01 fevereiro 2013

Incerta volubilidade


Enjoo facilmente das coisas. Acho que tudo tem um prazo de validade, ou quase tudo. Como diria minha mãe, sou volúvel, e ao extremo. Então quando parei pra pensar no que queria fazer ao “crescer”, não somente uma coisa pairou em minha mente, mas milhares de coisas. Quero ser médica, astronauta, designer, dona de karaokê, irmã, mãe, amiga, quero consertar coisas, ser física, escritora, jornalista, crítica, quero conhecer de tudo um pouco.

A partir disso, pode-se dizer que escolher exatamente o que queria prestar no vestibular não foi tarefa fácil, para mim (embora pra quase ninguém seja). Me deparei com inúmeros quereres e a cada boa noite de sono mais uma alternativa aparecia. Com o tempo, eu percebia que eu queria ser eu, mas queria ser várias outras ao mesmo tempo e em dias diferentes. Ou seja, eu estava sendo volúvel, assim como era em todos os outros aspectos da minha vida.

Tantas opções me deixavam louca e desesperada. Porque ser eu em essência era o objetivo maior dessa busca e eu precisava me achar em alguma dessas opções.

Medicina, para mim, sempre foi uma forma de expressão. E, mesmo que eu tentasse negar, era ela que ficava martelando na minha cabeça desde minha pré-adolescência. Portanto, em um belo dia, quando resolvi me despir de todos os medos e inseguranças, eu abracei, descarada e sem nenhuma volubilidade, meu amor pela medicina. Não foi fácil. Escolher entre tantas outras coisas que – ainda- serei ou estudarei ou exercerei como hobbie. Mas mais difícil ainda foi encarar a estrada que ainda estava por vir.

Todos já estão cansados de saber que medicina até no Paquistão é concorrida e, portanto, difícil de entrar. Mas depois de abraçá-la completamente, isso era “só” um obstáculo, na minha jornada, para chegar no meu objetivo maior. Não vou dizer que nunca pensei em desistir, pensei, sim, e inúmeras vezes. Me perguntei também outras tantas se aquilo era realmente o que eu queria, se entre tantas coisas no mundo eu tinha escolhido a que verdadeiramente era eu.

Sou volúvel, sou efêmera. Mas não mais, pelo menos não em relação a essa certeza que tenho em relação ao meu futuro como médica. O caminho é longo, duro e cansativo, mas o amor é maior. Porque outra palavra não pode resumir o ato de ajudar ou salvar alguém, seja fisica ou psicologicamente. Daí eu descobri que ser médica é também ser escritora, é também ser designer, é ser astronauta, jornalista, amiga, porque amor é o resumo de todas essas e outras profissões.
Então eu me encontrei sendo tudo em uma só.
Porque, como diria Fernando Pessoa, “Eu sou muitos”

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6 comentários:

  1. Ah, que legal, Beatriz! Eu sempre foi bem assim também, de querer ser tudo nessa vida. Na hora do vestibular, decidi que quero ser jornalista. Mas acabei passando pra Direito, de modo que tentarei levar os dois, ao menos por um tempo, pra ver se descubro. Semana que vem já começo o Direito, o resultado do Jornalismo só sai em março.
    Minha amiga também se decidiu pela Medicina, como você. Eu acho lindo quando as pessoas amam tanto esse curso que estão dispostas a passarem por todas as provações.
    Boa sorte pra você! A paixão é sempre o primeiro passo - e meio caminho andado! ;)

    Beijos

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  2. Eu podia fazer uma lista das coisas que você disse e com as quais eu concordo, mas daí estaria apenas repetindo exatamente o seu texto. Sofri o mesmo quando fui fazer vestibular e até hoje me pergunto se fiz as escolhas certas – e olhe que estou há um ano, basicamente, de me formar.
    Meu namorado faz medicina e, olhe, cada dia eu só o admiro mais. Tem uma menina da sala dele que sempre diz que medicina é sim uma forma de arte e lembrei dela ao ler a forma como você descrever o que é ser médica, além de curar e operar pessoas. Não vou nem dizer que acho um curso maravilhoso, porque sou suspeita. Só não segui essa carreira porque meu medo de sangue não deixa, mesmo.
    Torço pra que essa tenha sido a melhor escolha pra você! É um vestibular difícil, mesmo, mas tenho exemplos de gente que tentou muito até conseguir (inclusive, uma guria com seu nome!) e não se arrepende disso. Força!
    Beijos.

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  3. me identifiquei com o seu texto, muito bem escrito.
    Vi que você leu anjo mecânico,gosto muito dessa trilogia, mais do que TMI.
    mas eu prefiro a Tessa do que a Clary, especialmente a Clary do último livro, nossa ela estava muito insuportável.

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  4. Oi, Beatriz

    Tudo bem?

    Obrigada pela visita e pelo comentário no meu blog! Gostei da maneira como falou da sua futura profissão. Cheia de paixão.

    Eu também sou super volúvel...em quase tudo na minha vida. Me formei em jornalismo, mas já quis ser apresentadora, cineasta, escritora, atriz e por aí vai. O que fazer quando somos muitos? É complicado, né?
    Boa sorte no vestibular e na sua carreira!

    Assista "Django Livre" sim. Mas vá preparada psicologicamente para uma filme longo e violento, como todos os filmes do Tarantino, né? Ah, "Valente" é gracinha, mas sei lá, mais do mesmo no quesito princesas. Eu assisti e gostei porque gosto mesmo dessas coisas, haha!

    O que está achando de "A Pirâmide Vermelha"? Li a série do Percy Jackson no ano passado e, desde então, estou louca para ler As Crônicas dos Kane :)
    Adoro o Egito! Ainda vou visitar um dia!

    Beijos e boa semana para você.

    Michas
    http://michasborges.blogspot.com

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  5. Que coisa linda!
    Até 2011 eu era muito louca com relação a isso, a que profissão seguir, porque eu simplesmente não sabia, não fazia ideia, queria muitas coisas, assim como você, inclusive ser espiã, mas a gente tem, por via de regra, que escolher uma de início, e isso pode ser tão complicado que só Jesus.
    Aí não sei como, nem porquê, e me apaixonei por jornalismo, mentira, bem sei o porquê, e bem sei como, glória aos céus hoje sei por qual caminho quero seguir, mas até achá-lo foi tortura psicológica. Outro problema é o fato de que eu não tenho muita pressa pra vida, apenas não tenho essa vontade louca alucinada de trabalhar, morar só etc. Porque sou essa eterna síndrome de Peter Pan.
    Mas olha, é maravilhoso ver gente apaixonada assim por uma profissão, a gente tá carente disso, e certeza de que toda essa tua luta vai trazer ótimas recompensas. E, ah, boa sorte!

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  6. Parabéns pela escolha. Uma escolha linda, maravilhosa. Pena que nao vai ter tempo pro blog né? DOAHSDIOA.
    Mas boa sorte, estou torcendo por você.

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