01 novembro 2016

Uma colcha de retalhos do meu dia (e pensamentos)

Moro no décimo segundo andar, já disse isso? E uma das coisas que mais gosto de fazer é observar as pessoas dos outros prédios pela janela, não de um jeito creep, só vê-las lá, andando, assistindo tv, comendo, estudando. Gosto de fazer isso quando to reflexiva, paro na varanda e fico lá observando. 

Não é segredo pra ninguém que gosto de pessoas, gosto mesmo, não sei explicar bem o porquê, só sei que gosto e por enquanto isso basta. Hoje atendi umas pessoas pela primeira vez (já disse que pago uma cadeira de saúde na comunidade - tipo um estágio? - e toda semana vou pra Unidade de Saúde da Família - coisa mais linda é esse programa, sério), perguntei nome, fiz uma rápida anamnese e aferi a pressão. Minhas mãos tremeram muito, meu coração tremeu todo. Mas não tive muito tempo pra pensar em todas as reações que passavam pelo meu corpo, eu tinha que ir lá e atender, simples assim. 

Preciso falar um pouco sobre a Estratégia de Saúde da Família ou ESF pra resumir (sim, esse post vai parecer um monte de recorte mas ok me aceitem). A ESF é um programa/estratégia que se insere na atenção básica, ou seja, no primeiro nível de cuidado à saúde do SUS e consiste no acompanhamento de uma comunidade, desde a prevenção, promoção e cuidado da saúde. Resumindo, a ESF cuida do paciente antes dele ficar doente, acompanha ele em todos os momentos e tenta sanar alguns problemas básicos daquela comunidade, tipo gripe, resfriado, dengue; também marca exames, tem programas de exercícios físicos, dentista e por aí vai (coisa linda mesmo!). 

Vai fazer um ano que estagio numa Unidade de Saúde de um bairro de Maceió que tem a ESF e eu sou completamente apaixonada por ela (sério, mas é segredo). A unidade tem seus problemas, sim, as paredes dão choque, o segundo andar tá condenado, alguns funcionários não trabalham tanto quanto deveriam, falta equipamento, falta um monte de coisa, mas, apesar disso, ela funciona e funciona muito bem. Desde que entrei ali e comecei a conviver com os pacientes da comunidade, entendi o que era ser médica, enfermeira, dentista, agente de saúde dessa estratégia, percebi a genialidade de tratar as pessoas antes delas ficarem doentes, percebi a beleza de acompanhar cada uma das pessoas pela vida, acompanhar a gestação e o crescimento de uma criança daquele lugar, percebi a beleza dos vínculos que a ESF proporciona; o olho no olho, o saber o nome, conhecer a família, saber quais problemas realmente estão por trás daquela dor de cabeça de mais de um mês. 

Enfim, pra mim, apaixonada por pessoas me vi completamente completa (sim). Coisa linda mesmo, sem palavras. 

Aí também hoje, só que mais tarde, comentei com uma amiga que as coisas com sentimento têm um quê a mais né? Tava falando de paixão mesmo, porque faz tempo que não sei o que é isso, e percebi que coisa linda é sentir, mesmo pela perspectiva real e crua do sofrimento quando aquilo acabar, afinal tudo é finito (não de um jeito ruim). Mas sentir é belo, seja a paixão, amor, carinho, qualquer coisa. Que coisa louca essa coisa de olhar uma pessoa e sentir algo por ela, não é? Que coisa louca isso de eu ser eu e ter alguém sendo alguém e a gente se encontrar e ter sentimento. Louco e belo. 

Aferi a pressão de duas pessoas, um senhor idoso e uma mulher relativamente jovem. Um tinha pressão alta, a outra baixa. Tentei me esconder um pouco, evitei aferir a pressão de mais gente (ainda to aprendendo a lidar com toda a responsabilidade de não somente olhar e observar as pessoas, mas lidar com elas, cuidar) porque meu coração não podia sair pela boca né. Pra uma primeira vez ta bom: dois, quatro olhares, o toque no pulso, os batimentos cardíacos, as emoções, a vida. 

Olhei mais a frente pela varanda, cinco janelas com a luz acesa, um monte de batimentos cardíacos e emoções, vários sentimentos. Nenhum deles eu conheço, quem sabe um dia. 




15 outubro 2016

Duas tapiocas e uma crepioca

Hoje eu acordei sem querer, meio acordada meio dormindo, tomei meu remédio de setes horas da manhã, e voltei pra dormir mais um pouco. Mais tarde, umas doze horas - afinal é fim de semana e dormi tarde -, acordei novamente, dessa vez definitivamente, toda dolorida, prevendo que o dia seria difícil e doído em todos os sentidos.

As horas passaram de um jeito maravilhoso, só que ao contrário: não arredei o pé da mesa de estudos, apenas pra fazer o almoço (e que amoço!) e rapidamente voltei pros livros, porque essa semana tem um monte de provas e eu só queria férias. E claro que, como pessoa ultrarresponsável que não sou, os assuntos não estão em dia e to aqui morrendo e matando pra dar conta de tanta coisa, mas né vida que segue. A questão aqui não é essa. 

Encurtando um pouco a história e poupando a todos dos detalhes sórdidos e emocionantes do meu sábado, quase agora fiquei com fome e já estava saturada de tanto estudar, ou seja, seria uma boa hora pra ter um intervalo.

Voltando um pouco no tempo, quinta-feira fui no mercado fazer umas compras, o caso estava sério aqui em casa, não tinha mais nada pra comer e, como sempre, fui com uma amiga no intervalo entre aulas (porque qualquer tempinho é válido). (Já disse que amo fazer compras no mercado? Sim, amo) Lá, me deparei com massa de tapioca (amo tapioca), só que nunca fiz na vida, comentei com a miga e ela me disse pra ter vergonha na cara e comprar a massa porque "tapioca é muito fácil de fazer". Então fui né, comprei. Cheguei em casa, olhei a massa, guardei na geladeira, esqueci dela e hoje fiquei com vontade de me aventurar e tentar fazer.

Nesse intervalo mara entre estudos, fome, comida, fazer jantar etc, peguei a massa de tapioca. Olhei, olhei de novo, tirei da geladeira junto com presunto e requeijão (sem lactose) e fui fazer. Como nada na vida dessa que vos fala é simples e etc, já fui prevenida de como deveria fazer a bendita com instruções da miga do mercado.

Peneirei 4 colheres de sopa da massa.
Esquentei a panela antiaderente (fiquei em dúvida se deveria colocar manteiga ou o que mas n coloquei nada no fim das contas)
Joguei a massa de modo aleatório (ficaram uns buracos no meio, tentei ajeitar mas n consegui e desisti)
Coloquei presunto e requeijão e dobrei
Tirei do fogão e mordi (Delícia!!!!)
Quis outra.
Repeti todo o processo, mas agora mais profissionalmente e sem buracos na massa (Delícia de novo!!!)
Resolvi ousar mais um pouco.
Crepioca!!!
Juntei a massa temperada com 1 ovo, coloquei sal (não sabia se devia mas coloquei mesmo assim)
Joguei na panela, coloquei cebola, presunto, dobrei e Puf

Fui sentar na mesa com minha crepioca, enquanto observava o horizonte ao longe - pela varanda - e tomava meu nescau (zero lactose também!!) e dei a primeira mordida. DELÍCIA!!!!
E foi aí que eu me emocionei com toda a beleza desse momento, sabe como é? Tem uns segundos, minutos que batem forte na nossa face e mostram certas coisas que nos dizem que a vida é muito bela; coisas aleatórias, como fazer uma tapioca e/ou crepioca pela primeira vez na vida, sentada em uma cidade distante, sozinha, vivendo a vida. Depois de um dia cansativo, trabalhoso, apenas sentar e saborear algo que fiz pela primeira vez, a massa que comprei no mercado que fui, onde faço minhas compras sempre, escolho minhas verduras, frutas, o que comer, onde estacionar o carrinho, quantos pães cabem no orçamento e por aí vai.

Gosto dessa coisa tímida de apenas ser e viver, sabe? Meu dia poderia ter sido como qualquer outro, mas eu escolhi fazer uma tapioca pela primeira vez e isso mudou a minha vida, pelo menos um tiquinho. (Saudade daqui)






19 julho 2016

11 coisas que eu diria para a Bia de 11 anos:


1- O mundo é muito grande, tem muita coisa interessante e linda pra se ver fora de casa se você decidir se arriscar um pouco. Mas sem pressão, só vai se tiver com vontade, viu? Ler a vida das pessoas nos livros é bom também, mas você não se arrependerá se colocar um pouco os pés na terra. 
2 - Fico feliz que você estuda e tira notas boas, mas nem sempre isso irá acontecer e tudo bem. O mundo não vai acabar porque você ficou em recuperação pela primeira vez em português. Calma, respira. 
3 - Você precisa encarar as coisas de frente, se alguém te fala algo ruim ou que você não concorda, não tenha medo de usar sua voz. Você a tem, forte, só precisa aprender a usá-la. 
4 - Sei que você vê as coisas de um jeito diferente, mas segue vendo o mundo assim, apesar do que te mostrarem de contrário. O mundo é lindo sim, as pessoas também, mesmo que às vezes pareça que não. Muitas vezes vai ser difícil continuar acreditando, mas você vai lá e continua mesmo assim. 
5 - Você precisa começar a aceitar quem você é, suas vontades, seus medos, seu corpo, seu cabelo, cada parte sua. Você vai perceber com o tempo que estar dentro de você mesma é lindo, mesmo com todos os defeitos que você vê agora. 
6 - Às vezes vai parecer que o mundo ta acabando, nessas horas você senta, chora, pensa um pouco e levanta. Cada uma dessas vezes vai te fazer mais forte no futuro. 
7 - Nada é pra sempre e isso não é ruim. Nem os amigos, nem a dor, nem as paixões. Nada, isso pode até parecer duro, mas é uma das maiores belezas da vida e você vai perceber isso com o tempo. 
8 - Não, você não precisa ficar com ninguém agora. Você vai ver que tudo vai acontecer no tempo certo.
9 - Aproveita mais quem ta do teu lado, tua família principalmente. 
10 - Deixa de vergonha na vida, para de querer esconder as coisas por causa do que os outros pensam. Esquece os outros, você não tem que ser nada por ninguém.
11 -  Apesar de pequena, tenho orgulho de quem você é hoje. Continua firme no que você quer, no que você acredita e paciência que as coisas darão certo. 







Observação: Não sei de quem é a autoria desse meme, só sei que peguei no facebook e resolvi fazer aqui. 

23 maio 2016

Amo até o meu amor, tão meu



Hoje cheguei a conclusão que amo demais as tuas coisas tão tuas.
Corro, fujo, escondo, engano, disfarço. E você volta.
Mesmo sem jeito, todo errado, ao contrário, orgulhoso.
Você todo, inteiro.

(Gosto de acordar contigo escondido nas minhas cobertas, pensamentos e quereres)

15 maio 2016

Às vezes eu só preciso falar

Gosto de pensar que tudo tem dois lados, normalmente prefiro me concentrar naquele que se mostra o melhor. É aquela história do copo meio cheio meio vazio, sempre senti que o mais aconchegante a se fazer é focar bem naquele que se mostra metade cheio, não há motivos coerentes pra se ver sempre aquele que não está cheio - pelo menos pra mim. Claro que ele também é essencial e, inclusive, todo mundo tem seus momentos, aqueles momentos que nada parece ser bom, ou dar certo ou ser incrível na vida,

Faz uns meses tenho entrado numa maré de sorte, vocês bem o sabem, nem preciso entrar em detalhes. Mas, depois de um tempo tentando sempre olhar só pro lado bom disso, fiquei exausta. Não tenho mais forças pra esconder debaixo do tapete tudo o que anda me incomodando, mesmo que minha vida esteja muito boa pra ser verdade em relação ao que eu tinha nesse mesmo mês ano passado ou se comparado com o monte de gente que queria estar no meu lugar ou até parando pra pensar na situação triste do país e todas as pessoas que sofrem diariamente. Teoricamente, não tenho do que reclamar, não tenho por que falar algo além de agradecimentos, não é? Sim.

E não. 

Somos pessoas, cada um nesse imenso mundo com um problema particular, uma tristeza, uma dor. E posso não ser especialista em nada e etc, mas tenho a grande suspeita de que são dores e problemas incomparáveis. Não existe uma disputa de quem sofre mais ou tem os maiores problemas, uma coisa não anula a outra. Nesse sentido, não há ganhadores, só humanos tentando acertar, viver um dia apos o outro com menos tristezas e mais alegria. 

Apesar de saber disso, não é fácil falar de como é difícil viver aqui sozinha, com todas as coisas boas que tenho, enquanto tem gente dormindo no meio da rua, sem casa ou sem comer. Minha dor não é nem um pouco comparável a dessas inúmeras pessoas, é até injusto abrir a boca pra falar algo. 

Mas eu preciso falar, eu preciso colocar aquilo que me aflige pra fora, todos nós precisamos. Isso não quer dizer que somos egoístas, quer? Sou só humana. Às vezes me faltam palavras, me falta coragem de dizer o que meu coração quer dizer quando o mundo parece estar desabando, me pego olhando pra mim mesma e encarando todas as minhas esquinas meio esquisitas. Não sou perfeita, sinto frio, sinto saudades, tenho ciúme, raiva e às vezes só quero ficar em posição fetal chorando até todo esse peso impensável sair de dentro de mim, até todas as dúvidas irem embora. 

Amo quem sou hoje, amo o lugar onde estou, tenho consciência da oportunidade que estou tendo e percebo que ela é única pra mim e deve ser usada da melhor forma possível. Mas dói ser sozinha aqui, dói não ver minha família, dói acordar pensando que to em casa definitivamente, ao invés de mais um dia aqui. (Também me pesa a saudade das comidas mais elaboradas, não aguento mais comer só frango e macarrão). Meu coração pesa, duvida e sofre. Um sofrimento pequeno pra muitos, mas às vezes grande e o suficiente pra me fazer chorar aos domingos.

Por enquanto estou curtindo esses dias de copo meio vazio, preciso desse tempo pra me descobrir, perceber minhas angústias, minhas dores e ânsias. Afinal, tudo tem dois lados, nem tudo são flores o tempo todo, né? Não sei como terminar esse post, sinceramente, porque ele meio ta todo sem lógica? Mas também não tem problema, ele é o reflexo de mim mesma. É preciso aceitar a inconclusão e imperfeição de certas coisas. 




(Quero fazer um apanhado de coisas legais que vi/escutei esse mês vou me programar prometo)
(Também quero ser gente aceitável e responder os comentários de quem ainda não desistiu e aparece por aqui, vou responder!! Obrigada por ainda estarem por aqui, isso significa muito em dias em que me sinto sozinha demais no mundo e sempre)