonçados e cheios de amor. Se não fossem as palavras e todos os diários largados pela metade, e os sonhos loucos e as crush doida no meio da rua e a disposição de uma idosa hibernando para sempre na vida. E a vontade louca de fugir de tudo e ser um pouco menos desengonçada, menos ansiosa e complicada. E os sorrisos nas horas erradas, a inconstância de emoções e a vontade de abraçar o mundo. Se não fossem todas cicatrizes e as mudanças, não seria eu.


(Meme que a Ana Luísa inventou inspirado na música Capitão gancho e que resolvi ressuscitar porque é sempre bom a gente falar da gente mesmo pra se conhecer e amar cada dia mais)