30 dezembro 2015

Retrospectiva literária 2015

A ideia era pular essa última semana (in)conscientemente; existir mas não viver, sabe? Sair da cama, comer, comer mais um pouco e voltar pra cama até 2016 chegar. Como não vivo sozinha e tenho alguns deveres sociais, não pude realizar esse último desejo, então meio que me vi obrigada a vir aqui dar uma última passada. (A propósito, feliz natal!). Mentira, não é obrigação, mas é aquela sensação lá no fundo do estômago dizendo que você precisa fechar o ciclo, o ano ou sei lá o quê mais. Senão no journal, nas suas agendas, no blog né. Aqui estou, com dor de garganta e prestes a gripar pensando que ano passado não fiz uma retrospectiva porque sou e sempre fui preguiçosa demais. Porém, esse ano, nem que saia na primeira - ou na última - semana de janeiro, ela sai andar com fé eu vou.

Posso resumir o ano de 2015 como o ano da ressaca literária; nunca na história desse Brasil abandonei tantos livros pela metade como nesse ano. Tive que abdicar de alguns livros incríveis porque eu simplesmente não conseguia seguir em frente na leitura deles, então, desesperadamente, passei a selecionar livros facinhos e de leitura rápida pra ver se essa maré esquisita ia embora, mas não foi. Em momentos de desespero, comprei livros que eu tinha certeza que leria em um dia ou dois porque né possível. Comecei a me indagar certas coisas do tipo, será que não sou mais leitora? desisti dessa vida? será que não gosto mais de livros e por aí vai. Ainda me restam algumas dúvidas e talvez eu esteja meio impaciente e precise me reacostumar a sentar pra ler coisas pesadas, nem tão fluidas assim, mas deixemos pra encarar esse problema depois. Agora falarei um pouco de alguns dos 35 livros que consegui ler no meio dessa tempestade de ressaca, de modo sucinto - espero. (Provavelmente sim porque alguns já até esqueci que li)

Comecei o ano com um livro que ganhei de natal, O sangue do Olimpo. A história desse livro é meio engraçada, porque ganhei o tal num amigo secreto e acontece que a mesma pessoa que me tirou e me deu ele, eu tirei e dei o mesmo livro. Coincidência? Enfim, o livro é o último da série que é meio que uma continuação de Percy Jackson só que com a adição de outros semideuses. Eu amo Percy Jackson, amo mitologia grega e romana (conhecemos mais um pouco dessa rixa entre gregos e romanos - mitologicamente - nessa continuação) e amei esse livro, assim como amei os outros. Confesso que não lembro muito dos detalhes, mas lembro que apesar da adição de outros semideuses, Percy ainda é meu favorito.




Tenho uma veia meio dramática dentro de mim, isso não é novidade pra ninguém. Porém, o que com certeza é novidade é que meus livros acompanham esse meu lado obscuro; tenho muitos livros dramáticos, misteriosos, ya conturbados pra dar e vender. Gosto de ler, pelo visto, coisas que me tirem do meu lugar de conforto, que me batam, me façam chorar, refletir, me colocar no lugar de outras pessoas que sofreram ou sofrem além do que posso imaginar. Só esse ano li: Mar da tranquilidade (intenso), Por lugares incríveis (não gostei), A vida em tons de cinza (ainda me dói pensar nessa história e no tanto de coisa que nem temos ideia que um dia aconteceu), Garotas de vidro (pesado e que fala sobre distúrbios alimentares), Just listen (Sarah Dessen falando sobre assuntos difíceis de um jeito delicado), Fale! (que rendeu post, quadro, desenhos por toda parte, choros e uma coisa inexplicável dentro de mim), Os bons segredos (Novamente Sarah Dessen falando sobre inúmeros assuntos pesados de um jeito maravilhoso). Todos esses livros têm em comum toda um carga perturbada com personagens perdidos, histórias difíceis, desagradáveis, reais e problemas sérios.

Além desses que citei, também li Como eu era antes de você que me quebrou inteira. Esse livro mexeu tanto comigo, o final dele foi de matar e morrer. O que a autora faz conosco é digno de gente ruim, ela quebra nosso coração em pedacinhos pra depois pisar neles. Chorei tanto nesse livro e mesmo assim não consegui, nem por um minuto, odiá-lo. Meu amor só aumentou.

Apesar de gostar muito desse tipo de livro que mexe com a cabeça, não consigo lê-los sem intercalar com livros mais amorzinho, mais leves; fico com medo de entrar num looping de tristeza e desesperança no mundo e nas pessoas, então separo sempre uns livros que me façam suspirar, que alegrem meus dias, meu humor e restaurem minha fé na humanidade. Portanto, li: Como falar com um viúvo (lembro pouco, mas lembro que achei inspirador), Um amor de cinema (aquele típico romance romântico até dizer basta, adoro), Anexos (tive alguns probleminhas com essa história, mas esquecendo um pouco esses detalhes, me diverti muito), Isla e o final feliz (Amo)Os segredos de Colin Bridgerton (apesar de gostar cada vez menos dos últimos volumes dessa série, to indo e nossa muitos problemas mas também tento relevar alguns fatos e tento entrar no contexto e no tempo da história e até me divirto um pouco), Extremamente alto e incrivelmente perto (Esse livro também tem um quê dramático, mas ele me fez rir tanto ao mesmo tempo que tocava meu coração que nem sei. Lembro nitidamente de um dia que estava no curso, na sala, esperando o professor, e tive um ataque de risos enquanto lia. Foi meio embaraçoso se querem saber, mas delicioso), Orgulho e preconceito (Cada vez que releio amo mais ainda), Cadê você, Bernadette? (Nossa, esse livro foi a maior decepção, esperava uma coisa meio Sophie Kinsella e me deparei com algo bem ruim hein), O sol é para todos (Nem tenho o que falar sobre esse livro, sobre o tapa sem mão que ele nos dá e sobre a fé que ele transmite: sensacional), Desejo a meia-noite (Fui testar se gostava dessa série, gostei bem menos em relação a Os Bridgertons, mas vou dar uma chance ao próximo), A probabilidade estatística do amor à primeira vista (fofinho), O diário de Bridget Jones e Bridget Jones no limite da razão (Nossasinhora que dor esses livros, nunca quis tanto matar uma personagem como quis matar a Bridget NOSSA ganhou o troféu de personagem mais chata da história desse universo).

Também li um pouco de literatura fantástica, coisa que amo quando feita direito (sorry sou exigente), Sombras prateadas (penúltimo livro da minha querida série Bloodlines - Adrian e Sydney Corações), A faca sútil (eu AMEI esse livro e não me perdoo porque não li o último livro da série ainda). Agora vou inserir uns livros aleatórios com um quê ficcional meio doido aqui porque sim. Vivian contra o apocalipse (Já falei um pouco sobre e adorei, ainda to esperando a continuação acelerem aí obg dinada), A garota que perseguiu a lua (Que grata surpresa esse livro, gostei bastante), Príncipe mecânico e princesa mecânica (Tenho uma relação de amor e ódio por esses livros, ODIEI COM TODAS MINHAS FORÇAS o final, mas os livros em si cumpriram com o objetivo de me entreter e divertir) , Tequila vermelha (Também acho que já falei por aqui, mas vou repetir: uma chatice), Palácio de inverno (Livro sensacional, lindo, cheio de flashbacks e com uma surpresa ótima)

Li meu primeiro Saramago esse ano e foi inesquecível. Comecei logo com Ensaio sobre a cegueira e até agora lembro (grande coisa já que tenho uma memória péssima) da angústia e de todos sentimentos que esse livro me causou, mesmo com os parágrafos corridos e toda aquela estranheza inicial que ele nos causa, não tem como não amar esse livro. Na verdade tem, tem como odiar como Saramago esfrega na nossa cara a humanidade, nós mesmos, quão longe podemos ir. Como somos cegos diariamente, o tempo todo e como mesmo vendo, não vemos nada, nem um palmo a frente do nosso nariz. Simplesmente sensacional.

Minha prima é apaixonada por Milan Kundera, principalmente por A insustentável leveza do ser. Como sou curiosa, fui ler e ver o que de diferente tinha nesse homem ou nesse livro. Confesso que o livro não me tocou tanto, achei ele incrível, cheio de partes sensacionais e tudo mais, mas ele não me tocou. Às vezes acontece, foi incrível, foi sensacional, mas não mexeu comigo de um jeito arrebatador. Provavelmente o lerei novamente, daqui um tempo, vamos ver se isso muda.

Não sou uma dessas, fui ávida em busca desse livro, afinal Lena Dunham, um título desses e uma capa linda. Porém, contudo, todavia, não poderia estar mais errada, esse livro foi a maior decepção. Deixei pra falar dele sozinho porque ele ganhou o troféu de pior livro do ano (empatado com Briget hein) palmas e mais palmas. Amiga Lena, fiquei com vergonha alheia e me dói entregar esse troféu, mas não tive opção. Quem sabe daqui a alguns anos?

Eu sou Malala foi a maior vítima da minha ressaca. Livro incrível, inspirador, doído - porque até que ponto seres humanos chegam pelo poder né ou por simples fanatismo -, mas faz mais de dois meses que não toco nele. Ainda não acabei, estou exatamente no meio, então meio que to falando dele pela metade (?), ano que vem falo mais sobre.  Só queria dizer que ele é lindo e me dói não ter lido o restante ainda.




Esse foi o ~ tanto ~ de coisa que li, embora tenha sido pouco em relação ao que leio normalmente, foi bem bom. Até com os livros que não gostei, consegui aprender coisas e foi super proveitoso. Não consegui cumprir a meta de 12 livros pra 2015 HAHAHA, mas tudo bem. Depois dessa retrospectiva, deixo como meta pra 2016: anotar sobre os livros que leio em algum caderninho, porque se ta difícil lembrar de algumas leituras com 20, imagina com 25? Pois é. Enfim, feliz ano novo folks e até janeiro!

Obs: o post ia ficar enorme se eu colocasse sinopse e não fosse tão sucinta como fui nas "impressões" que os livros me causaram. Não tem bia que tenha paciência e nem vocês, e a minha maratona de supernatural ta esperando obg dinada bjs. 

17 dezembro 2015

Considerações e uma quase retrospectiva

Aparentemente, essa é a antepenúltima semana do ano e, com isso, eu deveria começar os preparativos para todas as devidas retrospectivas. Só tem um problema. Estou aqui, neste exato momento, digitando essas palavras refletindo sobre meu ano e me recusando a aceitar que 2015 já está no fim. Não porque foi um ano maravilhoso, mas porque, sinceramente, nem tive tempo suficiente pra piscar direito e aqui estamos. Dizem que o tempo passa mais rápido quando passamos dos 15 anos; pra ser sincera, nunca dei muita credibilidade a essa crendice, mas hoje preciso admitir: existem verdades e fatos, cinco anos se passaram e eu não senti quase nenhum deles ir. Nenhum ano se compara a esse que chega ao fim daqui a catorze dias, contudo. 

(Sinto que, com os anos, além de ficar mais entrevada, também estou me transformando numa versão da minha mãe, porque estou falando as mesmas coisas que ela e to me tornando uma pessoa muito saudosa. Como assim estou repetindo suas mesmas palavras sobre o tempo passar cada dia mais rápido? Tenho vinte anos né, eu não deveria pensar e me comportar como uma senhorinha de meia idade e ficar rabugenta sobre como 24 horas deixaram de parecer 24 horas)

Enfim, o ano está chegando ao fim e com ele pretendo deixar algumas coisas que já não valem mais a pena carregar. Não sou ingenua, sei que o término de mais um ano não significa a resolução de todos meus problemas ou dos do mundo, há muito ainda a trilhar. Mas é, sim, uma nova oportunidade, um recomeço pra todo mundo que se permitir rever algumas situações, sentimentos e também é uma nova esperança pra todos que buscam um amanhã melhor. Afinal, nada está escrito ainda, essa é uma página praticamente em branco. Não sei vocês, mas pretendo aproveitar essa oportunidade. (Tenho inúmeros planos pra 2016 sim, porque esperança é a última que morre).

Dois mil e quinze foi um ano pesado, em vários aspectos. E ao mesmo tempo, foi um ano que possibilitou a subida de mais um degrau imprescindível pra me tornar quem desejo tanto ser. Cresci muito como ser humano, mudei ideologias, comecei a enxergar o mundo ao meu redor. Abri meus olhos pra algumas coisas que me passavam desapercebidas e foi um ano essencial na minha construção como ser humano. Foi pesado sim, nunca é fácil mudar drasticamente. É preciso se doer inteira por dentro, é preciso quebrar a cara algumas vezes, às vezes chorar copiosamente por nós mesmos e pelos outros. Chorar pelo mundo, às vezes tão injusto, tão cheio de imperfeições e coisas ao contrário; não é fácil sair de uma bolha que nos mantém num mundo perfeito, não é fácil enxergar aqueles que sofrem, ver que há muito ainda a amparar e, ainda, perceber com isso tudo que só temos motivos a agradecer. Perceber, principalmente depois de enxergar todas essas injustiças e dores, que também há muita beleza no meio de toda miséria, e tentar enxergar a bondade até quando ela não é aparente é complicado, mas é necessário. 

Foi um ano difícil, mas também foi um ano repleto de mãos dadas, juntas a lutar por uma realidade melhor. Foi um ano de luta, de busca, de mobilização e esperança pra dias melhores. Teve risos, teve flores, filmes e, até, mesmo que poucos, livros, em sua grande maioria, sensacionais. Teve autodescoberta, crescimento, amor (sim), shows incríveis, professores sensacionais, aulas espetaculares, mais risos, choros que lavam a alma, beda; teve reprovação no detran, mas no fim a carteira na mão, teve Ana Maria Braga versão beatriz, star wars, sense8, filmes indianos, paixões não correspondidas (sim, isso foi bom), teve o fim de Hart of dixie  e, por fim, teve fail na meta literária do ano. Foi bonito, foi; foi doído, foi, como deveria ter sido. 

Sinto que novos ventos surgem ao longe, sinto que 2016 será um ano de mais mudanças e não vejo a hora de ver exatamente o que nos está reservado pra mais esses 366 dias. Mais amor, mais empatia, mais olho no olho; é isso que desejo pra esse novo ano que se inicia. Dois mil e quinze acabou em um piscar de olhos, já vai tarde, porém, e espero que com ele fique tudo aquilo que não merece mais ser carregado. Sigamos, 2016 já está aí. 



15 novembro 2015

(Boas) Aleatoriedades da vida


1. Uma tarde num parque da cidade com um amigo pra espairecer os problemas da vida. (E cantar, dançar, rodopiar, rir e jogar Top dos falsetes na frente de um monte de gente) (E ainda deitar na grama comendo besteiras). Tudo com muita natureza e uma vibe sensacional.







2.  O novo cd do One direction. (Favor clicar na imagem pra escutar).

(E nosssa cada dia mais apaixonada por esse tal de Harry) 


3. Esse brownie maravilhoso (que vi no blog da Couth e fui lá dar uma conferida na receita, agora to fazendo todo dia). To falando, é sensacional. Sou meio doida, daí gosto de deixar menos tempo no microondas, porque aí lá no fundo da vasilha fica meio cru e NOSSSA AMO massa crua. 


4.  Esse clipe i-n-c-r-í-v-e-l cheio de mulheres empoderadas e lindas e repletas de batom vermelho.




5.   Tentar segurar essa barra que é conseguir ficar sentada toda vez que escuto essa música e lembro dos passos de dança que essas minas fazem.



6. Esse vídeo de um cachorro com a coordenação motora melhor que a minha.

7. O aniversário desse homem.

       


8. Mulheres indo às ruas.

9. Sentar numa noite de sexta-feira e ficar conversando sobre nada importante com os amigos. Apenas jogar papo fora e falar sobre séries, filmes e vida. 

10.  Esse tutorial de como aplicar aquarela em textos (lindo e ~ igual ~ ao meu) que vi dia desses no blog da Cacá e to completamente viciada. Já fiz vários, cês não têm noção de como esse troço vicia. 

11. Esse vídeo SENSACIONAL

12. Tentar voltar o olhar sempre pro lado bom das coisas. A vida é bonita; sigamos

11 novembro 2015

Hello,


Resolvi te escrever porque minhas mãos tremem. Parece que já não sou capaz de segurar isso tudo aqui dentro, preciso vomitar cada parte tua que insiste em contaminar cada célula desse corpo. Meu sangue pulsa, devagar como sempre, mas não quando lembro dos teus olhos me olhando do jeito que você me olhou quando nos vimos pela última vez; parece que meu coração vai fugir, sair correndo, apesar de ser apenas um músculo. Mas não é. Tentei ser racional, tentei negar que não somos apenas um fruto do meu hipotálamo, tentei te tirar da minha mente te excluindo de cada parte da minha vida, de cada retrato do que poderíamos ter sido. Mas não obtive sucesso. Parece que quanto mais tento te arrancar das minhas entranhas, mais você decide se alojar fundo dentro de mim.

O que me resta, então, é jogar todas essas palavras maltratadas em cima de você pra você fazer o que quiser com elas. Já não são mais minhas, são suas, assim como cada parte do meu corpo que tem teu toque. Assim como cada dia em que nos beijamos e até as vezes que sonhei contigo. São teus, leva contigo. Não me resta nem o teu cheiro enroscado em minhas roupas ou teus pelos arrepiados juntamente com os meus, minha boca na tua e teu dedos entrelaçados nos meus. Leva. São teus, não quero mais.

Poderia ter sido apenas um sonho bom. Um dia acordei e dei de cara com teu rosto me olhando fundo a alma, te enxerguei em cada pedacinho teu, em cada olhar bonito que você dirigia pro mundo e te vi até nas brigas que tivemos. Te vi sendo você e tive vontade de te abraçar, porque não é possível saber assim desse jeito, ao olhar no olho do outro devagar e pouquinho, que se está apaixonado. Mas foi assim, eu te vi e te vi tanto que não pude deixar de amar o que encarei, mesmo que um pouco esquisito às vezes, mas quase sempre repleto de amor. Meu amor.

Mas o sonho acabou. Não vou dizer que algum de nós teve culpa nisso tudo, não tivemos. Ou você teve, pode ser. Não quero entrar no mérito. Apenas quero dizer que você mexeu comigo, mexeu com cada fio de cabelo, mexeu com meus sentimentos e foi embora levando uma parte minha contigo. E até hoje também tenho uma parte tua comigo, te vejo nas pessoas da rua, rio das suas piadas, fico imaginando você nos lugares que vou e sonho constantemente contigo.

Mas hoje não. Chega, Hoje resolvi jogar esses sentimentos todos pra você. Repito, fica com eles, não quero mais nada teu. Essa carta é tua, essas palavras são tuas. Aproveita, faz com elas o que quiser. Mas some, sai de mim, vai e não volta mais.

De alguém que já te amou (e tenta com todas as forças não te amar mais).





(Percebi que amo escrever cartas, principalmente cartas de amor. Porque cartas de amor são ridículas, mas ridículos são os que não as escrevem. E tento muito não ser ridícula, mesmo que pra isso eu invente uma ou outra carta de amor ridícula por aí) 

15 outubro 2015

Professora,


Já não sou mais a mesma. Sei que a maioria das pessoas costuma falar isso, na verdade, todo mundo fala. Porém, não sou mais a mesma que era quando pisei com o pé direito no ano de dois mil e quinze. E grande parte disso eu devo a você, que me ajudou a me tornar quem sou agora. Não teve uma linha que separa onde estou de onde estava, do que pensava, do que acreditava. Mudei aos poucos, sem alarde e sem perceber a pessoa que me tornava. Você, toda terça-feira, me mostrava um caminho novo, um jeito melhor de ser, de me importar e olhar os outros, e pouco a pouco fui me construindo.

Em sua última aula em que estive presente, você nos contou suas esperanças, nos falou do seu maior desejo: nos tocar para que toquemos nossos futuros pacientes. Você queria ser a diferença, a pessoa por trás do nosso olhar de amor, compreensão e humanidade para cada ser humano que chegar na nossa frente, cada ser humano que colocar suas esperanças em quem somos, no que escolhemos pra vida. Não somente médicos, pessoas. Você quis que aprendêssemos a enxergar o sofrimento do outro em um período da nossa vida que a dor nos aflige tanto, a incerteza e o medo estão ao nosso lado a cada manhã de cursinho para que, quando estivermos realizados e conformados com a nossa vida sendo aquilo que tanto lutamos, possamos ainda enxergar a dor de cada pessoa que nos olhar nos olhos (ou quem não olhar também).

Você nos ensinou que quando doemos por dentro, estamos mais suscetíveis pra ver que o outro também sofre. Você nos ensinou que não precisamos vencer sempre, e é preciso ter tempo pra tudo, pra tristeza, pra dor, pra raiva. Não precisamos vencer na vida como nos é mostrado o tempo todo, esse vencer egoísta que esquece as misérias ao nosso redor, que fecha os olhos pra injustiça. Esse ser egoísta cheio de privilégios que é indiferente, que olha, sem piedade, do alto do seu palanque para aqueles que não tiveram a mesma oportunidade. Essa falta de amor e velocidade das coisas, que nos deixa cada dia menos humanizados, mais máquinas. Não, isso não. Com seus alunos não.

Já não sou mais a mesma. Ainda tenho muito o que trilhar, ainda tenho muito a aprender, mas você me ajudou a ser melhor nesse caminho que segui. Você me faz ter certeza que nada acontece por acaso e que estou onde deveria estar. Você me faz ter certeza que agora sim sou humana, agora sim sou uma pessoa melhor, não totalmente pronta, mas mais empática, mais sensível ao mundo fora do meu umbigo. Você me faz ter certeza que esses três anos fora da universidade de medicina foram imprescindíveis pra me tornar uma pessoa diferente, uma pessoa mais consciente, crítica e amorosa apesar de toda dor, de toda incerteza, de toda impaciência pra entrar logo. Talvez eu não fosse quem sou hoje se tudo tivesse sido diferente, talvez tudo tivesse sido mais fácil, talvez eu não tivesse chorado tanto, não ficasse tão perdida, mas, ao mesmo tempo, talvez eu não fosse tão sensível aos outros como sou agora.

E desse jeito eu não queria/quero ser médica (ou pessoa). Não quero ser mais uma que não enxerga quem está na minha frente ou ao meu lado, não quero ser indiferente, inconsciente de toda dor que ainda existe no mundo. Não, esses anos me tornaram quem sou e você me ajudou a organizar isso tudo e ter a certeza do meu caminho, dos meus ideais. Você abriu meus olhos pra esse mundo multi, completo e repleto de diferenças, pra dimensão do amor, em que eu enxergo aqueles que a maioria prefere não enxergar. Um mundo doído, pesado, injusto, mas, ao mesmo tempo, repleto de gente que prefere ter olhos de ver e alma de/para tocar, assim como você. Me deu a certeza de que o amor é maior que todas as coisas, e dinheiro nenhum pode pagar o esmaecimento de uma dor. Dinheiro nenhum pode pagar o olho no olho, o toque, a humanidade em enxergar cada vida como um mundo.

Na verdade, dinheiro nenhum pode pagar a transformação que você ajudou a operar em mim. Poderia dizer que você é maravilhosa, sensacional e incrível - coisa que é -, mas prefiro dizer que você me fez começar a trilhar um caminho para ser um pouco parecida contigo. Amorosa, sensível, compreensível, sem paciência para injustiças, enojada com toda a indiferença, empática e por aí vai. Prefiro dizer que você nos toca na alma, no exato ponto que dói, que machuca, porque só assim passamos a rever nossos conceitos e nosso jeito de encarar a vida. Você nos torna humanos melhores. E por isso agradeço por cada aula, por cada puxão de orelha, por cada discurso que me fez chorar por dentro, que fez eu sair me perguntando "que mundo é esse?". Obrigada por nos chacoalhar e nos mandar, brava, acordar e crescer. Obrigada por  nos beliscar, nos maltratar, e bater na nossa cara perguntando o que estamos e queremos fazer da nossa vida.

Nesse dia dos professores, falo de ti com o coração cheio de orgulho, espalhando pra meio mundo que se todos tivessem a oportunidade de ter um professor ao menos um pouco parecido contigo, o mundo seria um lugar melhor. (Por incrível que pareça, nunca falei contigo olho no olho, mas isso não foi motivo pra que um pedaço de ti não ficasse em mim). Obrigada por ser uma luz em dias escuros, obrigada por nos ajudar a trilhar caminhos melhores, obrigada por nos tornar seres humanos mais humanos e por não desistir da gente. Mas obrigada, principalmente, por não deixar de ser Tereza. Feliz seu dia, feliz você.



(Tereza é professora de redação, mas das professoras mais diferentes, porque ela esculhamba, briga, fica indignada quando falamos besteira, quando alguém propaga ódio ou preconceito. Tereza não é só professora de redação, ela é professora da vida, da dor, do amor. Tereza é luz quando as coisas parecem escuras, ela é amor quando o mundo insiste em ser ódio e intolerância. Ela é mudança, esperança e mais um pouco de amor. Ela mexe, inquieta, abre nossos olhos ao mesmo tempo que cita Fernando Pessoa. Tereza, meus amigos, é flor) 

08 outubro 2015

Entre farmácias, um peso

Uma nuvem negra paira sobre a minha casa, essa é a única explicação pra todas as doenças e doentes atingidos essas últimas duas semanas na minha família. Há uma semana, estava tomando um antibiótico dos infernos que me deixava com cara e disposição de zumbi, essa semana meu pai está com bronquite, minha irmã com dengue e minha mãe resfriada. A única que se salvou dessa onda de coisa ruim foi Amanda, que até agora não teve nada e torçamos pra que continue assim.

Com isso em mente, percebam que nessas últimas duas semanas passei muito tempo em farmácias, fui várias vezes e em inúmeras diferentes. E algo lá, em todas elas, me chamou atenção. Já queria falar sobre há uns dias, mas a preguiça não me deixava e o remédio realmente me deixava com ares zumbilísticos. Como parei recentemente de tomá-lo e já estou melhor, embora agora esteja numa crise alérgica (POIS É, ACHO QUE PRECISAMOS BENZER ESSA CASA), resolvi parar e escrever algo que me chamou atenção (incomodou) lá pela terceira vez que fui à farmácia. Veja bem, já tinha percebido na primeira vez que tinha ido, na segunda, mas só na terceira me dei conta que ali existia um problema sério.

Em todas as vezes que fui nesses locais comprar um dos inúmeros remédios que comprei nesse período, encontrei uma balança. Mas não somente encontrei uma balança, encontrei suspiros de alívio quando alguém percebia ter perdido peso, ou exasperações por ter ganhado 500g. Em todas as vezes que fui a uma farmácia, encontrei mulheres, principalmente, entrando ali só pra saber seu peso, torcendo ter perdido uns quilinhos a mais, sofrendo por não ter perdido nada ou, pior, por ter ganho um pouquinho por causa de uma coxinha fora do horário. Escutei de tudo. Não nego que encontrei homens fazendo o mesmo, mas mais ou menos entre 10 pessoas ali entregues a uma balança, apenas 2 eram homens. E foi aí que abri meus olhos e pensei, aí tem uma coisa muito problemática.

Não me iludo dizendo que não sabia, lá no fundo, disso, nem que a maioria das mulheres tem uma quase paranoia com a busca pelo corpo dentro dos padrões e que isso está tão enraizado em nossas mentes que qualquer um está vulnerável a pensar ou agir dessa forma em algum momento da vida. Nada disso é novidade pra ninguém, convenhamos. Mas saber disso antes não torna menos estarrecedor ver-se de cara com todo esse controle, quase que discreto, que uma balança exerce nas nossas vidas. Ali, ao contar centenas de pessoas entrando e saindo apenas pra se pesar.

Dia desses, li um post da Tati falando sobre o dia em que ela resolveu sair de shorts, apesar de todo sentimento meio avesso às pernas finas dela. E me identifiquei muito com essa situação, inclusive contei nos seus comentários que desde algum tempo atrás, parei de usar short, saia, vestidos curtos porque tinha vergonha das minhas pernas e só mais recentemente decidi voltar aos poucos a usá-los, ao mesmo tempo que começava a abraçar meu corpo como ele é, incluindo nesse processo minhas pernas finas.

Tecnicamente, estou dentro dos padrões da sociedade; porém sempre vai existir algo que estará faltando, uma coxa mais grossa, mais peito, uma barriga mais seca, um pé menos torto, um cabelo mais liso, uma bunda maior. Independente de todos meus esforços e os de qualquer pessoa, sempre vai faltar algo. Para a sociedade, nunca seremos perfeitas, nunca seremos suficientes e, consequentemente, também nunca seremos pra nós mesmas. Até o dia em que resolvermos desconstruir, aos poucos. Mas desconstruir não é fácil e muito menos rápido, não é fácil nadar contra a correnteza, é? Não é fácil acordar se achando linda quando a sociedade diz que celulite é horrível, ou quando diz que nariz bonito é nariz afilado e você não tem isso. Quando existe uma voz lá fundo enumerando e julgando cada centímetro "meio errado" em ti, comparando, etiquetando todas características tuas que não batem com aquela modelo maravilhosa. É pesado, é doído.

Li um tempo atrás um texto que dizia que todas essas dietas e essa loucura toda das mulheres pela busca incessante do corpo ideal, do que se deve ou não comer pra não ganhar um grama a mais que o necessário, é mais uma forma de controle que exercem sobre nosso gênero. Para nos diminuir, nos controlar através da comida, através de toda insegurança que um "corpo não perfeito" traz consigo. Daí me lembro de Foucault, e daquela música da nação zumbi, que pode sim encaixar um pouco nisso aqui. "E com o bucho mais cheio comecei a pensar que eu me organizando posso desorganizar". E tenho vontade de chorar. Porque quando eles tocam, machucam, ditam regras pro nosso corpo, nos diminuem, nos murcham, exercem poder sobre quem somos através dele, eles conseguem nos manchar na alma, eles nos dominam, nos disciplinam. Somos almas limitadas, normatizadas, presas numa caixinha da padronização coletiva, portanto.

Cansa, sabe? Cansa viver num mundo que inconscientemente (espero eu) controla as mulheres através de inseguranças, cansa viver num mundo que não abraça as diferenças, pelo contrário, as julga, desrespeita, ri delas. Cansa não me aceitar completamente, fico triste só de pensar que não me amo com todas minhas particularidades, ainda. Que não amo completamente minhas estrias, minhas pernas finas, meu nariz e tenho a sensação de que existem muitas coisas que podiam melhorar. Não quero ser assim, não quero me amar com ressalvas, pensando sempre em possíveis melhorias, quero me amar por quem sou, sem pensar muito a respeito de todos os padrões aos quais não me encaixo. Na verdade, não queria que existissem padrões, afinal não somos produtos, somos diferentes, somos esquisitos, humanos.

Não sei, talvez seja paranoia, talvez eu esteja fazendo tempestade em copo d'água. Talvez a gente se ame, por isso olhamos tanto nossas balanças, nossas gorduras a mais, nossos calos. Ou talvez o mundo esteja ao contrário mesmo, vai ver estamos trocando tudo, nos vendo todos tortos. Então, se esse for o caso, acho que está na hora de fazermos algo a respeito, não acho que esse caminho que estamos trilhando seja saudável e, muito menos, o certo. Assim, como forma de quebra, de repensar, de abraçar mais meu eu, comprei dois shorts, estou em busca de vestidos e não vou parar por aí. Afinal, numa sociedade que diz que está tudo errado em sermos nós mesmos, levantar a cabeça e fazer exatamente o contrário ao nos amarmos é uma revolução e tanto, não é mesmo?

Repito, porque é necessário, não é fácil; coloco o short, depois penso um pouco mais a respeito e troco por uma calça, mesmo com o calor de Recife. Não encaro minhas pernas no espelho por muito tempo, olho no espelho milhares de vezes, olho as fotos de pessoas maravilhosas e me imagino como elas, penso que poderia fazer uns exercícios ou sei lá o que mais. Um dia de cada vez. Aos poucos, algo vai mudando, despertando, tem dias que vou me achar linda, outros nem tanto. É a vida. O que não podemos, de jeito nenhum, é deixar de seguir, desistir e desacreditar de quem somos, de como somos, com todas as imperfeições e coisas fora do padrão. Aos poucos vou percebendo que a revolução começa dentro de mim.




Lembrei que já havia lido um texto maravilhoso sobre o assunto no Lugar de mulher e, por isso o deixo aqui. Não encontrei o outro que li, se encontrar um dia desses, atualizo o post e coloco por aqui. 

28 setembro 2015

Minha amiga,


Te escrevo do futuro. Não muito distante, mas distante o bastante para não sermos mais como éramos antes. A gente cresce, né? Cada batida do relógio marca uma mudança, um recomeço, milhares de células morrendo e outras nascendo. Essa é a vida, um constante caminho de coisas que chegam, passam e se vão. 

Te escrevo pra dizer que sinto saudades do que éramos, de como éramos e o que vivemos juntas. Te escrevo porque não sei te falar, a não ser por palavras soletradas, arrancadas e quase que desenhadas aquilo que está guardado em mim. Não estou triste, não, jamais. É impossível relembrar dos momentos que vivemos sem ter um sorriso no rosto, é impossível não lembrar das vezes que estivemos juntas, nos apoiando e crescendo. 

Não é dor o que sinto, é saudade do tempo em que éramos eu e você e isso bastava. Mas o tempo passa e crescemos, mudamos e percebemos que algumas coisas simplesmente não se encaixam mais. Sem dor, sem sofrimento. No máximo, saudade e a vontade de deixar tudo igual. Mas não dá, nem eu sou o que era e nem tu és. Somos pessoas diferentes buscando coisas diferentes e isso é normal. Repito, é a vida: "Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai" 

Talvez, naqueles anos, em todas as vezes que sorrimos ao nos entendermos com o olhar, todas as vezes que estivemos uma ao lado da outra, rindo, chorando, cantando e dançando, estivemos únicas, infinitas em nosso limitado infinito. E que infinito!  Nunca fomos tão felizes e completas, uma ao lado da outra rodeadas por amor e cumplicidade.

Te agradeço, portanto, por me deixar ser eu e por ser você, apesar desse sentimento no fundo de perda, de deixar coisas tão boas pra trás. Somos nós, diferentes, mudadas e crescidas. Não há vergonha nisso, não há dor em crescer e não pertencer a determinadas coisas ou pessoas. Às vezes dói, confesso, afinal fomos e somos especiais na vida uma da outra. Mas somos tão especiais que percebemos a hora de deixar ir, deixar uma e outra seguir seu próprio caminho. Obrigada por ser tão minha amiga até nesse momento, obrigada por me apoiar em me tornar quem eu sou, hoje, completamente diferente do que era. 

Obrigada por não desistir nem de mim nem de ti. Não há amor maior do que aquele que compreende, e você me compreendeu e te compreendi. Amo cada coisa que fomos, cada coisa que tivemos, cada momento que passou, mas amo mais ainda quem eu sou e quem tu és hoje. Obrigada, novamente, por isso. Te amo e tu sempre fará parte de mim.

Com amor.





17 setembro 2015

Viagem pra o Canadá e os (nem tão) pequenos ensinamentos da vida

Ontem, enquanto conversava com minha irmã e lhe contava que meu ex (hoje amigo) me chamou pra ir com ele pro Canadá estudar, algumas pulgas surgiram atrás da minha orelha. Mas não me dei conta de imediato. Apenas hoje, deitada, esperando a coragem de levantar da cama chegar, descobri uma das coisas mais esquisitas e complicadas de ser dizer em voz alta - ou escrever pra outras pessoas lerem. (Aviso logo: qualquer coisa que sair muito sem jeito e com muita cara de arrogância, me perdoem, não é a intenção)

Voltemos um pouco no tempo. Na escola, sempre fui a melhor da sala, e quando não era, eu competia com quem "conseguia me ultrapassar", claro que a pessoa não sabia disso, mas nunca aceitei ser menos que a melhor. Então quando alguém tirava 10 em física, eu tinha absoluta certeza de que se aquela pessoa conseguiu, eu também era capaz de conseguir e por incrível que pareça eu realmente conseguia. Porque eu me esforçava e estudava bastante; mas não posso dizer que vivia pra estudar. De jeito nenhum. Sempre fui daquelas pessoas que pega as coisas muito rápido, então eu prestava atenção nas aulas, anotava tudo que eu podia e só ia estudar mesmo nas semanas de véspera das provas. Porque sempre fui preguiçosa, tanto é que quase nunca ficava em recuperação e toda vez que ficava, sim, eu chorava. Enfim, em resumo, nunca tive grandes problemas em ser a melhor da sala, tirar as melhores notas e ser a mais adorada dos professores. Essa era minha realidade.

Então, digamos que eu sabia do meu potencial, e acreditava que dali daquela sala se alguém conseguiria o melhor emprego ou as melhores oportunidades, baseadas em estudo, essa pessoa seria eu. Digamos que eu me tinha em alta estima, o mundo estava praticamente nas minhas mãos. É difícil dizer isso, mas nunca me achei ordinária, apesar de todos os momentos (todo mundo tem) de baixa autoestima, de achar que nada vai dar certo ou que minha vida era um desastre e eu um fracasso, eu nunca me achei uma pessoa qualquer. Sim, soa arrogante, eu sei, mas se não puder ser sincera aqui, onde serei?

Preciso confessar outra coisa: coloquei um ultimato na minha mente, se não passar esse ano em medicina, não irei passar mais um ano em cursinhos. Preciso seguir em frente e agora me sinto atrasada, parada e etc, então decidi que se não passar, colocarei jornalismo, que é uma das minhas segundas opções (Tenho várias coisas que gostaria de fazer). Não tem nada certo ainda, não contei pra quase ninguém isso, meus pais não sabem e afins, mas me dei esse ultimato, porque me dei conta que a vida passa muito rápido, e as escolhas estão aí para serem feitas. Pode ser que não dure nem 1 mês no curso, talvez odeie, talvez ame, não sei, só sei que preciso tentar todas as minhas possibilidades. Preciso me descobrir, me entender, e dar uma chance a mim mesma pra descobrir coisas novas. Enfim.

Hoje me dei conta que nunca quis ser ordinária, na verdade, nunca achei que poderia ser. Sempre achei que a vida havia me reservado um futuro brilhante, uma carreira brilhante, amigos brilhantes, tudo maravilhoso e nada menos que sensacional. Sim. Talvez acreditasse que nasci com a bunda virada pra lua, o que poderia dar errado? Estava tudo escrito e nada poderia me segurar, o mundo estava ali pra ser conquistado. E eu seria a pessoa responsável por conquistá-lo RISOS. Hoje me dei conta que estava esperando a vida de repente acordar e dizer: "opa esse tempo todo estávamos brincando com você, aí está sua vida perfeita. Pode aproveitar" Só hoje me dei conta que me pus em tão alta estima ou me acostumei em ganhar sempre, provavelmente sem nem perceber, que cruzei os braços chateada porque as coisas não aconteceram do jeito que eu queria logo no início e estava esse tempo todo esperando uma redenção da vida para comigo. MAIS RISOS.

Demorei três anos pra perceber quão arrogante fui e talvez ainda seja, demorei três anos pra descobrir que minha bunda não ta virada pra lua, que minha vida escolar nem importa tanto assim, que a vida nem é uma competição por notas melhores e eu não sou melhor do que ninguém só porque conseguia tirar 10 em física. E agora me dou conta que praticamente esperei a aprovação em medicina cair no meu colo, porque convenhamos, em nenhum desses três anos tentando vestibular, me esforcei realmente o que poderia ter me esforçado e o que deveria pra entrar num curso tão concorrido. Novamente, eu estava esperando a vida se redimir comigo e entregar minha vaga no meu colo, pedindo desculpas por ter demorado tanto. Mas ó, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos, não to aqui pra ser mimada, na verdade, ninguém, e muito menos o mundo, deve nada a mim e eu nem devia precisar falar esse tipo de coisa, porque isso é óbvio né, só que aparentemente não. (Temos essa mania de achar que o mundo, as pessoas, todo mundo tem que ser legal com a gente, tem que nos ajudar e fazer com que as coisas deem certo sempre (E isso eu sei que não se restringe só a mim)).

Mas, novamente, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos e as pessoas não estão nesse mundo pra nos agradar, não importa quão maravilhosos somos, como incríveis e sensacionais (na nossa cabeça). O mundo, pasmem, não gira ao nosso redor. Como diria um professor, a Terra vai continuar a girar se tirarmos todos os humanos daqui, se a nossa espécie for extinta, o mundo não vai parar. Claro que somos importantes e etc, mas não somos sempre (ou nunca) o centro do universo. E tá tudo bem né.

Depois dessa descoberta, me sinto meio esquisita, porque to me achando bem ridícula, se querem saber. Meio sem noção também. Mas ó, acho que me descobrir desse jeito e expor esse meu lado por aqui já é um avanço, não sou perfeita e preciso abraçar isso em mim. Todo mundo é meio ridículo às vezes. Como não me transformei ainda, afinal as coisas não acontecem num passe de mágica, esse texto não tem uma conclusão, porque ainda não descobri qual seria esta. Porém, com essa descoberta, começo a aceitar e entender que não preciso e não quero vencer na vida, não com todas essas noções que tive, ta bom ser uma pessoa simples, não querer ser a melhor sempre e etc (Não to falando que não devemos ter ambições, mas que nem tudo é sobre vencer e tudo bem) e ser ordinária, portanto, nem é das piores coisas.




Observação: Estava aqui pensando que nunca me encaixei em pessoa de 'exatas/humanas/saúde', sempre fui muito a mescla disso tudo, daí lembrei do teste do pottermore e de como eu também seria uma verdadeira sonseriana com tudo isso que acabei de falar. Ou seja, sou uma pessoa meio híbrida, meio de tudo um pouco.



15 setembro 2015

What a wonderful world

Ou: Sobre um show maravilhoso
Ou: Um post cheio de parênteses e muitos "amor" repetidos por aí



Eu deveria começar esse post confessando minha mania louca de aumentar cada dia mais esse mundo obscuro da blogosfera com inúmeros blogs secretos por aí, mas, irei falar, ao contrário, que sou muito preguiçosa e amante da procrastinação. Também deveria começar esse post falando que voltei, porque aqui é o meu lugar, entretanto não o farei. Sucintamente, digo: voltei e ao que tudo indica o mundo não parou e, muito menos, acabou nesses exatos quinze dias que me vi cada dia mais distante de agosto. Sim, caros colegas e companheiros de cilada, não parece, mas já estamos no meio de setembro (Quando digo que já podemos fazer a lista de presentes de natal, não to sendo dramática). Agosto se foi e levou com ele todas as minhas forças e toda a esperança de um ano de 2015 maravilhoso; convenhamos, eu esperava que houvesse uma reviravolta desse estado de negatividade no segundo semestre, porém, contudo, todavia, alguma vez acertei na lata o destino dessa que vos fala? Pois é. O jogo não virou, dois mil e quinze promete (não) e ta tudo bem, tudo ótimo. Pelo menos finjamos.

Sei que gastei um parágrafo com algumas desnecessárias linhas pra falar sobre algo que não tem nenhuma relação com o assunto que vim falar, mas precisava desabafar. Me compreendam.


Enfim. Hoje é segunda (mentira, já é terça, mas não dormi ainda, então é segunda) e ontem, em pleno domingo, resolvi sair de casa. Sim, resolvi largar a minha cama quentinha em plena maratona de Star wars (resolvi assistir e não me arrependi, depois conversamos a respeito) para me dirigir a um shopping, mais especificamente um teatro, com o intuito de escutar o meu cd do momento. Apesar de muito relutar, depois de ler esse post da Thay, resolvi colocar a cara no sol e ir assistir ao maravilhoso Tiago tocar e cantar minhas músicas. Acontece que estou sem carteira de estudante, então tive que desbancar cem reais (leiam isso com a apreensão de uma pessoa pirangueira (eu)) para assisti-lo e por isso estava uma pilha de nervos.


Dizer que estava com altas expectativas é eufemismo. A última vez que havia ido a um show num teatro, fui assistir ao maravilhoso Marcelo Camelo e aquele show foi sensacional demais pro meu coração (tanto é que estraguei todas as gravações que fiz porque não conseguia não cantar junto com ele), ou seja, eu esperava algo no mesmo estilo ou que chegasse aos pés daquele momento. Veja bem, eu amo shows, amo a sensação de esperar as cortinas abrirem, amo escutar a voz original daquilo que amo escutar, amo ver que aquela pessoa que vive nos meus ouvidos existe mesmo e não é nenhum alienígena, então quando todas as luzes começaram a se apagar e ouvi o farfalhar do microfone, meu coração deu pulos de ansiedade, felicidade e não sei o que mais. Sabe quando se está apaixonado? Pronto, essa sensação. E quando as cortinas abriram e aquele homem maravilhoso, com todas aquelas luzes, começou a soltar aquela voz doce e melodiosa e maravilhosa, eu endoidei. Não me aguentei mais dentro de mim, cantei junto, dancei junto e me libertei completamente assim que ele nos convidou a levantar. Amei cada segundo, cada suspiro, cada 'lindo' gritado da plateia, cada olhar que o Tiago nos dirigiu e até as vezes que ele nos convidava a cantar e errávamos todos o tempo da música. E ele ria e eu ria com ele, porque aquilo só podia ser mágica.



E eu estava enfeitiçada por aquele moço de sorriso aberto, energia maravilhosa e voz sensacional. E que músicas. Como foi fantástico cantar cada uma delas com ele, com todas aquelas pessoas que estavam ali de livre e espontânea vontade, em pleno domingo, loucas pra ver amor em forma de palavras, de melodia e gestos. E viram, vimos. E foi lindo, foi de aquecer o coração, foi aquela sensação de abraço apertado, compreensivo, sabe? Ele existia, aquelas músicas existiam e a gente tava conversando, juntos, construindo aquela relação de amor, conexão intensa e verdadeira.

E só amar cada segundo do show não foi suficiente, porque ali eu percebi que ele era gente como a gente e me deu vontade de chorar (Sou dessas). Sim, Tiago é um ser humano assim como eu e você, completamente iluminado, é verdade, mas humano como nós e todas aquelas letras saíram de dentro dele, sabe-se lá por que, como ou quando. Ele fez aquilo tudo, ele teve o poder de nos tocar, de tocar nosso coração e nós ali naquele teatro éramos uma pequena amostra do resultado de tudo que saiu de dentro dele, de tudo que ele sentiu, de todas as vezes que ele parou e resolveu escrever, compor. De carne e osso, assim como nós, ele me mostrou que somos muito grandes, apesar de tão pequenos, me mostrou como podemos ser infinitos ao tocar a alma de alguém, como somos tão fortes quando fazemos e expressamos aquilo que amamos. Porque em toda uma hora e meia de show, eu tive absoluta certeza que tudo que saia da boca dele era amor, só podia ser amor e da gente saía a resposta pra todo aquele sentimento tão grandioso.

Que amor, que carinho, que doçura. Tive vontade de abraçá-lo lá fundo, no coração dele, tocá-lo e dizer que ele era um ser iluminado que foi capaz de juntar todas aquelas pessoas apenas para vê-lo tocar amor. Tudo por amor. E quer coisa mais bonita que isso? Sair em pleno domingo, oito horas da noite, pra ver, sentir e espalhar amor. Que vida maravilhosa essa a que somos capazes de amar e sentir o amor ao nosso redor. Se esse não é um momento feliz, eu não sei qual seria. (Não preciso dizer que superou todas minhas expectativas, né?)




(É notória minha habilidade em gravar vídeos. Não tenho paciência e fico louca pra cantar junto)

31 agosto 2015

31/31 - Finalmente, o fim

Ou: Consegui e não morri no meio do caminho (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)



Sempre achei engraçado quando ciclos ou períodos resolvem acabar, não sei lidar bem com certos fins, tenho uma mania de não compreender bem quando algo acaba. Mas existem algumas exceções que, ao contrário das outras pessoas, não me trazem nenhuma dor e nenhuma sensação de fim, como finais de ano. Nunca consigo compreender bem toda aquela sensação geral meio não fiz nada esse ano mas ano que vem vai dar tudo certo, ano novo coisas novas. Por incrível que pareça, não consigo notar bem esse minuto em que o ontem se transforma no hoje e tudo começa a ser completamente diferente. Vai ver é por isso que não lido bem com fins, não consigo senti-los ou compreendê-los.

Então, preciso dizer que nunca me importei com esse negócio de: "já vai tarde agosto, mês de 15 semanas" ou  sei lá "fevereiro só me traz coisa ruim", pra mim tudo é um grande e constante agora. Mas, apesar disso, hoje, nesse exato momento, preciso confessar que esse mês que acabará daqui a uma hora e trinta minutos, está indo embora e levando consigo um bom e velho: "já vai tarde". 

Não que agosto tenha sido horrível, longe disso, foi emocionante poder chegar aqui e escrever sem pudor, foi emocionante estar atenta a tudo ao meu redor que poderia virar um texto. Foi maravilhoso descobrir que eu posso sim escrever quando eu quiser, porque assunto é o que não falta. Descobrir que sou capaz, que é possível acalenta meu coração e me diz em alto e bom tom: "você não é uma completa farsa" e escrever o tempo todo é tão divertido quanto parece. Na verdade, escrever o tempo todo e deixar isso público. Porque, mesmo que às vezes eu ache, a internet não é um grito no vácuo e existem pessoas aí do outro lado, mesmo que a maioria (tudo) do que eu escreva seja pra mim, pra me conhecer, me entender e entender o mundo (Me desculpem, mas vocês são uns loucos que toparam entrar nessa loucura que é a minha vida comigo). 

E que bom que a internet não é um grito no vácuo, porque perceber-se abraçada por tanta gente é lindo demais, mesmo que as coisas não saiam como queremos ou mesmo que cheguemos aqui, ao fim de um BEDA, esgotadas e reflexivas a respeito de como será a vida depois desse furacão. É incrível perceber que você não está sozinha, existem inúmeras pessoas que se sentem exatamente iguais a você, perceber que tem quem tenha semanas tão sem graça quanto as suas, ou que pensa exatamente como você a respeito de coisas que são muito relevantes. Ou que tenha gente que te dê aquele empurrão que faltava pra você ir a um show que tanto queria ir, e que também sinta tanto o outro e a vida; que também tenha flopado em algumas coisinhas e tudo bem, que te faça enxergar teu livro favorito de um jeito diferente e muito mais crível de uma forma muito engraçada ou que me mate de rir ao contar uma aventura pra conseguir canudos em formato fálico e também tenha te feito assistir uma das novelas mais maravilhosas, porque conseguiu compará-la ao teu livro favorito. Encontrar gente que te ensina que somos seres humanos complexos e não um simples sonho de outra pessoa e que concorda contigo quando fala que representatividade é importante pra caçamba e outras inúmeras coisas que tornariam isso aqui infinito, é sensacional demais pra passar em branco.  

Então gostaria de agradecer imensamente por fazer parte dessa blogosfera enorme e tão rica de gente maravilhosa e incrível, que me faz pensar: "esse mundo tem jeito". Obrigada também a quem me acompanha e me acompanhou com todos os meus altos e baixos, com minhas inseguranças e dias não postados (sim, foram quatro), porque vocês também importam e muito e me fazem ter vontade de continuar, inclusive as pessoas invisíveis (sim, você), porque na maioria das vezes sou uma dessas pessoas ocultas por aí também. Obrigada por existirem e por fazerem eu me encontrar com o texto de vocês, que às vezes falam aquilo que ta entalado aqui dentro e não consegue sair e de algum modo vocês conseguem "adivinhar",  obrigada àqueles que me ajudam a me encontrar também através dos meus textos, mas, principalmente, obrigada por não desistirem dessa maravilhosidade chamada blogosfera. Mesmo em dias de BEDA, de posts loucos, cansados e apressados. Enfim, fico muito feliz de participar desse grande encontro e, como disse a Anna, queria ser rica pra gente fazer uma festa enorme pra comemorar esse nosso mundão. 

É isso, nesse momento, passados 31 dias, o cansaço pesa, mas o coração ta leve como uma pluma cheio de felicidade e satisfação. Agora nos vemos em algum dia que está por vir e que promete muito, porque não tenho a miníma ideia de quando será. Que a sorte esteja sempre a nosso favor. Foi bom enquanto durou. E acabou, graças a Deus !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (Agora me perdoem, mas vou assistir novela)




(Não fiz 31 posts, como vocês podem notar, mas porque não quis forçar muito e como o que vale sempre é participar e se divertir, eis o resultado. Então, consegui sim, em que outro período da história desse Brasil eu iria parar pra escrever dois textos numa semana? Agora imaginem 7? Pois é, venci na vida)

30 agosto 2015

30/31 - Sobre um rascunho e um professor

A necessidade é uma coisa engraçada. Precisava de um post pra o penúltimo dia (!!!!!!!!!!!!!!!!) do beda e nada NADA me saía da mente, então o que fazemos em momentos de desespero? Não sei, só sei que eu fui aqui nos meus rascunhos, dei uma olhadinha básica no tanto de coisa que tem aqui (vocês nem imaginam) e escolhi o mais recente, e o resultado é esse que está por vir.

Escrevi numa noite dessas quando estava lembrando do meu professor de redação da oitava série (nono ano hoje em dia) que me pegou um dia e disse que eu deveria criar um blog. E criei, e não só fiz o blog como me encontrei na escrita. Gosto de um vídeo da Stephanie Noelle no qual ela diz que ao escrever ela se conhece, organiza os pensamentos, desabafa e etc. E é isso mesmo, é como se fosse uma terapia, é acolhedor, mas também dói, é libertador, mas também é pesado. São várias coisas em uma, e hoje em dia não me vejo mais sem escrever o monte de coisas que escrevo, por isso agradeço por aquele professor que, sim, me transformou.

Não postei antes aqui, porque não tenho certeza se gosto dele e se ele se encaixa. Tenho essa mania de escrever coisas do tipo e na maioria das vezes gosto de mantê-las guardadas, porque nem sempre as compreendo totalmente. É como se fosse uma desabafo diferente, sabe? Mas como nem meme tive vontade de fazer hoje, então vida que segue.




Certa feita, me disseram: Beatriz, você precisa escrever. Olhei encabulada aquela pessoa soltar essas palavras assim como quem não quer nada, escutei cada som, mas não entendi nada. Eu não preciso de nada. Aquilo martelou o tempo inteiro na minha cabeça beatriz você precisa escrever beatriz você precisa escrever escreve vai lá escreve. Não gosto de fazer nada porque alguém me disse pra fazer, mas aquilo já me levava às carambolas da loucura, então sentei, olhei o papel em branco, respirei uma, duas, três vezes, pensei o que é que eu to fazendo aqui. Mais umas duas respiradas, peguei o lápis e escrevi uma palavra, eu.

Olhei o formato da minha letra ali naquela folha em branco, nada mais, só eu. Eu o que? Eu e quem mais? Só eu? Tem cabimento? Olhei por uns 5 segundos, que besteira to fazendo aqui. Sou. Escrevi ao lado de eu, tudo bem, eu sou, sou alguém algo o nada o tudo e agora? Não sei, não tenho a mínima ideia. Parei de pensar, olhei pra folha em branco, mais mil e uma palavras ali, ainda prestes a serem escritas, apagadas, mas sem borracha. Todas dentro, escondidas.

Olhei novamente pra fora e depois pra dentro. Achei. Encontrei a nascente, a semente, o tijolo, meu começo, eu. Pensei, não pensei mais, só escrevi e senti cada letra sair pela ponta do meu dedo. Não, não, o lápis não escrevia, eu não escrevia, já tava tudo escrito. Dentro, lá fundo. Como um abismo repleto de um alfabeto, repleto de vírgulas, acentos, eu.

Eu sou abismo.

Percebi: Beatriz, você precisa escrever. Eu não preciso escrever, eu sinto. Sinto o peso e a dor de cada volta do o, cada ponto no i. Eu sou, sou letras, sou o alívio quando aquele abismo sai pelas pontas dos meus dedos, sou a semente que brota, sou o pólen da flor. Sou nada, mas sou tudo. Eu sou palavra, sou vírgula e acento. Se não fosse, não seria. Não há eu sem pausa, não há eu sem estremecimento, não há eu sem Beatriz, você precisa escrever. Não sou e nunca serei. Talvez ontem; hoje me tornei eu quando disseram Beatriz, você precisa escrever. Vomitei, cuspi, pari – senti senti  senti -,  aliviei.  Escrevi. 







29 agosto 2015

29/31 - Não sei o que dizer

Quando fui fazer meu teste do Pottermore, tinha uma pergunta que me questionava o que eu não gostaria que as pessoas pensassem de mim: covarde, ignorante, ordinário e egoísta. Olhei aquelas opções e tive absoluta certeza da minha resposta: eu não queria que me achassem egoísta, com certeza. Ignorante sei que sempre vai ter alguém que me achará, até porque sou em vários assuntos; covarde, todo mundo é um pouco; ordinário, muita gente que não me conhece ou até me conhece sabe que sou e talvez eu seja mesmo, e isso nem é das piores coisas. O problema, meu maior medo é, por um momento sequer, parecer ou, pior, ser egoísta.

Morro de medo de ser egoísta, me perturba me imaginar ignorando todo sofrimento ao meu redor, me perturba não ver as pessoas, não sentir empatia. Não to dizendo aqui que sou totalmente empática e caridosa e um anjo na terra, longe disso, mas tento muito e o tempo todo não manter minha vida girando ao redor do meu umbigo, tento o tempo todo olhar as outras dimensões, outras vidas. Perceber que sou muito privilegiada e nem todos são, perceber que existem muitas pessoas sofrendo, com fome, sem ter onde dormir, onde descansar a cabeça, sem pai, sem mãe, sem nada. Eu preciso perceber isso, eu preciso sentir isso, mesmo que doa mais que uma facada, mesmo que minha vontade seja de não viver em um mundo cheio de coisas ruins desse tipo, um mundo de injustiça e desigualdade. Apesar da dor, eu preciso sentir isso. Porque no momento que eu não sentir as pessoas ao meu redor, não quero estar viva. No momento que eu deixar de chorar por uma mãe que perdeu seu filho, ou pelos cachorros abandonados nas ruas, pelas pessoas esquecidas pela nossa sociedade, por tudo que não é, mas deveria ser, por todo o sofrimento alheio, pode me levar, porque não quero mais viver assim.

Há um tempo atrás, quando eu era muito tímida e fechada dentro de mim, minha irmã me falou uma coisa que me tocou muito de um jeito perturbador. Ela me chamou de indiferente, fria e calculista. Apesar de não lidar bem com críticas, de me doer inteira só de pensar que poderiam me chamar de burra, feia, esquisita ou sei lá o quê, escutar que eu poderia ser indiferente me rachou por inteira. Ela pode não saber, mas aquilo que ela falou eu nunca poderei esquecer. Do meu maior medo, minha irmã me chamou. Não, eu não queria ser indiferente, não, ser indiferente me mataria. Então tentei enxergar o que ela estava enxergando pra entender o porquê. Fui aos poucos percebendo que eu vivia muito nesse meu mundo e não gostava de sair dele, por isso eu me comportava como uma pessoa indiferente, coisa que estava longe da verdade. Enfim, fui crescendo e percebendo que nunca mais gostaria de ser chamada de algo parecido, então fui mudando aos poucos. Hoje digo que sou sim egoísta, mas faço o possível pra ser menos a cada dia. Porque hoje eu sinto, sinto demais as pessoas e preciso senti-las e fazer muito mais por elas.

Por isso fico esgotada quando assisto um documentário que me estapeia e me diz que a roupa na liquidação, na fast fashion onde compro, pode parecer muito barata, mas ela tem um custo muito maior do que eu possa imaginar. Fico esgotada emocionalmente quando vejo as condições do(a)s costureirxs que fazem a minha roupa, pessoas essas que vivem com míseros trinta dólares por mês, pessoas essas que não conseguem manter seus filhos com o dinheiro que ganham, pessoas que apanham quando reivindicam melhores condições de trabalho.Vilas, povoados repletos de consequências dos resíduos tóxicos das fábricas têxteis que fazem a minha roupa, crianças com retardo mental, inúmeras pessoas com câncer. Tudo isso pra alimentar essa indústria de moda que torna tudo cada dia mais barato (para nós consumidores) e reciclável nessa liquidez das nossas vontades (Um dia quero essa blusa, na próxima já quero outra e agora a primeira que comprei já nem tem mais graça e por aí vai).

O buraco é muito mais embaixo. Compro aquela roupa da Zara, vejo lá na etiqueta que foi feita no Camboja e pra mim tudo bem. Muito mais fácil não saber o que aconteceu e como aquela roupa chegou até ali, mais cômodo, eu fazia isso, confesso. Até que assisti a "The True cost" e agora ficou impossível pensar nas minhas roupas, nessa indústria têxtil do mesmo jeito que antes. Não posso pensar do mesmo jeito, ainda não tenho certeza do que farei com toda essa informação, ainda não sei como comprarei. Confesso que por enquanto não tenho a mínima vontade de comprar alguma coisa, mas sei que daqui a pouco eu terei e preciso decidir e rever o meu modo de comprar, de consumir, Preciso arcar com as escolhas que faço, com os locais que consumo, não posso, logo eu que nunca quis ser chamada de indiferente, me tornar indiferente àquelas pessoas que sofrem, enquanto eu fico aqui felizinha porque comprei uma saia por 30 reais.

Fico triste por descobrir todo esse egoísmo por trás do nosso consumismo, que, sinceramente, sem olhar direito, não parece prejudicial pra ninguém, talvez só pra nós mesmos; mas é e muito prejudicial, desumano, inconsciente. Não foi fácil descobrir isso tudo, confesso que sabia das condições de trabalho na China, e de outros produtos que vejo por aí, mas nunca pensei que isso estaria tão perto de mim, no meu guarda-roupa. Não daquele jeito, não com bebês deitados no chão enquanto suas mães trabalham, não com acidentes de trabalho mortais, não com toda essa rede desumana por trás. Não sei o que pensar, não sei o que sentir, preciso de um tempo refletindo isso tudo que assisti. Tenho medo, tenho medo por todas aquelas pessoas, não sei o que fazer, não sei o que posso fazer. Precisamos fazer algo. Preciso fazer algo. (E não to tentando abraçar o mundo todo, mas to tentando pensar em algo que eu possa fazer no meu mundo, ao meu redor que seja uma gota, mas seja algo).




Pra quem quiser assistir, tem na Netflix e no Popcorn 

28 agosto 2015

28/31 - Resumo do mês: Livros e filmes

Eu deveria estar, nesse exato momento, resolvendo milhares de questões de matemática, como uma boa operária desse fordismo educacional brasileiro. Mas como fazer questões simplórias quando me dou conta de que faltam 3 dias para o término desse que ninguém aguenta mais, o beda? Pois é. Por isso, aqui estou, em mais uma tentativa de post, porque convenhamos, esse mês foi cheio de tentativas e tiveram dias que não aguentei mesmo encarar essa tela em branco, mas outros que vê-la aqui foi um alívio, porém, em sua maioria, esse agosto, tão mal falado por todos, foi cheio dessa coisa louca de me arriscar e cair sem paraquedas numa coisa tão sofrida e tão louca que chega a ser sensacional. Mas enfim, já falei por aqui o que achei desse beda, prematuramente talvez, como tudo na minha vida, mas já falei e não falarei de novo, sorry not sorry.

Hoje resolvi fazer um resuminho do mês, já pode isso? (Olha, ouvi falar que dia 31 tem blog day, mas e seu disser que não sei o que cargas d'agua é isso? Desconfio que seja algo pra indicar os migus blogs da vida. Aguardemos. Espero que não seja resuminho, porque aí não sei o que vou fazer)

(Espero sinceramente que dessa vez o filmow esteja funcionando, porque olha toda vez que tento fazer post com filme esse troço sai do ar. Coincidência? acho que não)

Livros do mês 


Incrível como esse mês foi produtivo, esse beda (vontade de criar outro nome pro tanto de abuso que to dessa palavra) fez milagres na minha vida, acho que li uns 3 livros nesse mês e terminei um que havia muito tempo eu estava lendo.



Isla e o final feliz

Já sabia antes mesmo de começar a ler que ia amar. Conta a história de Isla, uma garota que estuda num colégio interno na França (a mesma de Anna e Étienne) e numa noite qualquer encontra com um dos amigos de Étienne numa cafeteria e ela, muito fora de si cheia de analgésicos na veia, puxa conversa. Como ela é muito tímida, essa foi a única interação entre ela e o boy, por quem ela já nutre sentimentos há três anos. E pronto, a partir daí fica tudo maravilhoso e ótimo.
Como todos os livros da Stephanie, é aquele livro pra suspirar, pra se desligar um pouco da vida e viver um pouco uma vida tão boa e tão mágica. Gostei bastante, não é meu preferido da "série não série", mas é bem bom e cumpriu aquilo que eu estava buscando: calor no coração.




Vivian contra o apocalipse

Fazia um tempo que queria esse livro, porque tenho uma certa inclinação para coisas ligadas a apocalipse e coisas extraordinárias, então quando a Saraiva entrou em promoção aproveitei. Conta a história de uma sociedade que é inundada por uma teoria de fim dos tempos que um religioso espalha por meio mundo. O mundo fica doido, as pessoas com medo de "serem deixadas pra trás" e toda uma indústria se forma a partir dessa crença. No dia combinado para o apocalipse, alguns crentes da religião somem, inclusive os pais de Vivian. E ela se vê em um mundo que virou de cabeça pra baixo, com pessoas se achando injustiçadas por não terem sido arrebatadas e sem seus pais. Um verdadeiro inferno.
O livro é bom, tem umas críticas bem legais e dá pra se divertir e refletir ao mesmo tempo. Gostei também do crescimento da personagem, que se transformou sozinha e por ela mesma, não por nenhum boy ou coisa parecida, como a gente ta acostumado de ver por aí. Gostei bastante, ele termina com um gostinho de quero mais e vou ler sim a continuação.


Palácio de inverno


Não sei o que sempre aconteceu, mas nunca estudei direito a Revolução Russa, mas sempre tive uma curiosidade enorme pra entender um pouco dessa história. E o livro fala um pouco disso ao misturar esse contexto com ficção. Gostei que ele não é linear, em cada capítulo temos flashes de toda a vida do protagonista, intercalando o presente e o passado. Amei ver também o outro lado da história da Dinastia Romanov, última antes da Revolução, como eles eram pessoas, tinham sentimentos e, novamente, eram humanas. Apesar de toda miséria que o governo deles provocou, nos apegamos aos personagens e sofremos com eles. O personagem principal é bem interessante, fiquei com raiva dele algumas vezes, mas ele, também, se mostrava muito humano através de seus erros. Amei o final de paixão, pro meio do livro já tinha suspeitas de como seria o fim, mas foi muito bom chegar lá e perceber como as coisas aconteceram. Muito bom mesmo, vale a pena.


A garota que perseguiu a lua



Esse livro foi uma grata surpresa. Já havia ouvido falar dele com a Mari do Psychobooks e assim que o encontrei no plus do skoob, solicitei. Comecei a ler sem expectativas e amei. Ele conta a história de uma garota que volta a cidade natal de sua mãe, depois que ela morre, para morar com seu avô. Nessa cidade, ela descobre que a reputação de sua mãe a precede e algumas pessoas passam a manter distância dela. Ela começa a descobrir umas coisas bem loucas e diferentes nesse ar e nas memórias da cidade, ao mesmo tempo que se aproxima de um boy que é da família "inimiga" de sua falecida mãe. Nesse ínterim, o livro também conta a história de Julia, mulher que se mudou há anos da cidade, mas está lá por um tempo determinado para cuidar da churrascaria de seu falecido pai. Assim que conseguir pagar as contas, seu plano é sair permanentemente da cidade, mas ela tem muitos assuntos mal resolvidos por lá, então as coisas não serão tão simples assim.

O livro é bem bom, sério, terminei de ler querendo um pouco mais, fiquei bem triste quando ele terminou, apesar de o final ter sido muito bom. Queria lê-lo de novo pela primeira vez.





Filmes

Não ia falar dos filmes que assisti, porque achei que tinham sido muitos, mas me dei conta que nem foram, por incrível que pareça. Parece que tirei esse mês pra assistir séries, escrever e ler livros. Então não sobrou muito tempo pra assistir filmes. Os que restaram desse mês esquisito foram:


The road within



Estava perambulando pelo popcorn em busca de algo bom para assistir e me deparei com essa foto (pôster ?). Fui pesquisar sobre no filmow e adorei a ideia. Veja bem, são três jovens perturbados que resolvem fazer uma road trip, como eu poderia não gostar?

O filme conta a história de Vincent, que foi internado em uma clínica depois que sua mãe morreu, e seu pai não sabe lidar com a sua síndrome. Lá ele conhece uma garota, Marie, com distúrbios alimentares e Alex, garoto com TOC. Certo dia eles resolvem fugir da clínica, embora Alex tenha sido supostamente "sequestrado" e não esteja nada feliz em participar dessa loucura. A partir daí eles começam a viver várias aventuras e a gente se diverte muito, mas também se emociona. O filme é MUITO BOM, amei mesmo, virou favorito. Amei as cenas, amei as risadas entre toda a carga pesada do filme, os personagens, os atores, os problemas familiares. Amei tudo.



O exótico hotel Marigold


Tinha ouvido falar pela primeira vez desse filme por causa do lançamento do segundo, mas não tinha a mínima ideia do que se tratava. Fui procurar saber sobre a história e descobri que se passava na Índia. Como tenho uma queda pela Índia, nem pestanejei e já fui assistir. Não me arrependi, amei cada segundo.  O filme conta a história de um grupo de aposentados que resolve investir a sua aposentadoria em um Hotel na Índia, atraídos por um anúncio maravilhoso falando todas as qualidades do hotel. Porém, ao chegarem lá, eles percebem que esse hotel não é lá essas coisas que eles pensaram. A partir daí, eles começam a viver inúmeras experiências que eles não pensaram que ainda poderiam viver. Descobrem coisas, compartilham experiências e se descobrem também.
É um filme muito lindo, muito tocante que nos mostra que nunca é tarde para recomeçar, para amar e para viver. Também amei. Além disso tudo, tem como cenário de fundo a Índia e sua cultura. *-*

A luta por um ideal


Certa tarde, junto com minhã mãe, procurávamos um filme pela Netflix e me deparei com esse. Confesso que vi a Viola e presumi que era bom, e não me enganei.
O filme conta a história de uma mãe que luta por uma educação melhor, mais inclusiva e preparada para receber a sua filha, com dislexia, e tantos outros alunos em um bairro pobre e com alto índice de criminalidade. Juntamente com ela, há uma professora que está cansada do sistema precário que não educa, apenas carrega com a barriga crianças analfabetas e com problemas sérios. Juntas elas começam uma revolução no bairro, nos professores, nos alunos e e todas as pessoas ao redor. É um convite à ação, a ir em busca de melhores condições para a sociedade.
O filme é emocionante e a melhor parte é que ele é baseado em uma história real. Também vale muito a pena assistir, ele consegue renovar nossas esperanças, sabe? Muito bom.



Muito bem acompanhada


Um filme que pensei já ter assistido, mas resolvi arriscar pra ver. E acabou que eu nunca havia assistido, o que foi uma grata surpresa. Sempre tem aquele período do mês que eu preciso de uma comédia romântica água com açúcar pra aquecer meu coração e esse mês, quem desempenhou esse papel foi esse filme.
Ele conta a história de uma mulher que resolve contratar um acompanhante para ir com ela ao casamento de sua irmã mais nova. Como ela sabe que seu ex-noivo estará lá, ela decide que não poderá chegar sozinha, então ela paga aproximadamente 5 mil reais para um cara fingir ser o namorado dela. Mas, caros amigos, sabemos que essa história terá treta e a treta é muito boa, embora eu ache esse ator meio esquisito sorry. Enfim, o filme é muito aquecedor de coração, dá pra suspirar, querer ter um love só pra si, agarrar o travesseiro e depois seguir em frente com a vida. Também amei.




Olha, pra falar a verdade, assisti mais filmes do que esses que aqui estão, uns que gostei mais ou menos, outros que gostei bastante e outros que não gostei. Os que não gostei, não falei porque prefiro falar de coisa que gosto. Os que gostei mais ou menos, fiquei com preguiça. E os que gostei bastante foram: Cada um na sua casa, A 100 passos de um sonho, O exótico hotel Marigold 2 (Mas não chega aos pés do primeiro), A incrível história de Adaline. Foi isso, hasta la vista, baby!