30 outubro 2014

Deveria ser uma carta, mas ficou tudo doido

Ou: To emocionada.
Ou: Isso ainda pode ser uma carta, meio torta, pra você, baby.

Desde que comecei a perceber que era um ser humano e etc, e depois de muito ler/assistir séries e querer que minha vida fosse igual à ficção, como sempre acontece comigo (Assunto pra outro post), comecei a pedir, todo dia, antes de dormir, por um amigo igual a você, assim mesmo. Não, não bastava ser somente metade você, precisava ser totalmente igual a você, embora você tenha vindo com algumas coisitas até demais. Enfim, eu pedi você todo dia antes de dormir. E Deus resolveu me conceder esse desejo, quando distraída e totalmente louca com o vestibular e a escola, me manda a pessoa mais pessoa pra mim, a minha versão mais espalhafatosa e animada. Te enviou quando eu estava completamente louca e precisava de ajuda pra acalmar a insanidade que minha mente, às vezes, pode ficar.

Só que as coisas não acabam por aí. Por motivos egoísticos, irei falar da sua importância na minha vida e a diferença que você faz nela. Embora, aos poucos, vá inserindo coisas que irão mexer com seu core nesse dia tão iluminado.

Você tem o sorriso mais maravilhoso que alguém pode ter e, com ele, você consegue abraçar o mundo inteiro e contagiar com esse amor que existe aí dentro e que você faz tanta questão de esconder. Com medo das pessoas, com medo de se machucar, você não permite que qualquer um entre nesse mundo de coisas maravilhosas. Mas, por força do destino, você me deixou entrar aí dentro, e, aos poucos, eu vou desbravando esse mar de inseguranças com o objetivo de mostrar que as coisas são mais bonitas aí dentro do que você realmente pensa.

E você é tão maravilhoso, me alegra, me faz rir alto, me abraça mesmo estando longe quando eu to triste e carente, o que é sempre (carente). Me olha nos olhos, me ensina a ser mais sociável, me faz ter vontade de sair de casa só pra te ver, me faz ir assistir filme ruim no cinema só pra atualizar os papos. Come comida chinesa ~ barata e não muito confiável ~ só pra se encontrar comigo e conversarmos por meros trinta minutos. Me deixa usar nossas conversar no whatsapp e facebook como guarda links e textos e qualquer coisa que eu ache legal pela internet, me ouve falar de cada boy magia que resolvo me "apaixonar" por e sobre minha falta de traquejo social. Você ouve tudo, cada besteira que eu falo como se fosse a coisa mais sensacional que alguém poderia falar. Você ta sempre lá, caso eu precise. E, às vezes, to enjoada do mundo, das pessoas, até de ti, mas aí você solta algo que me faz deixar de ser uma chata, por pelo menos alguns minutos, ou, simplesmente, fica do meu lado sem ser físico.




Posso te dar inúmeras razões pelas quais sou louca por você, cada uma mais verdadeira que a outra, e, juro, nunca será suficiente pra dizer a pessoa FANTÁSTICA que você é.


Apesar de você se diminuir tanto, você é incrível. Só precisa se dar uma chance, dar a chance que eu te dei quando nos conhecemos e aí você vai se perceber, assim como eu fiz. Teu sorriso com o olho quase fechado tem jeito de casa. Teu abraço apertado tem gosto de acalento. Teu andar engraçado tem cheiro de saudade. E até você sendo chato tem o som certo de amizade.

Eu te desejo aquilo que pessoas que amam as outras desejam pra elas, desejo aquilo que, no universo, existir de mais sensacional pra você, SEMPRE. Em cada momento da sua vida, eu desejo que você tenha com quem compartilhar as alegrias e as tristezas, sempre em mente que, deles, o mais importante será ter sempre a sua companhia; o primeiro passo para o sucesso na vida está justamente no fato de começarmos a nos amarmos e amarmos ficar juntinhos de nós mesmos às vezes. Te desejo uma vida nada sem graça, cheia de emoções, risadas de doer a barriga, choros de recomeços, amores inteiros, paixões loucas e passageiras, esperança, paciência, conquistas com o seu suor, pedras no meio do caminho - já que elas nos fazem aprender com nossos erros e, consequentemente, amadurecer. De todas as palavras bonitas, sentimentos de tirar o fôlego, eu te desejo algo que vai além das minhas palavras em si, eu te desejo amor em todos os sentidos, em todos os momentos, em todas as dificuldades, em todas as alegrias. Eu desejo que você ame a todos e seja amado na mesma medida, ame as pessoas que você não conhece, ame as que conhece e são meio chatas, as que são maravilhosas. Ame a todos e, assim, você vai ver como tudo ficará mais aceitável, bonito. O mundo é, sim, bonito, a gente só precisa olhar pros lugares certos.

Enfim, existem coisas em que sou boa: ler livros em um dia, chorar, sorrir e, entre essas coisas não está falar de/sobre/para pessoas que amo. Por isso, me perdoa por ser assim, mas me perdoa principalmente porque eu sou chata e te aperreio, mas é porque te acho incrível e queria que você achasse o mesmo. Entenda que você não precisa ser a perfeição em pessoa, ninguém é - só pra deixar claro - então não se cobra tanto, deixa as coisas fluírem que você vai ver como tudo vai dar certo de um jeito mais natural.

Portanto, depois de me perder no meio de tanto sentimento aqui dentro e aqui fora, te desejo um feliz aniversário do tamanho do mundo, do tamanho da galáxia - que eu viajaria inteiro com uma toalha e com/por você. Parabéns, muita felicidade e muita bia pra te aperrear sempre!! Te aminho



PS: To com saudade. 
PS²: Esse texto só pôde esperar até as 12 horas de sexta-feira do horário de verão. 

25 outubro 2014

Do meu pai, minha autodescoberta

Sempre demorei a pertencer a algum lugar. Não nasci pronta e, muito menos, desenvolta a saber exatamente o que queria da vida e o que ela queria de mim. Minha vida sempre foi, e ainda é, uma constante construção, um constante empilhar de tijolos, cimento e argamassa. Repito, não nasci pronta pra nada. Talvez tenha tido uns insights que me mostraram, no meio do caminho, aquilo que provavelmente eu não ia querer. Mas nem sempre foi assim. Determinação é quase uma palavra nova no meu vocabulário pessoal e seu conceito começa a ser desvendado a passos tímidos e quase imperceptíveis, mas que andam, e pra frente. Um constante querer e não querer.

Dos meus pais aprendi quase tudo que sabia da vida. E, até alguns anos atrás, tudo que eles falavam e faziam eram o que heróis e todas as pessoas deveriam fazer. E se não fizessem, coitadas, estavam totalmente equivocadas. Ou seja, tudo que eles diziam não era questionado na minha cabeça de jeito nenhum.

Fui do tipo de criança que não fazia nada de errado/nada que contrariasse a opinião deles. Não namorei cedo (na minha época de criança, não existia ficar), porque sequer imaginar meu pai saber que eu, sua filha quase imaculada, estava namorando, ato (na minha mente) quase renegado aos pecadores do mais alto dissabor, me causava ânsias de ser menos amada, querida, respeitada ou, seja lá o que se passa na cabeça de uma criança na terceira série. Até meu primeiro namoro, que meu pai não conheceu o boy mesmo com 1 ano de relacionamento, eu acreditava que estava desagradando totalmente a opinião daquele que me criou e, talvez, sem querer, tenha me computado teorias que me fizeram acreditar em sua predileção por mim como uma mulher (menina) extremamente forte e totalmente independente de homens.

Desde cedo, meu pai fazia questão de me dizer que eu não podia depender de ninguém. De NINGUÉM, o que incluía futuros namorados, amigos, maridos e qualquer pessoa que seja. Talvez ele tenha sido a primeira pessoa a me inserir em pensamentos feministas, totalmente sem querer. Ele me ensinou, inclusive, que eu deveria lutar toda a minha vida para escolher cada passo que eu tomaria e, nunca, jamais, deixar que ninguém escolhesse por mim. Até aí tudo bem.

Só que ele esqueceu de me dizer como não depender dele. Das opiniões dele. Dos seus ideais. Então, eu cresci achando que ele era a pessoa mais sensacional e intocável do planeta, o que em parte é e, ao mesmo tempo, não é; com isso, eu esqueci de me formar em minhas próprias opiniões. Esqueci que entre ele e eu, existem duas pessoas que podem, sim, pensar diferente e não necessariamente uma delas deve estar errada. Esqueci que eu sou alguém que pensa por si só e deve escolher seus próprios passos, assim como ele mesmo me ensinou.

Por isso, quando descobri que, não, nem sempre ele está/estava certo, foi um baque. Minhas estruturas, antes construídas em cima de todos os seus ideais, desmoronaram e transformaram-se em farelo. Meus tijolos caíram e eu não sabia quem era eu. Quem era a pessoa que, mesmo muito parecida, era feminina e totalmente indivíduo a parte do que ele sempre foi. E, foi nesse momento, que eu me descobri nua, exposta, confusa e consciente do meu papel de querer ser exatamente e completamente eu. Ou, o que viria a me tornar.

Cheia de dúvidas, medos, esperanças, dores e amores, comecei a perceber quem queria ser e o que queria me tornar. Me percebi como indivíduo uno e, nesse momento, soube da vida o que ela poderia querer de mim. Bateu um desespero, normal. Mas, a ansiedade de me construir tornou-se maior do que o medo de não bastar. Descobri novos posicionamentos, discuti com ele sobre coisas antes inimagináveis e hoje, feliz, me encontro liberta de alguns de seus posicionamentos e realizada com todos os meus.

E agora compreendo que eu entendia tudo errado. Ele nunca me respeitaria menos por namorar/amar alguém ou discordar dele. Pelo contrário, ele me amaria cada dia mais quando eu resolvesse arcar com todas as consequências da pessoa que sou e com todas as minhas escolhas. Com todas elas, independente de quais. Sempre consciente da minha individualidade e independência.

Hoje, discordo dele com um balançar de cabeças e, juntos, discutimos ideias e nos relacionamos como seres humanos, não como super-herói e pobre mortal. E ele sorri, quando argumento, exaltada, em favor daquilo tudo em que acredito, de orgulho. Ele sorri de orgulho de mim e eu dele, de ter sido criada por ele e por ter, por isso, sido permitida a ser, do jeito que eu quisesse ser.



Obs: Estava lendo esse blog sensacional e fiquei com uma vontade tremenda de dizer obrigada por todos esses dezenove anos em que ele, painho, me ajudou a me construir. Pedro me emocionou como pouca gente o fez e acho que sentimento nunca deve ser guardado, então aí tá, painho, minha gratidão. Nem de longe tão emocionante quanto as palavras de Pedro, mas nem por isso menos verdadeiras.