24 maio 2013

Eu, diabos, sendo Zoe Hart

Não é a toa que prefiro uma tarde comendo pipoca no cinema, assistindo a um bom filme do que a uma rave de mil e um dias. Não me leve a mal, acho que não é segredo pra ninguém aqui que eu gosto de festas, danças, música, shows e diversão; mas isto com absoluta certeza não é a minha forma preferida de diversão.  Então, ontem, depois de muito adiar, assisti a um filme que mofava na minha lista de "Quero ver" do filmow e agora eu me pergunto "Por que demorei tanto pra assisti-lo?".

Sabe quando algo te toca lá no fundo da alma, te compreende e parece que foi feito pra você? Pronto, essa foi/é a minha relação com esse filme. Pra ser sincera, eu acabei de terminá-lo e me achei no dever de vir aqui falar não somente sobre ele, mas sobre ele e sobre a vida. Típico daqueles momentos que você se transcende. Típico de quando guardar só pra você já não é suficiente.

Não é novidade pra ninguém que to naquele momento de crise existencial; to tentando sair dessa fossa, mas, juro, essa fossa não quer sair de mim. Naquele momento da vida que a força que rege meus movimentos é a inércia, to bem banda levou, sabe? E não estou me sentindo nada bem com essa situação, porque eu simplesmente sei o fim dessa história: Mais um ano de cursinhos, stresses, dores de cabeça, choros, inseguranças e despesas mil. Outra coisa, eu sou nerd e sempre fui. Ou seja, ficar uma tarde inteira procrastinando é bem válido, mas esse tempo todinho que deveria estar estudando e não estou ta acabando comigo, me fazendo sentir mais lixo, mais acabada, mais desestimulada.

Aí você me pergunta "Onde, diabos, entra um filme aí?" e eu respondo que uma das minhas personagens preferidas não é minha preferida por acaso, mas, sim, porque eu e Zoe Hart temos mais em comum do que qualquer outra personagem: nós precisamos que algo bata na nossa porta e diga o que estamos fazendo de errado, nós refletimos a vida e agimos, às vezes, até, por impulso, porque nós estamos sempre em busca de saber quem realmente somos e o que realmente queremos. Então parte (maioria) das minhas reflexões vem de livros/filmes/experiências de personagens, e num desses momentos de reflexão, ou seja, em uma noite de quarta, enquanto me deliciava assistindo a esse filme, eu percebi que eu não quero crescer. EU PERCEBI QUE NÃO QUERO CRESCER. Em letras maiúsculas, porque essa foi uma das maiores descobertas que fiz esse ano, enquanto me emocionava vendo uma menininha sendo tão adulta a ponto de perder toda a diversão da vida se relacionando com uma adulta totalmente criança, que acredita que a vida é só diversão.



Vamos colocar os pingos nos "is", eu estava assistindo a "Grande menina, pequena mulher". E eu preciso dizer que esse filme não é somente sobre as duas garotas, tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, dizer isso seria restringir a magnitude de um filme que foi capaz de me arrancar do lugar de conforto em que estou pra bater na minha cara e dizer: "O que você ta fazendo da sua vida?". Dizer isso seria diminuir, se não menosprezar, algo que foi tão fundo lá na minha alma que eu me vi sendo não somente a Molly, mas a Ray também. Dizer isso seria acabar com a magia de algo que parece que foi feito pra mim e, consequentemente, foi passado/assistido exatamente no momento em que estava precisando, de cada palavra, cada cena, cada emoção.

Esse filme é sobre a vida, sobre ser, sobre amor, medos, amadurecimento e sobre mim. Sim, ele é sobre mim, porque eu me vi sendo a Molly ao tentar fingir que nada havia mudado, eu me vi sendo ela ao tentar viver a vida sem querer pensar muito em todas as responsabilidades que o mundo impôs no decorrer do tempo, sem aceitar que em um momento nós temos que crescer. E, consequentemente, sem aceitar que a hora de crescer já chegou, porque crescer dá muito trabalho, dor de cabeça, traz consigo inúmeras responsabilidades e é cansativo demais. Mas é necessário. E é ai que entra a Ray, tão criança, mas tão sem infância, com todas suas responsabilidades, tendo que encarar a vida sem a ajuda daqueles que supostamente deveriam ensiná-la a viver, com suas carências e solidão. E juntas elas se completam, porque ambas têm algo em comum: o medo. Medo de crescer, medo de se importar, medo de amar, medo de responsabilidade, de diversão; elas têm medo, assim como todos nós, suponho. Eu tenho medo. De mais ou de menos, que seja, mas medo, acima de tudo, de viver.

E ver isso estampado na minha cara de tacho ao terminar o filme, enquanto ria e chorava com o final genial e esclarecedor, foi de tremer todas as minhas bases, porque eu sabia que algo estava errado comigo, mas saber que esse errado era o medo de sair dessa fase ensino médio pra fase faculdade foi libertador demais pro meu coração. Foi como se eu tirasse todo um peso dos meus ombros. Foi um passo gigantesco pra que fosse possível sair desse marasmo em que me encontro, foi a certeza de que isso que to passando é passageiro e foi a certeza de que o que me encontra lá na frente vai ser bem difícil, mas eu vou ser capaz de superar. Porque crescer faz parte, chorar, rir, achar que nada vai dar certo, ter medo do inesperado, se sentir inseguro também; mas o mais importante é acreditar, acreditar no amanhã, em dias melhores e acreditar que é possível, tudo e muito além.




"Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou." Heráclito 


17 comentários:

  1. esse filme <333333333
    e você escreve tão bem é uma delícia de ler! esse filme também mexeu comigo de certa forma, mas sabe, acho melhor a gente pensar em crescer e fazer algo de feliz na vida do que só chorar por não querer crescer, e acabar crescendo e não fazendo nada '-'
    beijos!

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  2. Lindaaaaa <3 Um dos melhores textos escritos por você! Amei cada centavo do que você escreveu, não mudaria nem uma vírgula; todas essas palavras simplesmente pularam da sua boca, com uma visível gigantesca necessidade de sair e, lógico, quando isso acontece fica bem mais fácil do leitor sentir o que quem escreveu quer passar, dizer. Obrigada por ser todas essas coisas boas e verdadeiras, compartilhando nesse blog mais que especial! Eu sou muito do que você falou, e claro, como todos, essencialmente, sinto medo. O tempo todo. Tenho medo de viver, de pensar sobre isso. Medo das pessoas.Outros medos tão grandes que viram bolas de neve. Porém, como todos, também, tenho a capacidade de vencê-los.

    Verei esse filme!

    Beijos :*

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  3. ESSE POST TÁ AMOR DEMAIS <3
    Tá, momentos caps lock passou.
    Tô em uma fase semelhante: apesar de que minha escolha quanto a faculdade vai ser adiada por mais um ano (te amo, intercâmbio!) tá foda aceitar que finalmente vou ter que por meu pézinho no mundo dos adultos. Por uma questão de personalidade, qualquer decisão que eu tomar vai ser permanente e perseguida até o fim.
    Pois é.
    E o fato do que eu quero fazer não dá grana, o fato de que vou ter que me sustentar em alguns anos e entrar no mundo de contas a pagar, coisas a fazer e cornos a tomar me deixa chateada. Não quero mesmo lidar com tudo isso, mas fazer o quê?
    Sua escrita é muuito legal de se ler! Aquele tom estilo seda de músicas francesas, sei lá. Parabéns!

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  4. Tão tão tão bom quando um filme, um livro, uma peça, um quadro... alguma coisa incrível tira a gente do estado de letargia que às vezes toma conta do nosso ser, né? ♥ ♥ ♥

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  5. Adorei o seu post, disse tudo o que penso sobre o filme que aliás teve um efeito bem parecido em mim.. rs
    Adorei o seu blog, estou seguindo! ^^
    Ahh também vou participar do projeto 101 em 1001 dias!
    beijos

    http://sonhandoemvezdedormir.blogspot.com.br/

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  6. Eu já assisti esse filme faz muuuuuuito tempo, mas lembro que adorei muito também! Sempre estou nessa "vibe" do medo. Estou na faculdade, mas tenho medo dela acabar e eu ter que enfrentar a vida ver que nem tudo é como a gente quer. Acho que preciso seriamente assistir esse filme de novo. Amo/preciso de filmes assim, que dão uns tapas na gente.

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  7. nossa, eu ando com uma sorte de encontrar blogs legais ultimamente que nem eu to acreditando.
    que lindo saber que você ficou bem depois de assistir ao filme (e olha que nem e conheço, mas senti o teu alívio ao ler o texto haha)
    filmes, livros, música, enfim, tudo isso tem uma força muito grande pra me incentivar também.
    no começo do ano, eu estava paradona, sabe, me sentindo como se estivesse boiando num mar enorme, enquanto mil e uma coisas aconteciam? eu só trabalhava, sem estudar e isso me desanimava demais, mas foi preciso que eu sentisse isso na pele pra saber que eu realmente NÃO quero mais isso pra mim haha
    não me vejo sem estudar, é uma coisa que vem da alma, sabe? sei lá, pode ser música ou angiospermas, tanto faz, estudando tá bom. me sinto útil pra mim mesma, me sinto bem.

    quando terminei o ensino médio há dois anos eu me senti muito pressionada a prestar vestibular e aquilo acabou comigo, sabe. sei sim que a gente cresce, apesar da minha síndrome eterna de peter pan, mas do jeito que me impunham eu não queria. se for pra crescer, que seja algo que me faça bem, né?

    espero que você consiga coisas boas no seu caminho e que continue escrevendo textos legais pra eu ler haha

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  8. Eu adoro esse filme, simples. Adoro porque a cena inicial, em que Molly amassa uma cúpula de abajur e põe na cabeça, após a câmera filma toda bagunça do seu quarto, é uma das mais lindas que já vi. Adoro porque a Brittany como Molly consegue ser estupenda, mais do que em outros papeis que já fez. Adoro porque o assisti em um dos períodos mais saudosos da minha adolescência (da qual acho que ainda não saí) acompanhada de duas grandes amigas e de uma panela de brigadeiro com granulado colorido. Enfim, há milhões de motivos pelos quais eu adoro esse filme, mas acho que o principal deles, é porque ele me transmite esperança. E eu ando tão carente disso...

    Eu simplesmente me encantei pelo seu blog e pela forma como você se expressa! Parabéns!

    Beijos =*

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  9. Nunca vi esse filme, acredita? Tenho uma amiga que é super fã dessa personagem, e acho que entendo porque ela ( e vc tb, claro ) gostam tanto das ideologias da Zoe. Digo, crescer é uma droga. Olha que sempre fui contra frescura, mas dá muito medo mesmo. E você escreveu esse post tão bem, mas tão bem, que vou pegar o filme na locadora a qualquer custo agora haha

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  10. Uiaaa que boa dica! ja ta na minha lista! certeza que vou ver! Faz tempo tambem que quero ver! ainda mais q torci o pe e estou em repouso nos proximos dias ahhahaha
    bjo

    opinandoemtudo.blogspot.com

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  11. Flor, eu amo esse filme com todas as minhas forças e me identifico com as duas personagens. E eu SEMPRE choro no final. Só que desde que a Brittany se foi, eu não consegui mais ver. Pra mim ainda é recente, sabe? =( Mas preciso rever porque seu post me fez relembrar o tamanho do meu amor por essa história.

    Beijos!

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  12. Beatriz, atualizei o blog! Quando postar de novo aqui no deixa molhar avisa, ok? bjão

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  13. O lindo é que esse filme também está na minha lista de "quero ver" do filmow e eu tô só precisando de tempo, só isso, porque eu sei que vou gostar. Na verdade não lembro se já o assisti, mas por via das dúvidas, verei novamente, se tiver de ser.
    Ai gente, sou eu aí nesse texto. Já escrevi sobre a minha síndrome de Peter Pan, e eu vejo que tá difícil sair dela cada vez mais, ser "adulto" é uma fase que não me surte nenhuma ansiedade, muito pelo contrário, fica aquele sentimento de que tudo o que tinha de bom já passou, tá lá atrás, é um loop eterno.
    Obviamente que deu mais vontade ainda de vê-lo, vou passá-lo na frente na lista de prioridades. E espero que dê tudo certo pra nós. :*

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  14. Vim ler descompromissadamente e quase mudei de página quando vi que a última atualização é do mês 5! Mas cara, QUE BOM QUE NÃO PAREI DE LER! Na verdade, depois que comecei, não consegui parar. Você desenvolve um corpo de texto muito bom, na real. E aí você veio com "EU PERCEBI QUE NÃO QUERO CRESCER" em letras maiúsculas! "That's my girl", eu gritei internamente! Compartilho da opinião, inclusive do que você desenvolveu antes disso. Também sou o tipo de cara que cresce e evolui apenas contemplando filmes. Claro que esse "apenas" é de uma simplicidade mentirosa, mas filmes, séries e música são o veículo principal de minhas mudanças psicológicas (e, por que não, espirituais?). Começou com The O.C. (quando passei de criança pra adolescente) e foi pra Sex And The City (quando de adolescente para jovem adulto, porque adulto é coisa do passado). Tenho minhas outras adoradas (Hart of Dixie, claro!) e, poxa, você ainda me trouxe a Dakota nessa tarde de terça (hoje é terça, né?)! Enfim, ficaria muito feliz se você postasse mais, com mais frequência, porque tô curioso de verdade pra ler conteúdo teu. Vou ler posts antigos, mas antes vou levantar minha palma sobre a cabeça pra esperar um hi5 seu! Obrigado pelo texto, Beatriz!

    @enriquesemh, diretamente da Terra do Nunca!
    www.discipulosdepeterpan.com.br

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  15. Acho que já assisti esse filme 464646468 vezes e eu sempre me surpreendo como se fosse a primeira vez. Enfim. Morro de raiva toda vez que eu encontro alguns protótipos de gente que querem logo ser gente grande e o pior, já fazem coisas de gente grande. Nem imaginam o que os espera em seguida. Crescer é virar colecionador de responsabilidades, inseguranças e mais um monte de coisas que a gente nem sabia que existia. Em contrapartida, existem momentos e pessoas que a gente encontra na estrada que nos fazem querer ir sempre mais longe e até mesmo, nos despertam praquela criança que sempre existiu e sempre existirá dentro da gente.
    Lindo post! =)

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  16. Já deixei meu parecer sobre esse filme e como ele me toca no meu comentário anterior, mas engraçado, ao reler esse post, percebi o quanto ele casa perfeitamente com esse momento da minha vida. Percebi o quanto deixei pra trás tantos medos pra me aventurar em uma rotina totalmente diferente da que eu estava acostumada, tudo para alcançar um sonho meio incerto, mas que por algo inexplicável, parece distante, mas não impossível. Sei como é lidar com essa pressão, esse medo absurdo de falhar, de admitir um erro (principalmente quando ele ainda não foi cometido) para os outros e o mais doloroso, para si mesmo. Fico oscilando entre o desejo dessa maturidade idealizada que parece a solução para todos os meus conflitos infantes, e entre o desejo de não crescer, e especialmente, de não ser abandonada por essa síndrome do Peter Pan, a qual é responsável por me deixar risonha e abobalhada até nos momentos mais difíceis.

    Beijos =*

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  17. saudades brittany murphy :(

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