27 março 2015

Sobre dizer adeus

Eu já disse por aqui que não lido bem com mudanças, muito menos com coisas que resolvem acabar. Tenho mudado um pouco a respeito do meu sentimento com mudanças, mas finais ainda me são intragáveis, principalmente quando se trata do fim de coisas que amo demais, como é o caso de Hart of dixie. Também já falei por aqui que sou Zoe Hart, com todas suas inseguranças, artimanhas, epifanias e loucuras e ver essa personagem se despedindo de mim e de todo mundo dói demais meu coração. Sei que a série já não é como era anteriormente, as coisas decaíram, mas, mesmo com todas as trapalhadas, eu nunca desisti de Bluebell e nunca desistiria. Só que as coisas mudaram e com essas mudanças, novos cenários surgiram e, portanto, resolveram cancelar a série. 

É com muita tristeza no coração que percebo que não irei mais assistir às trapalhadas da Zoe tentando acertar do seu jeito meio errado, nem verei mais Wade sendo tão abestalhado e ao mesmo tempo tão incrível. Nem verei mais Lemon sendo tão determinada com aquilo que ela realmente quer, ou verei a união de uma cidade onde todos se conhecem, se ajudam e se gostam tanto, de um jeito meio torto sim, mas se amam acima de tudo. Coisas que eu só poderia encontrar numa série situada numa cidade pequena, fofa e tão acolhedora. 

Desde a primeira vez que resolvi assistir ao piloto, eu sabia que ía me apaixonar pela série, mas nunca pensei que ía amar tanto, como se fosse algo sobre a minha vida, feito pra mim de um jeito tão meu. Sei que isso tudo soa muito egoísta, mas me despedir de Hart of dixie é como me despedir de uma versão de mim mesma. Minha versão Zoe Hart, tentando acertar sempre, meio perdida, meio fora de foco, tão eu, mas tão eu que me doía me olhar ali tão nua, tão exposta pra todo mundo ver essa loucura que é viver aqui dentro. Então, como, em sã consciência, serei capaz de dar adeus a mim mesma? Como dar adeus a uma parte tão viva de mim? Odeio despedidas. Odeio mudanças.

Sei que a gente está aqui, na maioria das vezes, pra crescer e se transformar sempre em pessoas melhores, por isso, alguém me disse, acho que meu subconsciente, que talvez eu esteja dando adeus a ela pra dar adeus a uma pequena parte de mim também, quem sabe me reinventar. Deixar de ser, finalmente, lagarta e me transformar em vocês sabem o quê. Talvez seja chegada a hora de deixar algumas coisas irem, com muita dor no coração, mas transformá-las em algo melhor, afinal, todo digimon evolui. E é com muita dor, portanto, que digo adeus a Zoe Hart e a esses quase quatro anos de identificação, muito drama e muita bia.