15 abril 2013



Não poderia deixar de escrever sobre você, porque existir dentro de mim já não é suficiente, você me transborda por inteira. Você me tem completa. Exatamente no momento que pus meus olhos nos seus eu percebi que estava perdida, que não seria mais possível existir sem você, que meu coração, nunca, havia e nem iria pertencer a outro alguém. E não há mais jeitos de remediar o que você trouxe para minha vida, você me iluminou quando eu só via escuridão, me permitiu ser flor e vê-las espalhar-se pelo meu caminho, me olhou como se eu fosse a pedra mais preciosa do universo. 

Você não tem ideia de quantas vezes eu olhei para Manoel e desejei que você estivesse no lugar dele, ao meu lado. Quantas vezes eu já decidi que iria fugir só por uma noite, que seja, pra poder olhá-lo uma vez mais, ao menos. Quanto eu já pedi aos deuses pra tudo de repente se encaixar e, no fim, eu estar ao seu lado. Não há como dizer exatamente a dor que sinto por não te ter aqui cantando baixinho pra eu dormir ou sussurrando no meu ouvido o tamanho do seu amor.  O que eu faria pra te tocar como se não existisse um fim do mundo e mais nada a temer? 

Eu quero você como nunca quis nada em minha vida, Páris. Sou incompleta quando não estou com você, quando preciso fingir que não me importo com o jeito que você anda ou quando esquece de pentear o cabelo. Eu preciso de cada parte que te completa, preciso do seu cheiro de sabonete barato, preciso da sua risada nervosa e do seu gosto de nuvem. Preciso da sua mão gelada na minha, do seu cabelo desgrenhado, dos seus olhos me olhando através da lente dos seus óculos. Necessito, imediatamente, das suas piadas baratas, do seu olhar ousado quando me diz que iremos fugir e viveremos felizes para sempre. 

E seu jeito de falar quando te olho e você lê neles que eu sou totalmente tua? E seu jeito de implicar comigo quando eu estou errada, mas não quero admitir? Ou quando me olha com aquele olhar de deboche quando te digo que não quero mais você? E, pior, quando me olha e diz que me ama? Amor, você me tem aos seus pés. Basta me dizer sim e sou sua, cada parte de mim.

Porque ser só eu não tem graça.
Eu quero ser a Helena de Tróia, quero ser a tua Helena. 



Observação: Texto 2 do desafio dos 30 textos sobre assuntos e situações divergentes.
Beijos!

07 abril 2013

É só questão de ser


O dia estava de um nublado misterioso, as árvores chacoalhavam ao som de uma brisa anunciando a chuva forte que estava para vir. Não havia ninguém na rua. Ninguém que estivesse se enxergando um ao outro, pelo menos. As pessoas estavam sentadas em bancos aleatórios, sozinhas. Todas possuíam aquele olhar, o olhar de quem já não tem mais nada a perder. Havia tristeza pairando sobre aquelas que, solitariamente, estavam acompanhadas.
A grama estava verde.
O parque estava vazio, vazio de gente sendo gente.
Para qualquer olhar a que se dirigisse, não havia uma centelha, sequer, de ternura, compreensão, amor, gentileza, esperança.
Exceto por aquela que, lenta e esperançosamente, girava tentando encontrar olhares a que se acolher, a que se interver e, portanto, olhares nos quais houvesse um mínimo de algo que não o nada.

Aos poucos, ao caminhar, embora o parque estivesse cheio de um vazio imensurável, ela, com suas flores, foi iluminando o jardim, os olhares. Ao andar, ao ver tanta tristeza, ela contagiou as pessoas com o seu andar de menina moça, com seus cabelos esvoaçantes, com seu olhar de ternura.
Aos poucos, ela os transformou em amor.
E os libertou.
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Observação: Essa narração é a primeira de um projeto de 30 textos sobre situações diferentes e personagens diferentes. Pretendi começar esse projeto pra treinar mais e, ainda, não deixar o blog às moscas, porque o tempo não ta sendo meu amigo. E escrever contos e etc é muito mais natural, para mim. Então, toda semana, vou tentar escrever um texto sobre o assunto pretendido no desafio, depois coloco uma página com todos os assuntos dos textos.
Beijos!