25 abril 2015

Dessas coisas que acontecem na vida

Ou: Um dia não, outro dia sim
Ou: A vida não é uma comédia romântica 

Contei no post passado que me interessei por um boy na internet, tomei a iniciativa e falei com ele. Só que não contei uma coisa muito importante a respeito dessa situação: eu fui "rejeitada", com aspas porque ele não disse diretamente "sai daqui", mas rejeitada porque ele também não fez muita questão de dizer "fica". Já faz um tempo que ando pensando e querendo escrever sobre essa situação, mas sempre vinha aqui e não sabia exatamente o que falar e, pra ser sincera, ainda não sei. Mas, acho que ta na hora de colocar isso pra fora.

Primeiramente, deixemos uma coisa clara: não tenho muita experiência no quesito relacionamentos, porque sempre fui muito tímida e fechada e chata demais no meu mundinho. Esclarecido esse ponto, fica evidente que eu N-U-N-C-A fiz e nem passou pela minha cabeça um dia fazer algo parecido com o que fiz há um mês atrás. E o que foi que eu fiz? 

Tudo começou quando stalkeando - hobby preferido da vida - encontrei por acaso seu perfil no instagram e achei o boy interessante demais, do tipo amor platônico, se eu encontrasse no meio da rua a gente já tava casado (na minha mente). Fui afundando mais nesse vício gostoso que é stalkear e achei facebook, canal, endereço, telefone (a louca) e afins. Me apaixonei pelo dito cujo, sim daquelas paixões que já falamos por aqui. Enfim, tímida que sou não fiz nada, mas contei aos sete ventos que tinha encontrado um boy magia maravilindo; depois de muito papo, de apresentar pras amigas, Rodrigo me diz que eu devia adicioná-lo e trocar um papo pra ver se ele era tão sensacional quanto o que havia criado pra ele/pra gente. Depois de uns dias, tomei coragem e adicionei no facebook, ele aceitou. 

Falei com ele na coisa louca de ser, depois de uns aperreios que não valem ser mencionados, só que toda a magia que eu tinha criado e todo nosso relacionamento ficcional foi por água abaixo. Primeiro de tudo: ele foi bem grosso (odeio grosseria, imagina grosseria gratuita), foi arrogante (como se ele tivesse fazendo um favor por estar falando comigo) e terceiro: ele falou mais besteiras como se eu fosse a pior pessoa da face da terra (Tá, não foi pra tanto, mas foi quase). Tudo bem né, ele não tava a fim, não se interessou.

O grande problema foi, notem que não to falando isso pra me gabar ou qualquer coisa desse tipo, mas pra vocês entenderem que eu não sabia lidar com essa situação, eu N-U-N-C-A fui rejeitada, nunca me interessei/gostei de um cara que não gostou de mim e, muito menos, falei com um boy, ou seja, tomei iniciativa e tive como resposta rejeição. R-e-j-e-i-ç-ã-o. Sim, caros colegas, pela primeira vez eu tive que lidar com essa palavra e tudo a que ela implica. E eu não soube o que fazer, minha primeira reação foi "ops acho que ele não entendeu, deve estar brincando ou coisa parecida QUE BRINCALHÃO", então dei mais uma chance pra ele se redimir haha, segunda reação: "Ele deve ta jogando aqueles joguinhos de manipulação ou o famoso negging" mais uma chance, terceira reação: "Tá, ele simplesmente não ficou a fim COMO ASSIM? POR QUE NÃO? QUAL MEU PROBLEMA? SOU FEIA? SOU CHATA? SOU RIDÍCULA?" e afins. 

Passei uns dias bem pra baixo, se querem saber, não porque eu gostava dele, convenhamos né, mas porque meu orgulho foi triturado, minha autoestima foi pra baixo (pois é), fiquei nessa incessante busca pelo que tinha de errado em mim, o que tinha feito de torto, o que eu poderia mudar pra ele voltar atrás, ou o que poderia publicar/fazer pra que eu ficasse interessante pra ele. A coisa ficou bem louca e eu caindo nessa, até que, certo dia, acordei. Sim, despertei do torpor, me afastei um pouco da situação e me dei conta de toda a besteira que eu estava fazendo. Como assim minha autoestima depende da aprovação de um cara? Como assim mudar algo pra chamar a atenção dele? Pensei até em assistir os filmes preferidos dele só pra fazer uma média (!!!!!!!!!!!!!!!!!!), como assim, minha gente? A rejeição me deixou numa situação tão doida que eu, sem perceber, comecei a fazer coisas que não aprovava e a sofrer por uma coisa sem noção, por um menino que não valia meu esforço e a me culpar por não ser "interessante" o suficiente. Eu queria me mudar pra agradar alguém, contrariando todos os meus princípios e isso era inaceitável, sou eu e sempre serei, mudando coisinhas ali, outras aqui, mas por mim, principalmente, não pra agradar alguém, seja homem ou mulher. Enfim, não.

Daí, dia desses, eu tava refletindo umas coisas, conversando com um amigo e ele me disse que tudo isso foi muito importante acontecer, porque eu saí da minha zona de conforto e dei de cara com gente diferente que queria coisas diferentes e isso é muito saudável, porque a vida tem dessas coisas. Não é possível encontrar, em todos os lugares que vou, só gente que vai me amar, sempre vai ter alguém que vai me achar insuportável, chata, feia, magra demais, gorda demais, ou qualquer coisa dessas. Como diz minha mãe, "Nem Jesus agradou todo mundo, quem sou eu né?" então fico grata por ter me permitido experimentar, me libertar das amarras que eu mesma criara como proteção e conforto. Também fico feliz por ter tido a coragem de "ir atrás" do que eu queria, ao contrário do que nós mulheres somos ensinadas, fico feliz por não ter esperado e talvez ter perdido uma chance massa, quem sabe? Foi difícil, desafiador e diferente, mas como a Clara mesma diz, não somos treinadas pra lidar com rejeição, mas faz parte da vida e é um passo importante na compreensão do mundo e da nossa individualidade, sempre em mente que se não deu daquela vez, uma hora dá, o que não vale é se desdobrar em mil pra agradar quem realmente não ta a fim e ponto; hora de partir pra outra. 



18 abril 2015

Segundo o google, Punarārambha significa Recomeço

No início do mês, conheci um boy muito ativo - em termos de experiências diferentes - e que me disse que procurava viver todo o tempo ao máximo com o maior número de experiências diferentes que ele pudesse, então ele falou que tocava flauta, que ia pro Piauí gravar um curta, que ia fazer num sei o que e mais um monte de coisa. Na hora que me cabia da conversa pra falar sobre mim, eu percebi que não tinha muito o que falar, ao contrário dele. Apesar de termos apenas 2 anos de diferença, ele viveu muito mais que eu. Comecei a refletir sobre todas as coisas que já fiz na vida e vivenciei, não direi que foram poucas, mas também não direi que foram muitas e avassaladoras.

Como todo mundo já sabe, desde criança tenho esse mundo que criei pra mim mesma e é bem difícil sair dele, por isso amo assistir filmes, ler livros, falar sozinha, dançar sozinha e toda vez que tenho que sair um pouco dessa zona, sinto muito desconforto e uma vontade imensa de voltar pra casa. Só que a vida, sem eu querer, começou a me forçar a sair dessa segurança, então passei a estudar longe de casa, andei de ônibus pra lugares totalmente diferentes e também conheci pessoas que nunca teria conhecido anteriormente. Até aí tudo bem e, pra mim, até o dia em que conversei com o boy, eu pensava que estava muito bem obrigada nessa questão, só que me dei conta que não estou, porque eu não tinha nada pra falar pra ele - e o problema aqui não é sobre não ter algo pra falar pra ele especificamente, mas o fato de não ter feito nada que merecesse ser contado ou lembrado a qualquer um que seja. Isso me inquietou demais. 

Há três anos eu tento medicina e, nesse meio tempo, eu parei de viver, praticamente. Eu parei meu curso de inglês, não aprendi a tocar piano como gostaria, nem fiz a aula de dança que prometi que faria quando tinha 14, nem viajei pra nenhum lugar que queria e a lista só aumenta de coisas que sempre quis fazer e não fiz. Três anos se passaram e eu não fiz nada de importante e que eu gostaria muito com a minha vida. Refleti essa situação por muitos dias, muitos mesmo, passei pela fase de negação, da tristeza por ser assim e por estar numa situação dessas e toda aquela coisa auto-depreciativa e agora to na fase de tentar mudar essa situação. Ou seja, decidi fazer algo a respeito, algo a respeito sobre todos os aspectos em stand by da minha vida, não posso simplesmente pausar minhas vontades, meus desejos e etc por um tempo tão longo, são três anos que não voltam mais, SÃO TRÊS ANOS,  não três dias, eu preciso urgentemente fazer algo com o meu tempo, pra mim mesma, pra me conhecer, conhecer lugares, pessoas, idiomas, sei lá, qualquer coisa que me tire da zona de conforto. 

Pensando nisso, assisti a um filme, depois de ver uma foto dele no facebook, que fazia um tempo que queria assistir, mas ficava com medo de não gostar por ser tão diferente de tudo o que já assisti. Filme indiano com quase três horas de duração, atores desconhecidos, língua e história mais ainda. E a única coisa que posso dizer a respeito é que agora estou completamente apaixonada pela cultura e indústria cinematográfica indiana, depois de assistir a "My name is Khan". Um filme sensível, dolorido, tão atual e pertinente que me fez levantar a bunda da cadeira e repensar alguns pensamentos tidos como corretos na minha cabeça. Chorei com toda a dor, todo o amor e toda a verdade ali contida, cada minuto que se passava eu amava ainda mais. Depois dele, não parei mais e assisti também a "Hasee toh phasee" que é aquele tipo de filme pra aquecer o coração. Baixei recentemente um outro que esqueci o nome e pretendo entrar mais ainda nesse universo. 

Além disso, não paro mais de escutar as músicas que são tão apaixonantes quanto. Quando não dão vontade de levantar da cama pra dançar, são daquele tipo que enchem nossa alma de coisas boas. E agora estou determinada a encontrar um jeito de aprender hindi, além, também, de esperanto (que decidi independentemente do meu novo amor pelo universo indiano). Também to procurando uma aula de dança, porque academia não dá pra mim. Comecei o meu journal, apesar de morrer de medo de ser um fracasso. Fiz um horário pra mim, apesar de odiar rotinas. Adicionei um boy que achei interessante, tomei a iniciativa e falei com ele.  Amanhã cantarei uma música junto com uma menina na frente de um monte de gente, mesmo morrendo de vergonha. Ou seja, bons tempos se aprochegam. Os deixo com uma(duas) música(s) da trilha sonora de Hasee toh phasee, divirtam-se e se apaixonem também.  (A última com a letra da música pra já entrar no clima do aprendizado). 

Observação: Se você já conhecia esse universo maravilhoso e recém descoberto por essa que vos fala, faça um favor maravilhoso e sensacional: me indique filmes maravilhosos indianos, porque são muitos e, ao mesmo tempo, muito pouca bia e muita indecisão numa pessoa só. Fico te devendo meu core e meu amor eterno. (Observação mais que importante)
Observação 2: Nem o 101 coisas em 1001 dias consegui cumprir FAIL TOTAL !!!!!!!!!!!!!!!!!
Observação 3: To com muita, muita mesmo, vontade de mudar o nome do blog (só pra vocês não se assustarem se encontrarem uma coisa diferente por aqui dia desses)