15 julho 2013

Nem os ventos

Hoje é dia 28. E eu não disse adeus. As coisas têm estado confusas, acho que não sou mais quem queria ser há 8 anos atrás. Aqueles eram planos tão bonitos e eu  os enfiei na gaveta e os esqueci lá. Não sei se quero contar os meses e os anos mais, as coisas têm estado estranhas, repito. Você levou consigo uma parte importante da minha vida, você me tirou você e toda a calmaria que os ventos traziam contigo. Não sei se os tempos são agradáveis, só sei que ando meio perdida.

Não canso de repetir que a vida é efêmera, porque essa palavra é bonita demais pra não ser dita ou dita só ás vezes, ela traz consigo muita verdade, muita dureza e ela tem que ser parte integrante da vida de todo mundo. Me lembro de você escorregando por seus lábios tamanha palavra e eu te olhei naquele instante e pedi pra você repetir, mas você riu de mim e se perdeu por entre as estrelas que estavam olhando a gente. Aí você não repetiu, e eu engoli o gosto de quero mais. Por isso, deixa eu repetir no teu lugar, a vida é efemeramente efêmera e difícil demais, às vezes, de aguentar, mas é bonita, acredite em mim.

Hoje à noite, me deu vontade de dançar aquela sua música preferida e cantar aos sete ventos como costumávamos fazer. Ainda lembro daquele dia que passamos a madrugada inteira na praia, e dançamos, e cantamos, e rimos do mundo, de nós e da vida. Que ironia essa ter sido a noite em que eu tive absoluta certeza de que a gente era infinito demais pra ser só nós, porque, ali, eu descobri que ser só eu e você era suficiente pra mim. Mas, os mesmo ventos que te trouxeram, levaram sua infinidade com eles, porque eles tiveram inveja de mim.

Admito, eu me vi perdida depois daquela noite. E quando pude assistir o sol nascendo bem na curva do seu sorriso enquanto você dormia, todo sujo de areia, ali, sim, eu tive certeza de que você era a coisa mais bela que Deus poderia ter colocado no mundo e, mais precisamente, na minha vida. Eu sabia que não merecia aquilo, nem por um segundo ou minuto, mas eu te quis com todos os dentes tortos e com todas as unhas roídas e deixar você ir já era impensável demais pro meu coração. Então eu me joguei naquela aventura e naqueles olhos castanhos que eram, para mim, labirintos.

Então, como eu disse antes, os ventos perceberam que eu não merecia aquilo tudo e te tiraram de mim. E foi dolorido demais pensar em nunca mais poder tocar teu rosto ou nunca mais sentir a suavidade dos teus lábios, foi dolorido demais pensar que nunca mais veria a profundidade dos teus labirintos e nem sentir o cheiro que você tinha - que era seu demais pra ser de outro alguém e por isso nunca soube o que era. E todas as vezes que rimos e nos olhamos como se a gente fosse muito mais que dois, mas um só sendo infinito. E aí os ventos te levaram do mesmo jeito que te trouxeram.
E eu chorei demais.
E eu sofri demais.
E eu esqueci todas as promessas, todas às vezes em que decidimos ser artistas juntos e até a casa em que decidimos morar.
E eu enfiei todos os planos no fundo da gaveta e me tornei alguém que eu não sei quem é.
Não mais.
Não sei se esses são tempos agradáveis...
Só sei que
Nunca pude te dizer adeus.



6 comentários:

  1. "Mas os mesmo ventos que te trouxeram, levaram sua infinidade com eles, porque eles tiveram inveja de mim." lindo lindo lindo lindo lindo (...)

    aaaa não via a hora de você postar de novo! e que belo retorno, heim?

    seu texto me emocionou por dentro, sabe? eu me identifiquei demais. quando a gente ama alguém e vive ao lado dessa pessoa, crescendo com ela e compartilhando momentos, é muito difícil ler textos assim, porque a gente se põe no lugar.
    espero que os ventos não tenham inveja de mim :(

    você tem um dom lindo de emocionar as pessoas com as palavras. nunca pare de fazer isso!

    www.pe-dri-nha.blogspot.com

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  2. Lindo, lindo, lindo. E ainda com essa imagem no final... <3

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  3. "(...) porque, ali, eu descobri que ser só eu e você era suficiente pra mim. Mas os mesmo ventos que te trouxeram, levaram sua infinidade com eles, porque eles tiveram inveja de mim."
    Tão, tão, tão lindo. Li seu texto com uma lagriminha no cantinho do olho, ameaçando sair. Me identifiquei em muitas partes, mas me emocionei por conseguir imaginar cada detalhe do que você escreveu e por me pôr no lugar da história. Achei lindo demais o que você escreveu e teu blog é uma graça!
    Beijos.

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  4. oi!! te indiquei numa tag, depois vê lá!
    não sei se você gosta de tags, mas essa é bonitinha :)

    beijinhos!
    http://pe-dri-nha.blogspot.com.br/

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  5. Ai, para! Quase chorei (sei que quase todo mundo disse isso, mas é verdade viu?) Engraçado que todo mundo que teve/tem seu coração partido vai conseguir e por no lugar do eu lírico e sentir tudo isso. Eu mesma, por exemplo, não parei de pensar na minha situação um instante...

    Mas lindo, lindo, lindo texto mesmo! Parabéns!

    http://followingthesnow.blogspot.com/

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  6. Conheci seu blog essa semana, prazer!
    Meu olho encheu de lágrima, ai ai viu
    A vida é efêmera, e infelizmente, as pessoas que mais nos fazem bem, também são...

    http://novembroinconstante.blogspot.com.br

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