17 dezembro 2013

Coisas que me fazem levantar feliz pela manhã


Medicina: Nunca tive tanta certeza sobre algo na minha vida. E eu sei que, independente de quantos anos, dificuldades que estão por vir, nada me faz e fará tão feliz quanto exercê-la. E saber disso, mesmo que seja difícil, é o que faz meu coração palpitar todo dia. É o que me arranca sorrisos, esperança, amor e sonho.

Estar com minha família e amigos: Não há nada como a gente se sentir pertencido e amar aqueles que estão conosco em todos os momentos. Não há nada como ver o sorriso de orgulho do seu pai/amigo/irmã quando você conquista algo. E os abraços demorados, as conversas motivadoras, as críticas, as piadas sem graça, o olhar de compreensão, de amizade, amor.

Livros: De todos os tipos, mas preferencialmente os bons. Aqueles que me fazem larga-los no meio da leitura, porque não me aguento em emoções pra depois de alguns minutos de libertação, voltar a ler. Aqueles que me arrancam lágrimas, sorrisos e me deixam mais completa. Os que me fazem lê-los sem parar até pra dormir. 



Assistir meus filmes e séries favoritos: São eles que, normalmente, também, me trazem lições, sorrisos inesperados, choros descontrolados. Me fazem torcer por determinado personagem, me fazem amá-lo e sofrer junto com. Me distraem da minha própria vida, me transportam, me intrigam. Semelhantes aos livros, eles me distraem, me acompanham, me ensinam e etc. 

Escrever: Mesmo que eu, às vezes, não entenda o que ou por que, escrever é libertador. É derramar-se em palavras, é o transbordar dos sentimentos, da confusão, da felicidade. É pra acalentar a dor, pra tentar diminuir-se, espalhando-se. E me alivia, me mostra o quão humana sou. 

Deitar com os pés molhados: Desde pequena, tenho uma mania antes de dormir: Alisar meus pés por alguns minutos no lençol fofo. E isso fica melhor quando meus pés estão enxugando e bem frios por causa da água. Durmo diferente se faço isso, as coisas ficam mais certas, mais confortáveis, mais fantásticas

Rir até a barriga doer: Sou tão besta pra rir que chega a ser constrangedor, mas eu adoro, é reconfortante. E se você me falar abobrinhas um pouco engraçadas, acredite, irei rir, mas não sei exatamente o que me faz ter crises de riso quase que infinitas que me fazem ter dores de barriga e chorar. Acho que rir de mim, dos meus amigos, das situações da vida, das palhaçadas, piadas sem graça, dos problemas que já passaram, dos micos é tão libertador, gostoso que não me arrependo de já ter passado por inúmeras situações constrangedoras por causa disso. 




Ouvir músicas/playlists adequadas pra cada situação: Nesse exato momento, depois de assistir a "Grey's anatomy" e ter um momento de epifania, estou ouvindo uma playlist motivadora que pode muito bem ser encontrada nesse site: http://www.superplayer.fm/. E simplesmente amo isso, amo quando as músicas se encaixam, quando elas falam com a gente e nos compreendem. 

Me sentir especial: Acordar, olhar no espelho e me achar bonita, interessante, inteligente por nenhuma razão. Que sensação! Ou quando faço algo e percebo que fui importante naquele processo, quando algo que fiz dá certo, quando percebo que não sou alguma coisa aleatória jogada no espaço. 

Quando ta chovendo pela manhã e eu não preciso sair da cama: Ai que sensação maravilhosa! Sentir a cama fria, o barulho da chuva, o cheiro e saber que você poderá aproveitar aquilo tudo deitada na sua cama. Como aqui em Recife quase sempre faz calor, quando tenho momentos de friozinho de 22ºC e posso aproveitá-lo inteiramente na cama é de arrasar meu coração de tanta felicidade. 

Andar de ônibus (Exceto naqueles excessivamente cheios e impossíveis de respirar dentro): Fico impressionada com a quantidade de pessoas diferentes no mundo e, quase sempre, percebo e penso sobre isso nos ônibus. Fico sentada lá observando as milhares de vidas ali, os pensamentos únicos, os milhares de problemas que parecem o fim do mundo, as cabeças, os modos de ver a vida. Acho lindo isso, essa quantidade imensa de gente e, principalmente, gente bem diferente.  

Tomar banho escutando música: Já amo tomar banho, lavar os cabelos bem e etc. Imagina isso com música? É quase um show para milhares de pessoas; canto, danço, encarno a diva e me divirto horrores. Ou, até quando preciso dos banhos mais introspectivos e não canto, nem danço, só reflito. Não há nada que um banho demorado com as músicas certas não possa consertar. Tudo se esclarece, fica no seu devido lugar depois de um desses. 




Observação: A ideia original desse post é um meme feito pelo blog http://macasverdes.com/ e se chama "12 coisas que abrilhantam meu dia", mas o vi pela primeira vez no So contagious, entretanto fiquei com preguiça. Ontem, quando vi no Following the snow, fiquei com vontade de fazer. E fiz. 

28 novembro 2013

Um, dois, três; mudei



Ou: estou tentando.


"Devia ter amado mais
Ter chorado mais 
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Ter feito o que eu queria fazer"


Já me disseram que a vida cabe bem na palma da  mão. E quem decide o que fazer com ela, somos nós mesmos. Que caminho seguir, o que fazer, o que não fazer; são nossas escolhas. Somos nós que decidimos se iremos fechar a mão e deixá-la presa, em um mundinho já conhecido ou iremos abri-la e encarar a escolha de viver além de todas as nossas fronteiras.

Um dos meus maiores defeitos é ter tanto medo. Eu tenho medo de conhecer pessoas, tenho medo de mudanças, medo de sonhar, encarar, chorar, amar, enfim, eu sou tão composta por medos que, por vezes, me transformo nele em essência. E estanco. Já falei inúmeras vezes aqui que sou extremamente tímida e isso, infelizmente, é medo. Eu tenho medo de ser quem eu sou ou ser aquilo em que me transformarei. E isso me consome. Me tira oportunidades únicas. Me tira a chance de conhecer pessoas maravilhosas. E sabe aquela história do se arrepender por ter feito algo, mas nunca por não tê-lo feito? Eu sempre me arrependo por não ter falado com aquele carinha, ou não ter ido a tal sessão de cinema sozinha, ou por não ter ido àquela festa. Nunca por algo que fiz. Nunca, porque quase nunca faço algo que saia da minha rotina. E EU ODEIO ISSO. Em letras maiúsculas pra vocês sentirem a dor que isso me causa.

 E, sinceramente, eu cansei.



Cansei de apertar minha mão com tanta força, cansei de assistir a minha vida passar. Não consigo mais ser - por mais clichê que isso possa parecer - coadjuvante da minha própria vida. Não consigo acordar todo dia e já saber tudo o que irei fazer na semana. Não consigo mais me olhar no espelho sabendo que pouquíssimas serão as histórias que terei pra contar pros meus possíveis netos, porque eu tenho medo de me arriscar. Cansei de ter medo do amanhã, do futuro, do presente, do passado. Não aguento mais me arrepender por algo que não consegui fazer. Pra mim, já chega.


Pensando nisso, depois de assistir a um filme que agora me foge o nome, eu decidi que tudo que eu tiver dúvidas e medo, irei decidir/fazer contando até três e irei fazer. Não sei se deu pra entender a ideia, mas o que to querendo dizer é que não vou mais parar pra pensar em todas as coisas que normalmente penso quando estou prestes a tomar uma decisão e, quando penso muito, fico com receio de fazer porque fulano pode achar isso, porque vão ter muitas pessoas desconhecidas me olhando e etc.  Eu vou contar até três e farei, irei pra festa que estou com vontade, irei falar com aquele desconhecido com quem estou a fim de falar, enfim, farei tudo o que tenho vontade e normalmente não faço, porque sou medrosa demais pra me arriscar e sair da bolha que construí em volta de mim mesma.

Sabe por quê? Porque, agora, eu prefiro quebrar a cara, me magoar, me arrepender por ter usado tal roupa ou colocado aquele batom escuro, do que ficar pensando em casa: "E se eu tivesse feito isso ou aquilo". Porque é muito mais fácil você ficar na sua bolha, é muito mais fácil você não se magoar, não passar vergonha; mas aí qual a graça e o ponto de se viver? Viver é se arriscar. Viver é errar, é quebrar a cara. E é aprender com todas as experiências.

Por isso, como primeiro passo, ao invés de não publicar esse texto, como provavelmente eu faria, antes, pois ficaria pensando como ele tava ruim e confuso ou qualquer coisa, eu vou contar até três e vou publicá-lo. Porque a gente ta aqui pra falhar, pra se frustar, pra recomeçar, pra rir do que passou e ser feliz por tudo isso.


23 novembro 2013

E o amor também está em versos


Ou: sobre músicas que me derretem o coração.


Uma das coisas que mais gosto de fazer no mundo é me apaixonar. Adoro o frio na barriga, a expectativa. O jeito que o coração palpita quando os olhares se encontram, o corpo sem jeito, o suor frio e tudo o mais que todo mundo - ou quase - já ta cansado de saber. Mas, faz um tempo já que isso não acontece, acho que é porque to tão vidrada em outras coisas da minha vida que não to conseguindo arranjar tempo pra olhar pros lados. Porém, contudo, todavia, eu to morrendo de amores por gente que é apaixonada e está apaixonada e to com saudades de sentir tudo isso, admito. Por isso, resolvi, hoje, fazer uma playlist de músicas que gosto de escutar quando to amando/ pensando no dito cujo do momento, ou, simplesmente, músicas que acho fofas demais porque me dão mais vontade ainda de sentir tudo isso e muito mais. Ai, gente, como to romântica! 
                                 

                                                           Mas você sorri desse jeito from Beatrizt on 8tracks Radio.


Observação: Eu poderia ter colocado mais músicas, mas achei que ficaria chato colocar muitas. E, também, já são 04:20 da manhã, ou seja, preciso dormir. 
Observação²: Amor não-correspondido é ruim, eu sei, mas passa. Então, bola pra frente e vamos nos apaixonar por gente que também é apaixonado pela gente, porque assim é mais divertido. (Fácil desse jeito mesmo) 

06 novembro 2013

E só de te ver

Seus olhos me engolem.
Então, me perco;
E me acho. 
Seu sorriso me transborda.
E me abraça suavemente;
Me acolhe na escuridão;
Me acalenta. 
Sua pele me transporta. 
Então, me perco.
Seus lábios suavemente me dão paz.
E guerra. 
Suas mãos no meu rosto delicadas. Amáveis. Ansiosas. 
Flutuo. 
Seu gosto. Seu cheiro. 
Silêncio. 
Desejo.
Sua voz me perguntando o nome do meu livro preferido.
Sua voz falando meu nome. 
Seus dedos entrelaçados aos meus. 
Seu pé gelado quando encosta delicadamente na minha perna. 
O cabelo desgrenhado, meio grande ou meio curto. 
Seu dente da frente meio torto e meio amarelo. 
Suas marcas.
As três palavras pronunciadas pela sua boca. 
E seus olhos me engolem. 
Silêncio. 
Você. 

Então, acordo. 
Mas, volto a dormir pra sonhar contigo de novo. 



01 novembro 2013

Sinônimo

Talvez as coisas aconteçam por um motivo. Talvez, não, eu sei que assim é. Mas saber disso não diminui o peso de algumas coisas que acontecem na vida. Saber disso não faz o fardo ser mais leve e, muito menos, menos dolorido. Porém, acho que a vida, com o tempo, fica mais lidável acreditando-se nisso. Porque há a esperança de coisas melhores acontecerem futuramente e, como já disse o Presidente Snow, “Esperança é a única coisa mais forte do que o medo."

Infelizmente, a morte, para mim, é uma coisa não lidável. Principalmente a sua morte. E mesmo acreditando no "Nada é por acaso", pensar em futuro agora é insensatez, porque eu choro ao pensar que não te verei mais. E também quando lembro que não correremos juntas, com você pulando de felicidade ao meu redor como se fosse um bode, assim como sempre falei pra você. Também choro quando lembro da sua carinha de feliz quando me via entrar e falar com você; ou quando você levantava as patas pra eu poder te alisar melhor. E até quando ficava brava e fingia que ia me morder por pegar suas orelhas e ficar tapando seus olhos. 

Sei que nada será capaz de arrancar essa dor e essa saudade de dentro de mim. Porque quando chego em casa, a primeira coisa que faço é procurar por você, inconscientemente. E quando penso naquele biscoito que sobrou e penso em te dar, lembro que você não está mais. Ou quando me sinto triste demais e a única coisa que quero fazer é agarrar você, conversar e rir da sua carinha de pidona quando me atrevo a levantar pra sair de junto de ti. E me lembro de quando você ficava doente e eu te tratava como minha paciente mais importante. 

Penso em toda alegria que você levou consigo e lembro do seu rosto tentando se encaixar nas minhas mãos. E de quando você fazia algo errado e ficava com cara de culpada. E lembro que você me fazia feliz, então tento afastar a tristeza. Mas, ver outros cachorros me lembra você, ver sua foto no meu celular me arranca um pedaço, pensar em viver uma vida sem você dói do dedo mindinho do pé até o último fio de cabelo. Por isso, eu tento não pensar, mas não pensar em você, amor da minha vida, é como não amar você, é impossível. É dolorido. É confuso. É desconcertante. 


Eu sei que essa é a lei natural da vida e que você se foi serena, depois de eu passar um tempo conversando contigo e fazendo carinho nos seus pelos dourados com todo o amor que existia em mim. Mas, amor é amor. E eu te amei demais, em cada minuto da minha vida, desde que te conheci, desde que você me olhou com aquela cara assustadora de brava, mas se recostou em mim pedindo carinho como a criatura mais doce que você sempre foi. E você foi mais que amada, você foi e, ainda, é parte da família Tavares. Foi, também, amada por todo mundo da rua que passava e ficava babando no seu charme e rebolado quando te levávamos pra passear, amada por ser linda e amorosa com todo mundo. Teu nome, aqui, na rua, nas nossas vidas, Tekila, virou sinônimo pra amor e não pra bebida. O mais puro e verdadeiro amor. 

Amor. 
Tekila.

22 setembro 2013

Feche os olhos e pense em algo bom

O tempo passa. O cabelo cresce. Os pés já andaram mais do que imaginávamos. As responsabilidades aumentam. O medo bate na nossa porta. O mundo nos cobra. E, então, a gente cresce.

Passei um tempo distante daqui porque eu estava em uma autodescoberta;  sinceramente, estava naqueles momentos introspectivos que a gente às vezes tem que se permitir pra poder analisar o que estamos fazendo da nossa vida e o que queremos fazer a seguir. Pelos textos antigos, vocês podem perceber que eu estava meio fora de mim, muito confusa, com medo, triste e mais um turbilhão de emoções juntas. E esse tempo pra mim foi imprescindível, eu me descobri no meio da minha bagunça, procurei lá dentro, arrumei as coisas, fiz a tão amada faxina que falei num dos posts anteriores e aqui estou.

Mais leve, mais equilibrada, mais alegre e com a certeza de que tudo acontece no tempo exato.

Pensando no que eu era há um, dois anos atrás, eu percebo a diferença da pessoa que eu era pra essa pessoa que eu me tornei. Sem querer, e, talvez, até sem perceber direito, eu cresci, amadureci e me tornei alguém melhor, com mais fé na vida e nas pessoas.

Não posso dizer que crescer foi fácil, acho que nenhuma mudança é, mas foi libertador demais. Agora, sim, eu percebo que todas as lágrimas não foram em vão, que as dores de saudade foram necessárias, que os risos desesperados também e tudo o que passei. Nada foi por acaso. Tudo aconteceu pra que eu me tornasse alguém melhor, mais forte, mais acreditada e serena.

É uma paz. É a certeza de que a vida é perfeita, mesmo que tenha algumas dores. É a serenidade de saber que tudo vai acontecer no momento certo. É a força de compreender que pra conseguir o que eu quero, tem de haver luta. É amor. Amor pela vida, pelas pessoas, pelos lugares, pelas lágrimas, sorrisos, abraços, dores, alegrias, pela natureza, livros, palavras, pelo vento que bagunça o cabelo, pelos pés machucados, mãos sofridas, olhos. É amor, acima de tudo, pelo que se é.




21 agosto 2013

Sobre ser muitos e, no fim, ser ninguém


Eu sairia todos os sábados pra dançar ou estaria me afogando em solidão; talvez estivesse fazendo um intercâmbio na Europa e conhecendo lugares e pessoas incríveis em outras línguas, e minha comida preferida não seria uma que eu nem sei o que é exatamente. Talvez eu estivesse na Disney nesse momento e nunca tivesse conhecido meus amigos, ou nunca tivesse tirado 10 pela primeira vez em física. Estivesse cursando odontologia e, consequentemente, estivesse morando sozinha em uma cidade desconhecida, cozinhando, lavando louça e limpando a casa. Ou nunca tivesse lido os meus livros preferidos e não gostasse de ler, nem de assistir filmes e seriados, nem de fechar os olhos ao ouvir aquela música. Nunca tivesse ido a um show de um hermano, ou tivesse assistido ao nascer do sol na praia com as pessoas mais queridas da minha vida. Se algumas pessoas tão importantes nunca tivessem partido, ou se não tivesse gargalhado inúmeras vezes até a barriga doer; se eu tivesse aceitado aquele pedido de namoro, e não tivesse me apaixonado por biologia. Talvez eu estivesse em um barzinho agora ao invés de estar aqui escrevendo, ou estivesse trabalhando em uma loja de cds. Meu cabelo seria ruivo, e teria uma tatuagem mostrando o meu amor por borboletas, se eu não tivesse feito cada uma das minhas escolhas.

Se eu não tivesse escolhido ler "O diário de Anne Frank" ao invés de "Ensaio da loucura", ou não tivesse assistido a "Being Erica", ou não tivesse escolhido fazer medicina, quem eu seria hoje? O que eu estaria fazendo? Qual o resultado das minhas ações e das minhas escolhas?

"Nós não podemos voltar atrás, por isso é tão difícil escolher. E você tem que fazer a melhor escolha. Enquanto você não escolhe, tudo é possível. "


Depois de meu amigo recomendar e falar maravilhosamente bem de um filme, resolvi dar uma chance pro dito cujo, e resolvi assisti-lo em um dia de procrastinação causado por um resfriado super violento. O filme é "Mr. Nobody", que conta a história de Nemo Ninguém, homem mais velho, de um futuro não muito distante, que tem 118 anos, e é uma incógnita numa sociedade em que as pessoas são imortais e ele é o único e último mortal convivendo em sociedade. Então, um doutor começa a estudá-lo, embora Nemo não consiga se lembrar claramente de sua vida, o médico começa a fazer perguntas do tipo "quem é ele, qual seu nome e como foi sua vida".

Sem obter respostas claras, o médico resolve usar um antigo método, a hipnose. À partir daí, Nemo começa a relembrar de várias existências dele, reais e imaginárias. E nós não sabemos realmente qual delas é a real; são mostradas várias situações em cada uma dessas existências e a confusão que às vezes paira, até mesmo sobre Nemo, à respeito de qual é a sua verdadeira vida. À partir disso, surgem inúmeras reflexões sobre de onde as coisas surgiram, como irão terminar, de onde viemos, por que estamos aqui, quem somos e o que seremos no futuro.




O filme começa a explorar as questões filosóficas do mundo, as escolhas que fizemos e as que deixamos de fazer em determinados momentos da nossa vida. Ele gira em torno desses grandes talvez, sobre o que poderia ou não ter acontecido quando você decidiu tomar sorvete de napolitano ao invés de ter tomado o de morango. E, confesso, o início é bem confuso, mas depois você começa a se questionar a respeito do universo, das pessoas, das suas escolhas, das sua própria existência e percebe que tudo se encaixa perfeitamente e, assim, você começa a se identificar com a história.



Além do mais, há um questionamento sobre o que estamos fazendo com o tempo que passa mas não volta atrás. Há menções à teoria das cordas, dimensões paralelas e etc. Basicamente, o filme é uma teia de questionamentos que todo mundo, um dia, já teve ou vai ter. E mostra que nós somos a consequência das escolhas que fizemos, das relações que temos, daquilo que gostamos e não gostamos e, ainda, deixa como reflexão que tudo é possível até sermos capazes de decidir o que faremos em seguida. Por isso, ele me lembrou muito a música "O velho e o moço" de los hermanos, que também fala basicamente que somos o resultado das nossas escolhas e somos quem somos hoje porque, naquele dia ensolarado, resolvemos ir á praia ao invés de ter ido ao shopping.

"Sr. Ninguém" é muito mais que uma fotografia extraordinária ou uma ordem cronológica intrigante, ele é um questionamento do que realmente somos, daquilo que queremos ser e seremos em um futuro não muito distante. E o que estamos fazendo com nossa vida, quais escolhas estamos fazendo e o que somos como consequência de momentos que vivemos e de pessoas que conhecemos e passamos a viver com. Vale como reflexão para tentarmos nos entender e nos questionarmos mais, mesmo que no fim tudo vire um embaralhado de perguntas e teorias aleatórias, sobre o nosso papel no planeta Terra, na vida das pessoas e no universo.



"Tudo poderia ter sido outra coisa, e seria um elemento igualmente importante."

31 julho 2013

Esvaziei a mala

Meu quarto ta uma verdadeira bagunça. Meu guarda-roupa, então? Um caos. Não sou fã de desordem, mas confesso que já faz um tempo que ta tudo assim e eu não to fazendo muita questão de arrumar, botar pra lavar, jogar fora essa coisas que estão entulhando e já não servem mais. Li uma vez, não sei onde, que a vida da gente é uma metáfora pra história do guarda-roupa ou, ao contrário, como queira, e sempre tem aquele momento que as roupas velhas não encaixam mais em você, na sua vida. Por isso, você as doa, joga fora, porque elas não podem e nem devem mais fazer parte da sua "nova" realidade.

Nunca fui muito boa com customização, ou seja, comigo ou serve ou não serve. E eu demorei um pouco pra perceber isso, porque é muito mais fácil a gente ficar levando a vida sem tirar as roupas do chão, sem arrumar as gavetas e sem se desapegar das roupas que foram parte da nossa vida e nos acompanharam em momentos tão cruciais que a gente vai adiando, adiando, acreditando que  ainda vamos usá-las se fizermos alguns ajustes, se colocarmos umas tachinhas, uns enfeites. Mas, eu nunca volto a usar estas roupas do mesmo jeito que as usava antes, porque elas já tinham o que dar. E deram.

E eu me renovo sempre, e enjoo muito fácil das coisas. Então, não, as roupas não servem mais em mim e eu não vou voltar a usá-las. Não adianta eu mentir, tentar me ludibriar, tentar consertar as coisas, dizer que elas podem, sim, fazer parte da minha vida de novo, porque eu sei, lá no fundo, que eu não me contento com metades, nem com coisas usadas, surradas, sofridas.

Mas, sempre tem aquela blusa que marcou o melhor abraço da vida ou a melhor dor de barriga depois de uma risada, e essa é a mais difícil de jogar fora. Por isso, eu estava preferindo deixar as coisas largadas, esquecidas, pra que eu não precisasse me desfazer dessa, especialmente. Porque dói jogar fora as lembranças que aquela blusa traz consigo, e os beijos, os suspiros e tudo o mais que vêm como consequência da existência dela na minha vida. Só que ela, ali, ocupando espaço, onde deveria haver outra, também não está me fazendo bem, porque nem ela me completa e nem deixa nenhuma outra me completar.

E eu não me contento com metades, nem com migalhas. Eu quero tudo. Eu sou muita intensidade e preciso de mais do que ela poderia me dar. Eu preciso de uma nova, sem mágoas, sem dores, sem rasgos. Eu preciso de mais, demais.

Por isso, agora eu vou apanhar as roupas do chão e colocar as que estão no guarda-roupa pra lavar, as que já não me servem mais são pra doar. Eu sempre demoro a arrumar o quarto, mas quando arrumo, faço uma faxina geral. Ta na hora de esvaziar a mala, como diz o poeta, e ir enchê-la com "sensações novas, situações novas, pessoas novas. Tudo novo"




23 julho 2013

2 tags em um só post



Ou: gosto de economizar até aqui.

Depois de passar bem mais que um mês longe daqui, resolvi que preciso sacolejar esse lugar, porque ó dificuldade essa vida de gente sem criatividade. Para começar bem esse processo, venho aqui com duas tags super fofura que as lindas da Paloma e da Manie me indicaram. Talvez, esse post fique um pouco grande, porque as tags são relativamente extensas, mas vou tentar resumir ao máximo, juro.

A primeira, a Paloma me indicou muito gentilmente, fiquei super feliz! Ela consiste em responder algumas perguntas pessoais e sobre o blog e se chama: "TAG: Rapidinhas". Let's go!

Tag: Rapidinhas
1. Como escolheu o nome do blog? 
Sou uma pessoa muito "criativa", então retirei o nome do meu tumblr que eu escolhi através da música de Marcelo Jeneci, felicidade.  "E se chover, deixar molhar..."

2- Há quanto tempo tem seu blog? 
Olha, faz um bom tempo que tenho blog, mas o "Deixa molhar" mesmo faz uns 2 anos.

3- Como você divulga seu blog?
Eu, sinceramente, não divulgo, porque sou muito tímida e ainda estou aprendendo a controlar essa timidez.

4- Quais os assuntos que tem mais visualizações no blog?
Eu realmente não sei, porque os posts com mais visualizações têm varias imagens, então por isso são mais visitados através do google.

5- O que motivou você a criar um blog? 
Sempre fui nerd, então queria ser ótima em redação. E, quando eu era oitava, eu era péssima, então meu professor de redação me deu a ideia de criar um blog e começar a escrever, desde então não parei mais.

6-Você mora onde?
Recife - Pernambuco

7- Quais os seus objetivos com o blog?
Só continuar postando e com mais regularidade.

8- Quais blogs você visita frequentemente? 
Os que estão no meu blogroll aqui do lado e alguns outros.

9- O que te inspira a criar posts? 
La vida, situações que presencio, coisas que me chateiam, me deixam alegre e etc.

10- Qual sua idade?
17 anos

11- Além do blog, tem outras ocupações? Se sim, quais? 
Sim, sou vestibulanda de medicina e to cansada, gente, desabafo aqui.

12- O que mais gosta de fazer nos finais de semana?
Olha, eu adoro fazer nada. Amo mesmo, de coração. Mas também gosto de me encontrar com los friends, assistir filmes, seriados e dormir. Adoro dormir. Não vou dizer que leio nos finais de semana, porque quase nunca leio neles.

13- Gosta de café?
Gosto de café com leite somente.

14- Pretende fazer algo pro blog em 2014?
Sim, to pensando o que ainda.

Ta acabando, calma.

Agora, a segunda tag que a fofíssima Manie me indicou, que é a Tag: 10 books.
Observação: Vou colocar o link dos livros no skoob.
Observação²:  Não vou falar muito sobre os livros, vou colocar umas quotes que mais me marcaram.

REGRAS:
Citar o nome de 10 livros que gostei;
 Indicar 10 blogs para responder;
 Avisar aos blogs indicados;
Falar qual blog lhe escolheu.


1- Quem é você, Alasca?: Não sei se já disse aqui, mas o John Green é mais que demais (sou fã) e esse é um livro que mostra exatamente por quê isso. Tão simples, emocionante, sensível...

"Se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem."

2- A culpa é das estrelas: Só pra reforçar o quanto admiro o John, tem mais um livro especialmente extraordinário aqui na lista, que eu acho que todos não deveriam morrer antes de lê-lo.
A tristeza não nos muda, Hazel. Ela nos revela.”    


3- Extraordinário: Esse é um dos livros que está fazendo meu ano de 2013, literalmente falando, valer a pena. 

"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo"

4- A menina que roubava livros: Outro autor que tem lugar reservado no meu coração é, com certeza, o Markus Zusak. Sou completamente caída de amores por esse livro. 

"Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito."

5- Eu sou o mensageiro: Quando o li pela primeira vez, esse livro mexeu demais comigo. Lembro de parar muitas vezes, durante a leitura, pra refletir minha vida e o livro em si. 

"Às vezes as pessoas são bonitas. Não pela aparência física. Nem pelo que dizem. Só pelo que são."

6- O diário de Anne Frank: Esse livro mexeu demais comigo, porque ele é muito duro, sincero. A Anne conseguiu, através de suas palavras, mostrar a dor de toda uma raça, o sofrimento e, ao mesmo tempo, conseguiu mostrar a sua sensibilidade, sua esperança de um mundo melhor.

"Enquanto ainda há disto, pensei, um Sol tão brilhante, um céu sem nuvens e tão azul, e enquanto me é dado ver e viver tamanha beleza, não devo estar triste. Para qualquer pessoa que se sinta só ou infeliz, ou que esteja preocupada, o melhor remédio é sair para o ar livre, ir para qualquer parte, onde possa estar só com o céu e com a natureza, e com Deus. Então compreende que tudo é como deve ser e que Deus quer ver os homens felizes no meio da natureza, simples e bela. Enquanto assim for - e julgo que será sempre assim - sei que há uma consolação para todas as dores e em todas as circunstâncias."

A Luna me entende, gente

7- Harry Potter e a pedra filosofal: Confesso que esse não é o meu preferido da série, mas para ler o resto, você precisa ler o primeiro, certo? Então, acho que todo mundo deveria ler Harry Potter, sendo jovem ou velho, realmente não importa a idade, porque essa série é umas das melhores que já li disparado.

"Não tenha pena dos mortos, Harry. Tenha pena dos vivos, e acima de tudo, daqueles que vivem sem amor"  Alvo Dumbledore

8- As vantagens de ser invisível: Um dos melhores livros que li ano passado e o filme também só veio a acrescentar. Sensível, apaixonante, doído...

Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas.”

9- Dom Casmurro: Acho que foi um dos primeiros livros que li por causa da escola e amei de paixão. Foi o responsável por retirar da minha cabeça que literatura brasileira não é tão bom quanto literatura estrangeira. 

"— É pecado sonhar ? 
— Não , Capitu. Nunca foi.
 — Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos ?
 — Divindade não destrói sonhos, Capitu . Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer"

10- 1984: Um dos livros mais incríveis que já li, uma crítica ferrenha às sociedades totalitárias e às formas de poder. Livro pra se pensar, escrito há um bom tempo atrás, mas com questões e reflexões ainda atuais. Magnífico, magnífico. 

“No fim, o Partido anunciaria que dois e dois são cinco, e todos teriam que acreditar. Era inevitável que o proclamasse mais cedo ou mais tarde: exigia-o a lógica de sua posição. Sua filosofia negava tacitamente não apenas a validez da experiência como a própria existência da realidade externa. O bom senso era a heresia das heresias. E o que mais aterrorizava não era que matassem o cidadão por pensar diferente, mas a possibilidade de terem razão. Por que, afinal de contas, como sabemos que dois e dois são quatro? Ou que existe a lei da gravidade? Ou que o passado é inalterável? Se tanto o passado como o mundo externo só existem na mente, e se a mente em si é controlável… então?”



ADIÓS, GENTE LINDA!

Observação³: Quem quiser fazer as tags, sinta-se à vontade!!!

15 julho 2013

Nem os ventos

Hoje é dia 28. E eu não disse adeus. As coisas têm estado confusas, acho que não sou mais quem queria ser há 8 anos atrás. Aqueles eram planos tão bonitos e eu  os enfiei na gaveta e os esqueci lá. Não sei se quero contar os meses e os anos mais, as coisas têm estado estranhas, repito. Você levou consigo uma parte importante da minha vida, você me tirou você e toda a calmaria que os ventos traziam contigo. Não sei se os tempos são agradáveis, só sei que ando meio perdida.

Não canso de repetir que a vida é efêmera, porque essa palavra é bonita demais pra não ser dita ou dita só ás vezes, ela traz consigo muita verdade, muita dureza e ela tem que ser parte integrante da vida de todo mundo. Me lembro de você escorregando por seus lábios tamanha palavra e eu te olhei naquele instante e pedi pra você repetir, mas você riu de mim e se perdeu por entre as estrelas que estavam olhando a gente. Aí você não repetiu, e eu engoli o gosto de quero mais. Por isso, deixa eu repetir no teu lugar, a vida é efemeramente efêmera e difícil demais, às vezes, de aguentar, mas é bonita, acredite em mim.

Hoje à noite, me deu vontade de dançar aquela sua música preferida e cantar aos sete ventos como costumávamos fazer. Ainda lembro daquele dia que passamos a madrugada inteira na praia, e dançamos, e cantamos, e rimos do mundo, de nós e da vida. Que ironia essa ter sido a noite em que eu tive absoluta certeza de que a gente era infinito demais pra ser só nós, porque, ali, eu descobri que ser só eu e você era suficiente pra mim. Mas, os mesmo ventos que te trouxeram, levaram sua infinidade com eles, porque eles tiveram inveja de mim.

Admito, eu me vi perdida depois daquela noite. E quando pude assistir o sol nascendo bem na curva do seu sorriso enquanto você dormia, todo sujo de areia, ali, sim, eu tive certeza de que você era a coisa mais bela que Deus poderia ter colocado no mundo e, mais precisamente, na minha vida. Eu sabia que não merecia aquilo, nem por um segundo ou minuto, mas eu te quis com todos os dentes tortos e com todas as unhas roídas e deixar você ir já era impensável demais pro meu coração. Então eu me joguei naquela aventura e naqueles olhos castanhos que eram, para mim, labirintos.

Então, como eu disse antes, os ventos perceberam que eu não merecia aquilo tudo e te tiraram de mim. E foi dolorido demais pensar em nunca mais poder tocar teu rosto ou nunca mais sentir a suavidade dos teus lábios, foi dolorido demais pensar que nunca mais veria a profundidade dos teus labirintos e nem sentir o cheiro que você tinha - que era seu demais pra ser de outro alguém e por isso nunca soube o que era. E todas as vezes que rimos e nos olhamos como se a gente fosse muito mais que dois, mas um só sendo infinito. E aí os ventos te levaram do mesmo jeito que te trouxeram.
E eu chorei demais.
E eu sofri demais.
E eu esqueci todas as promessas, todas às vezes em que decidimos ser artistas juntos e até a casa em que decidimos morar.
E eu enfiei todos os planos no fundo da gaveta e me tornei alguém que eu não sei quem é.
Não mais.
Não sei se esses são tempos agradáveis...
Só sei que
Nunca pude te dizer adeus.



24 maio 2013

Eu, diabos, sendo Zoe Hart

Não é a toa que prefiro uma tarde comendo pipoca no cinema, assistindo a um bom filme do que a uma rave de mil e um dias. Não me leve a mal, acho que não é segredo pra ninguém aqui que eu gosto de festas, danças, música, shows e diversão; mas isto com absoluta certeza não é a minha forma preferida de diversão.  Então, ontem, depois de muito adiar, assisti a um filme que mofava na minha lista de "Quero ver" do filmow e agora eu me pergunto "Por que demorei tanto pra assisti-lo?".

Sabe quando algo te toca lá no fundo da alma, te compreende e parece que foi feito pra você? Pronto, essa foi/é a minha relação com esse filme. Pra ser sincera, eu acabei de terminá-lo e me achei no dever de vir aqui falar não somente sobre ele, mas sobre ele e sobre a vida. Típico daqueles momentos que você se transcende. Típico de quando guardar só pra você já não é suficiente.

Não é novidade pra ninguém que to naquele momento de crise existencial; to tentando sair dessa fossa, mas, juro, essa fossa não quer sair de mim. Naquele momento da vida que a força que rege meus movimentos é a inércia, to bem banda levou, sabe? E não estou me sentindo nada bem com essa situação, porque eu simplesmente sei o fim dessa história: Mais um ano de cursinhos, stresses, dores de cabeça, choros, inseguranças e despesas mil. Outra coisa, eu sou nerd e sempre fui. Ou seja, ficar uma tarde inteira procrastinando é bem válido, mas esse tempo todinho que deveria estar estudando e não estou ta acabando comigo, me fazendo sentir mais lixo, mais acabada, mais desestimulada.

Aí você me pergunta "Onde, diabos, entra um filme aí?" e eu respondo que uma das minhas personagens preferidas não é minha preferida por acaso, mas, sim, porque eu e Zoe Hart temos mais em comum do que qualquer outra personagem: nós precisamos que algo bata na nossa porta e diga o que estamos fazendo de errado, nós refletimos a vida e agimos, às vezes, até, por impulso, porque nós estamos sempre em busca de saber quem realmente somos e o que realmente queremos. Então parte (maioria) das minhas reflexões vem de livros/filmes/experiências de personagens, e num desses momentos de reflexão, ou seja, em uma noite de quarta, enquanto me deliciava assistindo a esse filme, eu percebi que eu não quero crescer. EU PERCEBI QUE NÃO QUERO CRESCER. Em letras maiúsculas, porque essa foi uma das maiores descobertas que fiz esse ano, enquanto me emocionava vendo uma menininha sendo tão adulta a ponto de perder toda a diversão da vida se relacionando com uma adulta totalmente criança, que acredita que a vida é só diversão.



Vamos colocar os pingos nos "is", eu estava assistindo a "Grande menina, pequena mulher". E eu preciso dizer que esse filme não é somente sobre as duas garotas, tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, dizer isso seria restringir a magnitude de um filme que foi capaz de me arrancar do lugar de conforto em que estou pra bater na minha cara e dizer: "O que você ta fazendo da sua vida?". Dizer isso seria diminuir, se não menosprezar, algo que foi tão fundo lá na minha alma que eu me vi sendo não somente a Molly, mas a Ray também. Dizer isso seria acabar com a magia de algo que parece que foi feito pra mim e, consequentemente, foi passado/assistido exatamente no momento em que estava precisando, de cada palavra, cada cena, cada emoção.

Esse filme é sobre a vida, sobre ser, sobre amor, medos, amadurecimento e sobre mim. Sim, ele é sobre mim, porque eu me vi sendo a Molly ao tentar fingir que nada havia mudado, eu me vi sendo ela ao tentar viver a vida sem querer pensar muito em todas as responsabilidades que o mundo impôs no decorrer do tempo, sem aceitar que em um momento nós temos que crescer. E, consequentemente, sem aceitar que a hora de crescer já chegou, porque crescer dá muito trabalho, dor de cabeça, traz consigo inúmeras responsabilidades e é cansativo demais. Mas é necessário. E é ai que entra a Ray, tão criança, mas tão sem infância, com todas suas responsabilidades, tendo que encarar a vida sem a ajuda daqueles que supostamente deveriam ensiná-la a viver, com suas carências e solidão. E juntas elas se completam, porque ambas têm algo em comum: o medo. Medo de crescer, medo de se importar, medo de amar, medo de responsabilidade, de diversão; elas têm medo, assim como todos nós, suponho. Eu tenho medo. De mais ou de menos, que seja, mas medo, acima de tudo, de viver.

E ver isso estampado na minha cara de tacho ao terminar o filme, enquanto ria e chorava com o final genial e esclarecedor, foi de tremer todas as minhas bases, porque eu sabia que algo estava errado comigo, mas saber que esse errado era o medo de sair dessa fase ensino médio pra fase faculdade foi libertador demais pro meu coração. Foi como se eu tirasse todo um peso dos meus ombros. Foi um passo gigantesco pra que fosse possível sair desse marasmo em que me encontro, foi a certeza de que isso que to passando é passageiro e foi a certeza de que o que me encontra lá na frente vai ser bem difícil, mas eu vou ser capaz de superar. Porque crescer faz parte, chorar, rir, achar que nada vai dar certo, ter medo do inesperado, se sentir inseguro também; mas o mais importante é acreditar, acreditar no amanhã, em dias melhores e acreditar que é possível, tudo e muito além.




"Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou." Heráclito 


07 maio 2013

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é

 

Sou muito tímida, pra não dizer extremamente tímida. Desde que eu me entendo por gente não consigo falar normalmente com estranhos e nem com alguns familiares; na verdade, às vezes minha timidez fica tão séria que nem olhar nos olhos da pessoa eu olho. Já fiz terapia pra ver se a coisa podia melhorar, mas não deu muito resultado. Então o que me restou foi aprender a conviver com ela e tentar contorná-la aos poucos, puxando um assunto aqui, dando um sorrisinho pra estranhos ali e etc.

Minha vida começou a ser uma infinita sensação de estar prestes a entrar no palco pra me apresentar, aquela sensação na barriga,  um enjoo, um medo… Porque qualquer situação fora do normal me apavorava, minha vida era ir pra escola, ir pra terapia e voltar pra casa, qualquer coisa além disso me bagunçava os nervos e eu travava. Então, como consequência, tenho pouquíssimos colegas e amigos. Amigos esses que, Thanks God!, tiveram paciência e esperaram pra ver quem eu realmente sou lá no fundo, por trás de tanta vergonha.

Não preciso dizer que eu odeio ser tímida, também não preciso dizer que isso me atrapalha e já me atrapalhou milhões de vezes. O que eu mais escuto são pessoas que me dizem pra não ser tímida, me soltar mais, ser mais leve… Juro, se fosse algo que eu pudesse simplesmente desligar, eu o faria imediatamente e sem nenhum dó.  Mas a coisa não é tão simples assim, não existe um botão que me faça tagarelar ou puxar assunto com alguém ou sei lá mais o que que alguém normal faça.

Por que estou falando sobre isso? Porque de uns tempos pra cá, depois que eu comecei a fazer um curso pro vestibular (relativamente longe de casa), eu me deparei cara a cara com a minha falta de tato quando o assunto é relacionamento entre pessoas e novidades. O curso cheio de gente desconhecida, um lugar antes nunca explorado por mim, pessoas de todo tipo e eu, mais uma vez, incapaz de manter uma conversa com qualquer que seja.

Por causa disso e outras coisas (claro), eu estou naquele momento da vida que to desejando ser alguém que não eu. Estou desejando ser alguém mais leve, extrovertido, simpático, carismático, natural. Eu estou desejando, desesperadamente, não ser mais eu. Não ser intensa (porque eu descobri que intensidade é sinônimo para Beatriz), não ser neurótica, insegura, medrosa, não ser do tipo que fica criando diálogos na cabeça, ao invés de estar dialogando de verdade, perfeccionista, não ser fraca, dramática e etc.

Eu não preciso dizer que to sofrendo por ser assim como eu sou, to chegando a conclusão que vou ter que fazer terapia pra sempre e se as coisas continuarem desse jeito, também to chegando a conclusão que vou morrer sozinha e no meu enterro não vai ter ninguém. (ok, drama)

Apesar disso tudo, eu preciso agradecer, nem tudo é ruim, a God por ter colocado paciência em pessoas que hoje são tão especiais na minha vida, porque me aguentar deve dar uma dor no duodeno e esperar um bom tempo até conquistar minha confiança para que, assim, possa conhecer a verdadeira eu deve ser um saco. Além do mais, tenho que agradecer por essas pessoas serem tão especiais que são capazes de dizer coisas tão lindas, como o quanto eu sou especial por ser exatamente como sou, tímida e intensa. Sou grata por Deus ter colocado pessoas tão incríveis de lindas na minha vida, poucas, mas que valem por um milhão.

Então, no fim das contas, eu percebo que dói ser eu, mas às vezes é muito bom.

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07 abril 2013

É só questão de ser


O dia estava de um nublado misterioso, as árvores chacoalhavam ao som de uma brisa anunciando a chuva forte que estava para vir. Não havia ninguém na rua. Ninguém que estivesse se enxergando um ao outro, pelo menos. As pessoas estavam sentadas em bancos aleatórios, sozinhas. Todas possuíam aquele olhar, o olhar de quem já não tem mais nada a perder. Havia tristeza pairando sobre aquelas que, solitariamente, estavam acompanhadas.
A grama estava verde.
O parque estava vazio, vazio de gente sendo gente.
Para qualquer olhar a que se dirigisse, não havia uma centelha, sequer, de ternura, compreensão, amor, gentileza, esperança.
Exceto por aquela que, lenta e esperançosamente, girava tentando encontrar olhares a que se acolher, a que se interver e, portanto, olhares nos quais houvesse um mínimo de algo que não o nada.

Aos poucos, ao caminhar, embora o parque estivesse cheio de um vazio imensurável, ela, com suas flores, foi iluminando o jardim, os olhares. Ao andar, ao ver tanta tristeza, ela contagiou as pessoas com o seu andar de menina moça, com seus cabelos esvoaçantes, com seu olhar de ternura.
Aos poucos, ela os transformou em amor.
E os libertou.
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Observação: Essa narração é a primeira de um projeto de 30 textos sobre situações diferentes e personagens diferentes. Pretendi começar esse projeto pra treinar mais e, ainda, não deixar o blog às moscas, porque o tempo não ta sendo meu amigo. E escrever contos e etc é muito mais natural, para mim. Então, toda semana, vou tentar escrever um texto sobre o assunto pretendido no desafio, depois coloco uma página com todos os assuntos dos textos.
Beijos!


23 março 2013

Como se não houvesse amanhã

Não costumo ir a festas, baladas, lugares muito cheios e afins; porque não gosto muito da multidão aglomerada, do barulho ensurdecedor e de algumas músicas que alguns Djs insistem em tocar. Porém, recentemente, ao ir para a formatura da irmã da minha amiga Bruna, mudei minha opinião a respeito de música alta feita para se dançar e festas DE VERDADE, diga-se de passagem.

Meu trauma com tais eventos é fruto das péssimas experiências que já passei nas festas que frequentei até meus 16 anos e, até, na minha própria formatura, aos 17. Nessas festas, baladas, discotecas, ou qualquer nome que você queira falar, as músicas predominantes eram do tipo: Bregas horrorosos, forró (até aceitável, mas não muito), funk e, recentemente, surgiu um novo tipo de que, na verdade, eu nem mesmo sei qual é o estilo, que são com letras com "novinhas" e outras barbaridades obscenas. Portanto, é perceptível de onde vem este trauma de lugares fechados com música alta e muita gente junta. Felizmente, uma luz no fim do túnel surgiu na minha vida.

Eu sempre gostei de dançar e viajar na música que, no momento, estou escutando ao mesmo tempo que danço. Por isso coloco os fones de ouvido quando o mundo ta muito pesado pra carregar e necessito de um intervalo que me faça querer continuar mais um pouco a caminhada e, então, danço. Danço muito. Sozinha. Na frente do espelho pra ser mais legal. E nesse momento eu me transporto, esqueço tudo que ta à minha volta e viajo. Mas isso nunca aconteceu em uma festa. Até esse ano.

Posso afirmar, categoricamente, que minha vida mudou depois que fui pra essa formatura, porque eu fiz tudo isso que faço sozinha em casa em uma festa, cheia de gente em volta e com nenhum pingo de vergonha (no começo eu estava meio sem jeito, mas depois me soltei). Agora você me pergunta por que isso aconteceu  em uma formatura, mas nunca em 16 anos de uma vida havia acontecido. E a resposta é muito simples: As músicas que tocaram eram realmente muito boas e, por isso, fizeram o favor de mostrar a mim que festas podem, sim, ser muuuito boas. Mesmo com gente bêbada do seu lado e com salto alto (sempre leve uma havaiana na bolsa) enquanto você pula loucamente ao som de complicada e perfeitinha, desejando que a música não acabe nunca e suas pernas aguentem mais um pouquinho, depois de cinco horas dançando sem grandes intervalos, você percebe que aquela foi uma das melhores noites da sua vida.

Por este motivo, pela minha libertação, pela minha, assim como fala meu pai, saída das trevas da ignorância para a luz do conhecimento, eu decidi fazer a lista das músicas que me fizeram sair do chão e ainda, me perder na sua letra. Logo abaixo vocês podem conferir algumas músicas que me fazem dançar e viajar ao escutá-las.


Dicotomia from Beatrizt on 8tracks Radio.


Beijos

10 março 2013

12 livros para 2013

Não sou o tipo de pessoa que  possui uma programação para ler ou já sabe direitinho aqueles livros que lerá no decorrer do ano. Pelo contrário, leio aquilo que, normalmente, se encaixa no momento em que estou ou, simplesmente, leio aquilo que me dá na telha no momento. Porém, como esse ano estou prestando vestibular, pelo segundo ano, para medicina, as coisas têm que ficar mais organizadas. Por causa disso resolvi fazer esse meme, para poder estudar, mas, também, não deixar de ler meu livros.



         "Divergente"                       "Marina"                      "A pirâmide vermelha"




                     "A extravagância do morto"              "1984"                            "Insurgente"




                           "Persuasão"               "Por isso a gente acabou"              "Morte súbita" 




                    "HP e a ordem da Fênix"  "HP e o enigma do príncipe"  "HP e as relíquias da morte"

Como já estou no mês de março, achei justo colocar 3 livros que já li correspondentes aos meses que já se passaram e ainda ao que ainda está passando. A maioria dos livros é emprestada como, por exemplo, toda a coleção de Harry Potter. Em relação aos livros de Harry Potter, fiquei meio em dúvida se colocava um representando toda a coleção ou se colocava os três que estou roendo as unhas para ler, então resolvi colocar os três que ainda faltam eu ler, porque estou me acabando na espera.
Depois de ver o vídeo da Michas sobre os 12 livros que ela queria ler, fiquei com uma saudade imensa do tempo que eu lia Agatha Christie, então resolvi pegar um dos livros que meu pai tem da Agatha e me interessei por esse. "1984 faz tempo que estou querendo ler, mas estava emprestado; já peguei de volta e, agora sim, vou ler. "Persuasão" é Jane Austen e Jane Austen é vida, então não poderia faltar nesse ano. "Insurgente" ainda vai lançar e é a continuação de "Divergente" que to doida pra que lance logo. "Por isso a gente acabou" faz tempo que leio resenhas só falando bem do livro, além do mais, o escritor é o mesmo da série "Desventuras em série" que é uma das minhas séries favoritas, então eu tenho que ler esse livro esse ano, impreterivelmente.

Eu espero, sinceramente, ler mais do que esses livros esse ano, mas, como eu não sei se vai dar tempo e nem sei como as coisas ficarão, fico, por enquanto, com estes e depois conto a vocês quais a mais eu li.

Observação¹: Esse post deveria ter saído há muito tempo atrás, mas o tempo não está colaborando comigo, por isso só estou postando agora, em meados de março.
Observação²: Eu queria tirar fotos dos livros, mas estou sem computador e nem todos os livros são meus, alguns são emprestados e ainda não estão comigo.

22 fevereiro 2013

Sobre o dia em que me transformei em palavras


Dizem que somos o espelho daquilo que nossos pais são; embora cada um carregue consigo suas próprias particularidades, muito do que somos se deve à nossa criação, à nossa convivência com as pessoas, principalmente com a família.  Desde pequena, escuto, a cada lugar que vou, que sou a cópia do meu pai, não somente fisicamente, mas também quando se trata de nossos hábitos, nosso jeito e modo de ver a vida.
Eu sou bastante parecida com ele, tenho que admitir. Somos tão parecidos que às vezes fico constrangida com tanta semelhança, porque ter o nariz da mãe e os pés da vó é uma coisa, mas pensar igual em uma determinada situação ou gostar da maioria das coisas que seu pai gosta é outra coisa totalmente diferente. Acho que parte da minha ideia de vida e amor é culpa dele, porque sempre o tive como referência para tudo e a todo momento. Ele me ensinou tudo o que mais gosto no mundo, já me ensinou filosofias, já brigou comigo por, assim como ele, “retirar” da minha vida alguém que fez algo que não gostei, já me ensinou a apertar a mão de modo respeitável, que a humildade foi o primeiro ensinamento de Jesus, que as coisas que gostamos de mais não são menos que FANTÁSTICAS e etc etc.
Então, é evidente que ele me ensinou uma das coisas que mais amo fazer no mundo. Ele me ensinou a ler e a amar fazer isso.
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Não me lembro exatamente quando foi o ano em que eu li, pela primeira vez, um livro que não fosse aqueles paradidáticos da escola sobre contos de fadas, mas lembro nitidamente o momento que meu pai entregou aquele que seria o meu companheiro até hoje. Sendo amante da leitura como é, meu pai sempre teve uma montanha de livros antigos que ele guardava desde pequeno e eu ficava os olhando e imaginando aquelas letras lá dentro, eu sentia um orgulho danado de ter um pai que soubesse ler aquilo tudo e eu queria ser assim, eu queria ser igual a ele.
Foi em um certo dia que ele apareceu com um livro azul de capa dura com “Clássicos da juventude” em vermelho escrito na capa. As páginas já estavam velhas, gastas pelo tempo. Ele me contou que aquele foi um dos primeiros livros que leu quando criança também e que, agora, quem iria ler seria eu. Me entregou aquele amigo como se aquelas páginas trouxessem nele tudo aquilo que viveu na época e eu me senti tão importante por ele estar compartilhando comigo aquilo que fui de maneira insana ao encontro do livro.
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Clássicos da juventude é uma coleção composta por: A Eneida, Beleza Negra, Comédias, Teatro Grego, Paulo e Virginia e Os três mosqueteiros (Até onde sei). O livro que eu li primeiro foi o Beleza Negra e eu me apaixonei, porque a edição é tão linda, a história me conquistou de um jeito único e no fim do livro me vi entregue àquilo que, eu tinha certeza, me acompanharia para sempre. Depois que li esse, não parei mais nunca e a cada vez que pedia um novo livro ao meu pai, eu me via ali, naqueles olhos, eu me enxergava sendo um dia, talvez, parecida com ele.
E a partir disso minha vida mudou. Não fiquei mais sozinha, nunca, viajei pra lugares inimagináveis sem nem sair do lugar, me diverti, me emocionei e virei uma pessoa melhor.
Porque eu me transformei em outra.
Eu me transformei em palavras.
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01 fevereiro 2013

Incerta volubilidade


Enjoo facilmente das coisas. Acho que tudo tem um prazo de validade, ou quase tudo. Como diria minha mãe, sou volúvel, e ao extremo. Então quando parei pra pensar no que queria fazer ao “crescer”, não somente uma coisa pairou em minha mente, mas milhares de coisas. Quero ser médica, astronauta, designer, dona de karaokê, irmã, mãe, amiga, quero consertar coisas, ser física, escritora, jornalista, crítica, quero conhecer de tudo um pouco.

A partir disso, pode-se dizer que escolher exatamente o que queria prestar no vestibular não foi tarefa fácil, para mim (embora pra quase ninguém seja). Me deparei com inúmeros quereres e a cada boa noite de sono mais uma alternativa aparecia. Com o tempo, eu percebia que eu queria ser eu, mas queria ser várias outras ao mesmo tempo e em dias diferentes. Ou seja, eu estava sendo volúvel, assim como era em todos os outros aspectos da minha vida.

Tantas opções me deixavam louca e desesperada. Porque ser eu em essência era o objetivo maior dessa busca e eu precisava me achar em alguma dessas opções.

Medicina, para mim, sempre foi uma forma de expressão. E, mesmo que eu tentasse negar, era ela que ficava martelando na minha cabeça desde minha pré-adolescência. Portanto, em um belo dia, quando resolvi me despir de todos os medos e inseguranças, eu abracei, descarada e sem nenhuma volubilidade, meu amor pela medicina. Não foi fácil. Escolher entre tantas outras coisas que – ainda- serei ou estudarei ou exercerei como hobbie. Mas mais difícil ainda foi encarar a estrada que ainda estava por vir.

Todos já estão cansados de saber que medicina até no Paquistão é concorrida e, portanto, difícil de entrar. Mas depois de abraçá-la completamente, isso era “só” um obstáculo, na minha jornada, para chegar no meu objetivo maior. Não vou dizer que nunca pensei em desistir, pensei, sim, e inúmeras vezes. Me perguntei também outras tantas se aquilo era realmente o que eu queria, se entre tantas coisas no mundo eu tinha escolhido a que verdadeiramente era eu.

Sou volúvel, sou efêmera. Mas não mais, pelo menos não em relação a essa certeza que tenho em relação ao meu futuro como médica. O caminho é longo, duro e cansativo, mas o amor é maior. Porque outra palavra não pode resumir o ato de ajudar ou salvar alguém, seja fisica ou psicologicamente. Daí eu descobri que ser médica é também ser escritora, é também ser designer, é ser astronauta, jornalista, amiga, porque amor é o resumo de todas essas e outras profissões.
Então eu me encontrei sendo tudo em uma só.
Porque, como diria Fernando Pessoa, “Eu sou muitos”

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24 janeiro 2013

Anjo mecânico – Cassandra Clare


Anjo Mecânico

Título: Anjo mecânico
Autor: Cassandra Clare
Editora: Galera Record


Sinopse:
Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Clare. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que é capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.


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Anjo mecânico é o primeiro livro da série “As peças infernais” da Cassandra Clare, é ambientado no século XIX e apresenta o mundo dos Caçadores de sombras e criaturas do submundo antes da série “Os instrumentos mortais”. Conta a história de Theresa Gray, uma americana de 16 anos, que vai para Londres, a convite de seu irmão Nathaniel, depois que sua tia morre. Acreditando ser uma garota normal, Tessa, ao desembarcar em Londres, é abordada por duas criaturas, as Irmãs Sombrias, que dizem vir em nome de seu irmão.

As duas mulheres, porém, mantêm Tessa presa dentro de uma casa e a ensinam a usar seu dom, sempre a chantageando ao dizer que seu irmão Nathaniel sofreria caso ela não colaborasse com o treinamento. Esse treinamento ocorre para que, um dia, o Magistrado possa se casar com ela e possa usar o dom da mesma para seus planos. Quando Tessa descobre que irá se casar com um homem intitulado Magistrado, ela se desespera e tenta fugir. Infelizmente, ela não obtém êxito na fuga e é pega. Já trancada no quarto, depois de sua tentativa de fuga, um Caçador de sombras entra e a resgata. A partir disso, Tessa se vê em um mundo do qual não sabia a existência e no meio de uma guerra entre Nephilins e máquinas do Magistrado.

Como primeiro livro de uma série, Anjo mecânico é bem introdutório e, infelizmente, ao contrário do que eu pensava, não tem tantos personagens da série Os instrumentos mortais, só tem o incrível Magnus Bane e a vampira Camille Belcourt. No início, por estar esperando os já conhecidos personagens da outra série, eu demorei um pouco para engatar a leitura. Porém depois da introdução e quando a história realmente começou, eu devorei o livro.

A Cassanda tem o poder sobrentural de me fazer gostar dos “galãs” dos livros dela. Primeiro foi o Jace e agora tem o Wil, caçador de sombras com olhos azuis penetrantes, cabelo preto, alto e de personalidade forte. Ele e Tessa começam a ter uma história no livro, mas nada muito conclusivo porque Will esconde algum segredo e por isso não se deixa relacionar-se com a Tessa. Ainda tem o Jem, que também é caçador de sombras, mas é o contrário do Will, é gentil, compreensivo e tem uma “doença”.

A escrita da Cassandra evoluiu muito, desde cidade dos ossos e a contrução da história mostrou isso, ela não somente desenvolveu a vida dos “protagonistas”, mas também desenvolveu maravilhosamente a dos personagens secundários. Sinceramente, eu não gostei da Tessa, achei ela muito chata e eu prefiro, com certeza absoluta, a Clary, mas tudo bem.

Como sempre acontece com os livros da Cassandra, o livro termina me deixando sem fôlego e com várias lacunas que ainda devem ser preenchidas, ou seja, ela ainda tem muito pano pra manga pros próximos volumes da série. O livro em si vale muito a pena, a história, o universo dos Nephilin e criaturas do submundo, a presença de sobrenomes já conhecidos anteriormente de Os instrumentos mortais, recomendo inteiramente e estou esperando, ansiosamente, pelos próximos volumes.
Beijos!

06 janeiro 2013

Nada menos efêmero



“Ah, Dindi! 
Se tu soubesses quanto machuca
Não amaria mais ninguém”


Nunca fui muito fã de despedidas, na verdade, não sei lidar com pessoas indo embora – por pouco ou tanto tempo quanto necessário. Mas às vezes deixar ir é soltar-se. Na vida, eu acredito, que tudo acontece por uma razão. Se eu estou passando por maus bocados é porque eu preciso passar por essa situação para enxergar coisas melhores que virão lá na frente ou, simplesmente, pra poder enxergar aquilo que já está na minha frente, de forma diferente.

Quando eu era pequena e meus pais chegaram com a notícia de que meu avô havia morrido, a dor da despedida foi tão grande que eu passei meses chorando, à noite. Aquilo pra mim era injusto. Por que as pessoas que a gente mais amava tinham que ir embora? Essa era a perguntava que ficava martelando na minha cabeça dia e noite. Nunca fui boa com despedidas. O tempo passava e aquela despedida ainda não sarava, machucava cada parte do meu coração.

Mas aí chega um dia que a gente acorda e aquela dor já não dói como antes, amenizou. Obviamente, eu  ainda sinto falta dos bombons que ele me comprava e de como ele me ensinava a jogar dominó. A saudade ainda bate na porta, ainda lembro daquele fumo da tarde que ele fazia e de seu mal-humor amável. Mas a lembrança é saudável,  não perfura mais o coração. Eu sinto que o deixei ir. Entendi.

Efêmera é a minha palavra preferida. A vida é a mais efêmera das coisas, você senta no banco por alguns minutos e, pronto, a vida já passou mais um tiquinho. Os minutos correm, as horas vão na velocidade da luz. E as pessoas também. E os medos também. De uma hora pra outra, você não tem mais aquele abraço de vô, não tem mais aquela prima que cantava contigo ao vento: “Quando Deus te desenhou, ele tava namorando”. De um ano pra outro, os medos se foram e outros diferentes chegaram. Lugares mudaram, gostos mudaram e certezas também. De uma hora pra outra.

Aí você percebe o quanto mudou. Você percebe o quanto cresceu e quanto sentido aquele negocinho escrito em latim tem, CARPE DIEM. Porque você não tem mais 15 anos, nem escola no outro dia. As coisas parecem mais complicadas, aquele bombom de vô no meio da tarde fica em uma memória distante. As pessoas te cobram, você se cobra e tudo é mais adulto. E nesse tempo todo, você se pergunta quantas pessoas passaram pela sua vida e o que elas deixaram e o que levaram de você. 20, 10, 1 ano de memórias, risadas intermináveis, mágoas, primeiros amores, brigas, choros e saudade. Tudo o que passou.

Então você percebe que todas as despedidas doídas, um dia, não irão doer tanto. E  entende que a vida é efêmera e que as pessoas que estão com você hoje podem não estar amanhã, então você aproveita a presença delas hoje. Você percebe que você é aquilo que a vida fez de ti, as pessoas que passaram  e as escolhas que você fez pela sua jornada. Assim, você entende que tudo tem uma razão. As pessoas vão pra que outras cheguem, os medos vão para que outros embarquem nesse trem da vida. Aí você percebe que nunca vai deixar de sofrer em despedidas, mas percebe também que vai carregar cada pessoa, cada momento importante no seu coração.
De modo não efêmero.

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Porque você entende que alguns infinitos são maiores que outros, mas você não os trocaria por nada nesse mundo.