31 julho 2013

Esvaziei a mala

Meu quarto ta uma verdadeira bagunça. Meu guarda-roupa, então? Um caos. Não sou fã de desordem, mas confesso que já faz um tempo que ta tudo assim e eu não to fazendo muita questão de arrumar, botar pra lavar, jogar fora essa coisas que estão entulhando e já não servem mais. Li uma vez, não sei onde, que a vida da gente é uma metáfora pra história do guarda-roupa ou, ao contrário, como queira, e sempre tem aquele momento que as roupas velhas não encaixam mais em você, na sua vida. Por isso, você as doa, joga fora, porque elas não podem e nem devem mais fazer parte da sua "nova" realidade.

Nunca fui muito boa com customização, ou seja, comigo ou serve ou não serve. E eu demorei um pouco pra perceber isso, porque é muito mais fácil a gente ficar levando a vida sem tirar as roupas do chão, sem arrumar as gavetas e sem se desapegar das roupas que foram parte da nossa vida e nos acompanharam em momentos tão cruciais que a gente vai adiando, adiando, acreditando que  ainda vamos usá-las se fizermos alguns ajustes, se colocarmos umas tachinhas, uns enfeites. Mas, eu nunca volto a usar estas roupas do mesmo jeito que as usava antes, porque elas já tinham o que dar. E deram.

E eu me renovo sempre, e enjoo muito fácil das coisas. Então, não, as roupas não servem mais em mim e eu não vou voltar a usá-las. Não adianta eu mentir, tentar me ludibriar, tentar consertar as coisas, dizer que elas podem, sim, fazer parte da minha vida de novo, porque eu sei, lá no fundo, que eu não me contento com metades, nem com coisas usadas, surradas, sofridas.

Mas, sempre tem aquela blusa que marcou o melhor abraço da vida ou a melhor dor de barriga depois de uma risada, e essa é a mais difícil de jogar fora. Por isso, eu estava preferindo deixar as coisas largadas, esquecidas, pra que eu não precisasse me desfazer dessa, especialmente. Porque dói jogar fora as lembranças que aquela blusa traz consigo, e os beijos, os suspiros e tudo o mais que vêm como consequência da existência dela na minha vida. Só que ela, ali, ocupando espaço, onde deveria haver outra, também não está me fazendo bem, porque nem ela me completa e nem deixa nenhuma outra me completar.

E eu não me contento com metades, nem com migalhas. Eu quero tudo. Eu sou muita intensidade e preciso de mais do que ela poderia me dar. Eu preciso de uma nova, sem mágoas, sem dores, sem rasgos. Eu preciso de mais, demais.

Por isso, agora eu vou apanhar as roupas do chão e colocar as que estão no guarda-roupa pra lavar, as que já não me servem mais são pra doar. Eu sempre demoro a arrumar o quarto, mas quando arrumo, faço uma faxina geral. Ta na hora de esvaziar a mala, como diz o poeta, e ir enchê-la com "sensações novas, situações novas, pessoas novas. Tudo novo"




9 comentários:

  1. Nada melhor que dar uma renovada nas gavetas, no guarda-roupa, na vida...

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  2. Que blog lindo, acabamos de conhecer e já amamos! Beijos

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  3. "E eu não me contento com metades, nem com migalhas. Eu quero tudo. Eu sou muita intensidade e preciso de mais do que ela poderia me dar. Eu preciso de uma nova, sem mágoas, sem dores, sem rasgos. Eu preciso de mais, demais." ai cara, me abraça

    Novembro Inconstante

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  4. Se tenho um pouco pra me orgulhar, desse pouco faz parte a característica de ser desapegada. Pelo menos, materialmente, porque sempre acabo "customizando", "esticando" ou simplesmente escondendo algumas pessoas que eu sei que tão sobrando na minha vida, não se encaixam mais com o que me transformei, para quais eu não tenho nada mais a oferecer e elas, idem. Mas mesmo assim, quando lembranças e saudades estão relacionadas a pessoas é tão mais difícil exercer o desapego )=

    Beijos =*

    http://alacazaam.blogspot.com.br/

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  5. Não tenho medo de me desapegar. Realmente me desfaço do que não gosto, mas temos a diferença de que sou realmente boa em customizações. Então ás vezes faço uma mudança aqui, outra ali, e deixo a coisa no armário. o problema é quando a peça, mesmo reciclada, me desaponta. Aí é uma droga.
    Saquei a metáfora?

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  6. Eu adoro uma customização, vez ou outra tento desenvolver uma, mas raramente dá certo, metáfora pra vida.
    Meu guarda-roupa é uma bagunça, mas quem dera se fosse só assim, no exterior, nada supera a minha bagunça mental. Sou péssima nessa coisa de desapegar, principalmente porque adoro guardar coisas concretas como lembrança, uma blusa de quando eu era pequena, uma fronha etc, e nessa o guarda-roupa vai ficando cheio de coisas inúteis, que só estão ocupando o lugar de umas que poderiam me ser úteis, coisas novas, entende? Apenas não sou boa lidando com esse tipo de coisa, descartar coisas é muito complicado pra mim, só com muita certeza, e raramente eu a tenho.

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  7. Essa metáfora do guarda-roupa funciona mesmo. O meu é sempre uma bagunça, vivo querendo encontrar alguma coisa que preste com a cara de pau de quem não arruma as gavetas há meses. Mas, curiosamente, não sou apegada. Jogo tudo que não serve mais pela janela, arrumo malas com uma rapidez incrível.
    Se serve como conselho, esvazie mais vezes. Dá uma leveza ótima.
    Beijo!

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  8. Acho que essa metáfora do guarda-roupa é quase que uma verdade universal. Achei tão bonita a forma como você soube relacionar as coisas e transformar nesse texto tão cheio de sentimento. Sério, ficou muito bom e eu achei o seu blog ainda melhor!
    Beijos.

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  9. Lindo esse post! Vontade lê-lo pra sempre.

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