25 fevereiro 2018

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Chorei vendo você beijar outra boca, andando de mão dada, entrando no mesmo carro
Você
que me disse ainda não estar preparado pra mim,
pra sentir de novo, pra amar e ser amado

Sentei no chão mais perto de mim, porque não aguentei ver aquilo em pé
apesar de não conseguir desviar o olhar da sua mão na nuca dela
do mesmo jeito que fazia comigo.

Eu chorei por você, pelo que fomos e não somos mais
Chorei porque não aguentei te ver partindo assim

Ta faltando um pedaço,
ainda não encontrei mas vou encontrar.
Paciência.

27 dezembro 2017

Bruna,

Uma vez olhei pro lado, perdida, desacreditada da vida, das pessoas, e perdendo as esperanças em uma luz no fim de toda dor, e te vi lá, ao meu lado, sem pestanejar. Quando perdi quem me ensinou a andar de bicicleta e cantou comigo músicas na beira da praia, chorei, chorei, sofri, mas você estava lá pra me confortar. Quando chorava toda semana por causa do vestibular e achava que as noites no cursinho e as horas de estudo nunca seriam suficientes, era você quem me acalmava e me dizia que tudo daria certo. Quando eu caía, você estava ali. Quando eu sofria, você me dava a mão. Quando eu sorria, sorríamos juntas.

Lembro que não gostava de ti na sétima série, afinal, "quem era aquela novata que achava que poderia tirar notas melhores que eu?", acho que se troquei duas palavras contigo foi muito. Mas a vida acontece e o mundo me deu de presente, graças a Deus, a oportunidade de te conhecer melhor. E eu agarrei, segurei e não soltei mais.

Mês passado eu pensei que tinha te perdido por causa das minhas esquisitices e preguiças absolutas, pensei que você tinha finalmente desistido de mim, depois de todos meus esforços pra que o mundo inconscientemente me abandonasse por completo. Esse meu jeito maravilhoso de me autossabotar. Você ficou chateada comigo, ódio talvez, pensei realmente que tinha te perdido, mas aí, como quem tem o coração mais doce do mundo e como quem me entende como ninguém, você mais uma vez me deu uma chance, me acolheu nesses teus braços enormes.

Confesso que não sei se mereço, às vezes acho que você devia seguir em frente e me deixar aqui, mas quando paro e penso agradeço por você nunca ter feito isso. Porque saber que você está aí e existe traz um senso de conforto, me dá forças de saber que posso fazer qualquer coisa porque você está do meu lado, seja onde for. E o sentimento é recíproco, eu sei. Você é meu alento nos dias de tempestade, e me acalma quando estou um furacão, você, só de existir, aquece meu coração e eu não tenho palavras pra expressar quão louco e desesperador isso é pra mim. Ter isso por uma pessoa, eu que sempre gostei de distâncias saudáveis, de desapego, insisto em buscar minhas forças em você, mesmo sem dizer nada, sem abrir a boca pra falar que to com saudades. Eu sei, sou desnaturada, não tenho jeito, não mereço perdão e afins. Concordo com você.

Tu só pode ser santa pra aguentar essa loucura toda esses anos, ou ser muito louca também. Sei lá, não tenho explicação.

Enfim. Sou suspeita pra falar de ti porque pra mim você é sensacional, admiro teu jeito de lidar e enfrentar o mundo, de lutar pelo que quer, de não abaixar a cabeça e nem desistir rápido. Torço muito, cada dia mais, pelo teu bem, por teu crescimento em todos os sentidos e pela oportunidade do mundo conhecer um pouco de quem tu és, porque não sei se todos te merecem, mas o universo precisa te ver brilhar sendo você cada dia mais. Amo você, perto ou longe, falando ou calada, com raiva ou alegre, desistindo de mim ou não, sempre vou lembrar e torcer por ti.

Seja luz sempre!

                                  



(Esse é um post antigo que resolvi ressuscitar - e publicar pela primeira vez - porque algumas coisas não devem ser escondidas já que nosso tempo aqui é muito pouco pra desperdiçar não dizendo coisas)

19 novembro 2017

Não fui suficiente.
Você me disse que não éramos nada, só espaço entre as palavras,
frases, linhas
Até que elas aparecessem na ponta da língua
prontas para serem
despejadas
atiradas
ditas, sentidas, ouvidas

Eu, espaço
Silêncio
Pausa
(Temporária)






(Mas sou, sempre fui mais que suficiente)

13 agosto 2017

Deixa molhar e lavar o peso da minha caminhada

Acho que não cheguei a comentar aqui - faz tempo que não dou as caras - o que me aconteceu no início do ano. Por incrível que pareça, passei numa prova de transferência de uma faculdade em Recife. 

Até aí tudo bem, você pensa, que notícia ótima bia foi pra casa. Só que eu não fui. 

Fazia um bom tempo eu queria colocar em palavras esse período, mas nunca soube como. Agora, acho que hoje, nesse dia dos pais, parece ser o momento certo. 

Eu recebi a notícia em uma segunda. Todos pularam, não acreditaram, sorriram, choraram e eu fiquei sem reação. Nenhuma. Eu aqui em Maceió e eles lá em Recife. Minha mãe ligou pra faculdade, conferiu novamente o resultado e, sim, eu tinha mesmo passado. Todos felizes, nos céus. 
E meu coração pesado. 

O período de inscrição era sexta, então na quarta eu já fui pra Recife entender como seria tudo e quais documentos eu precisaria. Cheguei lá, fui na faculdade, teria que reprovar um período; todos eufóricos, só felicidade porque eu iria voltar, coisa linda. 
E meu coração pesado. 
Chorei. 
Falei a meu pai não sei o que fazer. 

Ninguém entendeu, me deram a escolha, opções, motivos pra transferir, motivos pra não continuar aqui. Entendi todos eles, concordei com todos.  
Mas meu coração permaneceu pesado. 

Fiz rebuliços, confusa, fiz confusão, estressei a todos, meu pai sofreu mais do que todo mundo, indo pra lá e pra cá, tentando resolver tudo, movendo céus e terras, afinal eu ia voltar pra minha casa, pra perto deles. Minha família querida. 

Na sexta, tudo deu errado, ficamos resolvendo as coisas até de noite e nada de dar certo. Chorei, chorei, algo dentro de mim dizia que meu lugar ainda não era ali. 
Que dor, que confusão, eu não sabia mais de nada, minha família, meu amor maior, e eu não conseguia ficar ali. 
Meu pai não aceitou mais essa confusão, brigamos, gritamos, choramos. 
Pensei, perdi meu pai ali. 
Fui contra tudo e todos, meus maiores exemplos, meus amores, e cancelei a transferência. Sem dizer nada a ele antes. 
Ele parou de falar comigo. 
Pensei, perdi meu pai definitivamente. Por quê? Pra quê? 

Nunca sofri tanto dentro de mim; como me doeu ir contra eles, pela primeira vez na minha vida. Escolher de espontânea vontade viver longe deles; escolha essa que carrego no meu coração todos os dias. Não há um dia que eu não acorde e pense se tomei a decisão certa: estar aqui, sozinha, distante de todos. Até hoje me dói nas vísceras. Até hoje penso em voltar correndo pros seus braços, pra minha casa, minha cama; mas permaneço aqui, sozinha, trilhando meu próprio caminho. Não sei se to certa, se fiz errado, só sei que continuo indo. Hoje meu pai já me perdoou, ele fala comigo, diz que me ama (apesar do que fiz) e que sempre estará comigo. Ele entende as minhas escolhas, não as aceita muito bem, mas segue ao meu lado. E é por isso que eu o amo profundamente. Decidir ficar distante foi a escolha mais difícil da minha vida, tenho certeza, cada dia arco com as consequências dela, mas tê-lo ao meu lado me ajuda a aguentar a barra que é crescer e amadurecer. Não somos muito de demonstrações de afeto e etc, mas eu sou ele e ele sou eu e esse é o maior elogio que alguém poderia me fazer. 



(Resumi bem a história, esse só foi um pseudodesabafo porque esse dia ta mexendo muito comigo. Sei que ta confuso e mal escrito, mas colocar um pouco disso pra fora foi purificador (tipo chuva nos nossos ombros, sabe? Bem Deixa molhar mesmo). Chorei e ainda choro de saudade, dessa história e de como foi difícil passar por tudo isso. Espero que um dia ele aceite e me entenda completamente.) 

23 abril 2017

meu bem,

Hoje me vesti de você
senti tuas mãos, teus pés, teu cabelo e pele
depois voltei a mim pra sentir você de novo, aqui, perto de mim
dentro, fundo, ocupando minhas horas, meus pensamentos e corpo todo
Abriu as minhas portas, janelas, sentou na sala e me fez sua 
Toda sua
pele, barriga, pernas, pés, pescoço 
Você tocou meus precipícios, abriu os braços e se jogou dentro de mim
com esse sorriso, essas mãos nas minhas caminhando pelo mundo mesmo com meu medo de entrelaçar os dedos em outros dedos pairando ao nosso redor
Você esperou esperou, olhou nos meus olhos, pegou meu braço, foi descendo e segurou minha mão 
Não quis mais soltar
Aceitei
Abri bem os braços e te encaixei
no espaço entre meu querer e não querer
e fui, segui contigo bem aqui