22 junho 2015

Sobre esperança, magia e Cinderella


Have faith in your dreams and someday your rainbow will come smiling through

Ando meio recolhida no meu canto, mais que o normal. Não por minhas confusões internas que vocês já estão cansados de saber, mas por começar a ter medo do que estou vendo pelo mundo. Sempre fui uma pessoa de fé, não uma simples fé em qualquer coisa, mas uma fé nas pessoas, no mundo. Eu costumava dizer que todos são bons, sem exceção, e quem aparentemente  não é só tá meio perdido, isso não era uma dúvida, era uma certeza. Todas as pessoas são essencialmente boas e ponto. Ou seja, eu acreditava no mundo. Meu horóscopo, inclusive, me diz que tenho essa mania de ver tudo muito colorido. Mas, recentemente, eu vi tanta coisa que me entristeceu, tanta coisa me tirou o sono, me fez chorar, tanta gente desrespeitando o outro, odiando e machucando as pessoas que eu desacreditei um pouco nesse mundo colorido que sempre enxerguei.

Não to dizendo aqui que sou uma pessoa perfeita e não faço coisas ruins, mas sim que eu tento ao máximo não machucar os outros, nem sempre consigo, mas eu tento. E ver gente sendo machucada por causa de crença, por causa de ser algo ou alguém de tal modo, no mundo todo, não só no Brasil, me deixa muito muito triste. Não há palavras pra descrever isso.

Então, quando assisti ao filme Cinderella, hoje,  eu senti que algo dentro de mim se mexeu, inquietou-se. Cada segundo transcorrido do filme eu percebia quão maravilhoso aquilo tudo era e quão verdadeiro também. "Have courage and be kind" disse à Cinderella, sua mãe, antes de morrer e aquilo tornou-se o lema da vida de Ella, ter coragem e ser gentil, porque ela não via o mundo como ele era, mas como ele poderia ser e isso é justamente o que devemos fazer.

Dizem que Cinderella era besta por não sair das garras da sua madrasta, inclusive eu também pensei isso no início, mas ela de lá não saia porque ela compreendia que aquilo que a madrasta e suas filhas lhe davam era tudo o que elas podiam lhe dar, ou seja, indulgência. A compreensão de tudo que há por trás das ações alheias, compreensão de um mundo de dor por trás daquele modo de tratá-la, elas não sabiam ou não podiam oferecer aquilo que Ella poderia oferecer, assim como sua mãe lhe ensinou, gentileza. Um dos ensinamentos do filme: compreender o mundo por trás do outro e de suas ações.




Apenas em um momento Ella decide que, não, ela não tem coragem para continuar daquele modo e é nesse momento, sem esperanças e chorando, que alguém lhe pede ajuda e ela, mesmo ferida pelo mundo e com todos os possíveis motivos, não nega essa ajuda. “O que é um copo de leite? Nada. Mas a gentileza o transforma em tudo.” diz a senhora, a partir daí a senhora se transforma em alguém disposta a ajudá-la a conseguir realizar o que deseja. Ou seja, sejamos sempre gentis que o universo conspira a nosso favor e tudo coopera para o bem. 

Mas, o que realmente me fez chorar assistindo a um filme de contos de fadas foi a mensagem que ele me trouxe, acalentando meu coração e me dizendo que, sim, há esperança e não devemos nunca deixar de acreditar nisso e na bondade do mundo. Mesmo que ela demore um pouquinho a aparecer, mesmo que tudo nos diga que o mundo não tem mais jeito, que tá tudo errado, que as pessoas estão loucas, tenhamos coragem e percebamos que há sempre esperança, apesar da violência, da falta de amor, há sim, novamente, um colorido aí embaixo disso tudo. 

Então, depois de assistir a esse filme, me recuso a perder essa fé no mundo, me recuso a enxergar somente as coisas ruins, me recuso a não ver o passarinho cantando ou o vento incansavelmente batendo na minha janela, o sol raiando todos os dias, as árvores e tudo o mais de lindo que existe, sim, mil vezes sim, no mundo e em todos nós. É essa a magia. Olhar um bebê sorrir, escutar uma música que nos faça chorar de emoção, amar o outro, ver abraços e muito mais que não costuma aparecer no jornal. Porque prefiro ver o mundo como ele poderia ser e como ele será, um dia. Tenho certeza. Senão isso, qual o sentido de viver? 

Portanto, que tenhamos coragem, sejamos gentis e nunca desistamos da magia. Nunca, porque ela não desiste da gente. 





06 junho 2015

Borboletear

v.i. Ir de um a outro lugar, de uma pessoa a outra, como as borboletas. 

v. i. Vaguear, divagar, como as borboletas. Devanear. (De borboleta)



"Ser lagarta, virar borboleta."
Dia desses, uma borboleta pousou no meu dedo. Assim, de repente, como quem não quer nada, pesou em mim a leveza do bater de asas. Sempre quis ser espaço para borboleta, nunca consegui ser um tanto pra que alguma quisesse descansar em mim. Mas aí, dia desses, uma, de repente, como quem não quer nada, pousou em mim, no meu dedo. E eu, sem ser mais lagarta, borboletei (também) por aí.