11 março 2012



Ela emanava intensidade de uma felicidade clandestina, bastava chegar pra me abalar; sem nem ao menos avisar, levava-me consigo, não por exigir, mas por me fazer, inconscientemente, adentrar dentro das tortuosas tempestades que a acompanhavam e existiam dentro dela.

Eu a amava, a amo e amarei. Cada detalhe, cada fio de cabelo comprido e fino, com cheiro de rosas queimadas, cada dedo do pé pintado e borrado com esmalte vermelho, cada sorriso e olhar de desaprovação ao me ver encarando-a incessantemente... aqueles olhos de sereia misteriosa e desacreditada do amor.
Até o dente torto dela eu amava, porque cada pedacinho a tornava intensamente perfeita, ela me fazia ser muito mais do que sou, sem nem ao menos esperar isso de mim.

Aquela feiticeira com olhos de vidro... me enfeitiçou com seus quereres e não quereres, com seus ares de menina-moça e sereia.
Mas ela se foi...
Ela não se contentava com ser e estar de um alguém só,  ela já havia desacreditado, ela era muito mais do que isso.
Ela não é pra ninguém e não é de ninguém, ela é mais que dona de si, e sempre será;
Aquela feiticeira me enfeitiçou...
E se foi.


                                                                                                          Jorge em "labirinto" 


                                                 

Um comentário:

  1. Oie, tudo bem?
    Muito bom esse texto *_*
    Faz um tempinho que você passou lá no blog e eu simplesmente adorei seu comentário, tava te devendo uma visita há tempos e de cara já amei seu espaço, Beatriz :) Parabéns por ele!
    Beijo!

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