28 fevereiro 2015

Esse título se perdeu na esquina em que deixei a minha vida

Estou constantemente tentando descobrir quem eu sou, já to quase nos vinte e sinto que não to nem perto de saber as respostas pra minhas perguntas. Sinto como se fosse eu contra o mundo, tempo e tudo o mais. Quando falei por aqui que havia crescido, eu menti. Na verdade, foi uma meia verdade, acho que tenho aquela mania de falar as coisas pra me convencer. Só que não me convenceu e, tampouco, virou realidade. Pra ser justa, eu cresci sim, mas com passos de bebê. Ou seja, quase não saí do lugar. E to perdida pra caramba e também to cansada demais de estar assim. Assim como to cansada de dar explicação a todo mundo quando me perguntam o que to fazendo da minha vida e da vergonha de olhar pros meus pais e não saber dizer exatamente o que é que to fazendo. E nem o que quero. Pra falar a verdade, eu sei o que quero, só não sei se e como consigo chegar lá exatamente. 

Além do mais, não sei se quero chegar agora. 

To tentando escrever aqui faz um tempo, mas tenho tanta coisa acontecendo aqui dentro de mim, tantas questões abertas, tantos assuntos a decidir, tanta coisa que não consigo organizar nada, muito menos chegar aqui e falar sobre qualquer coisa que seja interessante na minha vida. Em contramão, tomei vergonha na cara e comprei uma agenda em fevereiro (sim, sempre compro tarde e perco janeiro) e não estou boicotando ela, como fiz ano passado; to escrevendo bastante, o que me deixa feliz. Em meio ao caos, sinto-me acolhida por estar escrevendo pra mim mesma lá, já que não aqui. Já falei que amo ler minhas agendas antigas e saber que to escrevendo pelo menos em algum lugar é reconfortante, enfim. 

Voltando ao assunto que vou fazer vinte anos, to completamente desesperada e com uma vontade imensa, ao mesmo tempo, de morar sozinha, sabe como é? Acho que lá dentro de mim existe uma versão minha louca pra se libertar dessas amarras que essa beatriz, que pensa que ainda é nova demais pra qualquer coisa, a deixa presa. É como se tudo em mim me dissesse: vai fundo e cresce, mas eu continuo a teimar que está melhor do jeito que tá. SEM MUDANÇAS. Eu sempre odiei mudanças, eu chorei na única vez que troquei de colégio,só nunca pensei que tivesse um tipo de "fobia" que me paralisa com a perspectiva de assumir tantas responsabilidades e novidades.

Mas, lá no fundo eu to louca pra ser independente, pra comprar minhas coisas (sim, fico imaginando meu apartamento) e de fazer as coisas como me derem na telha, sei lá, só viver e ser uma versão melhorada e despida de todos esses medos que essa beatriz atual. Por isso, ano passado, quando passei em odontologia em outro estado, quase me matriculei mesmo não querendo cursar, só pra ter algo novo, morar sozinha, mudar os ares e etc. Só que a realidade sempre bate na porta e aqui estou, sem rumo, perdida, sem apartamento haha e doida pra dar um update. Em todos os meus aspectos, às vezes acordo com uma sensação de querer ser uma outra pessoa, sei que isso é louco e nem tenho por que reclamar da minha vida, tendo tanta gente sofrendo por aí, mas é incontrolável. Fico querendo saber como seria acordar num outro corpo, numa outra vida, tipo "Todo dia". 

Mas, de novo, a realidade bate na porta e ela é bem diferente da ficção, que seria meu mundo ideal caso existisse, e mostra que nem tudo é do jeito que a gente quer. Sei que preciso levantar minha bunda da cadeira porque duas décadas já se passaram e pouca coisa foi feita (por isso to querendo pintar o cabelo) e sinto como se só o que passasse fosse o tempo e eu fico aqui presa no mesmo ponto, porque sou medrosa demais a me arriscar a sair dessa bolha/rotina já conhecida. Por isso, pra tentar sair de uma vez por todas desse vício em ser preguiçosa da vida, fiz uma lista de desafios a mim mesma, coisas que nunca faria normalmente, e preciso religiosamente cumprir um deles uma vez por semana, no mínimo. Enfim, é isso mais ou menos. Moral da história: A vida segue e espero que eu siga logo com ela.