19 julho 2016

11 coisas que eu diria para a Bia de 11 anos:


1- O mundo é muito grande, tem muita coisa interessante e linda pra se ver fora de casa se você decidir se arriscar um pouco. Mas sem pressão, só vai se tiver com vontade, viu? Ler a vida das pessoas nos livros é bom também, mas você não se arrependerá se colocar um pouco os pés na terra. 
2 - Fico feliz que você estuda e tira notas boas, mas nem sempre isso irá acontecer e tudo bem. O mundo não vai acabar porque você ficou em recuperação pela primeira vez em português. Calma, respira. 
3 - Você precisa encarar as coisas de frente, se alguém te fala algo ruim ou que você não concorda, não tenha medo de usar sua voz. Você a tem, forte, só precisa aprender a usá-la. 
4 - Sei que você vê as coisas de um jeito diferente, mas segue vendo o mundo assim, apesar do que te mostrarem de contrário. O mundo é lindo sim, as pessoas também, mesmo que às vezes pareça que não. Muitas vezes vai ser difícil continuar acreditando, mas você vai lá e continua mesmo assim. 
5 - Você precisa começar a aceitar quem você é, suas vontades, seus medos, seu corpo, seu cabelo, cada parte sua. Você vai perceber com o tempo que estar dentro de você mesma é lindo, mesmo com todos os defeitos que você vê agora. 
6 - Às vezes vai parecer que o mundo ta acabando, nessas horas você senta, chora, pensa um pouco e levanta. Cada uma dessas vezes vai te fazer mais forte no futuro. 
7 - Nada é pra sempre e isso não é ruim. Nem os amigos, nem a dor, nem as paixões. Nada, isso pode até parecer duro, mas é uma das maiores belezas da vida e você vai perceber isso com o tempo. 
8 - Não, você não precisa ficar com ninguém agora. Você vai ver que tudo vai acontecer no tempo certo.
9 - Aproveita mais quem ta do teu lado, tua família principalmente. 
10 - Deixa de vergonha na vida, para de querer esconder as coisas por causa do que os outros pensam. Esquece os outros, você não tem que ser nada por ninguém.
11 -  Apesar de pequena, tenho orgulho de quem você é hoje. Continua firme no que você quer, no que você acredita e paciência que as coisas darão certo. 







Observação: Não sei de quem é a autoria desse meme, só sei que peguei no facebook e resolvi fazer aqui. 

23 maio 2016

Amo até o meu amor, tão meu



Hoje cheguei a conclusão que amo demais as tuas coisas tão tuas.
Corro, fujo, escondo, engano, disfarço. E você volta.
Mesmo sem jeito, todo errado, ao contrário, orgulhoso.
Você todo, inteiro.

(Gosto de acordar contigo escondido nas minhas cobertas, pensamentos e quereres)

15 maio 2016

Às vezes eu só preciso falar

Gosto de pensar que tudo tem dois lados, normalmente prefiro me concentrar naquele que se mostra o melhor. É aquela história do copo meio cheio meio vazio, sempre senti que o mais aconchegante a se fazer é focar bem naquele que se mostra metade cheio, não há motivos coerentes pra se ver sempre aquele que não está cheio - pelo menos pra mim. Claro que ele também é essencial e, inclusive, todo mundo tem seus momentos, aqueles momentos que nada parece ser bom, ou dar certo ou ser incrível na vida,

Faz uns meses tenho entrado numa maré de sorte, vocês bem o sabem, nem preciso entrar em detalhes. Mas, depois de um tempo tentando sempre olhar só pro lado bom disso, fiquei exausta. Não tenho mais forças pra esconder debaixo do tapete tudo o que anda me incomodando, mesmo que minha vida esteja muito boa pra ser verdade em relação ao que eu tinha nesse mesmo mês ano passado ou se comparado com o monte de gente que queria estar no meu lugar ou até parando pra pensar na situação triste do país e todas as pessoas que sofrem diariamente. Teoricamente, não tenho do que reclamar, não tenho por que falar algo além de agradecimentos, não é? Sim.

E não. 

Somos pessoas, cada um nesse imenso mundo com um problema particular, uma tristeza, uma dor. E posso não ser especialista em nada e etc, mas tenho a grande suspeita de que são dores e problemas incomparáveis. Não existe uma disputa de quem sofre mais ou tem os maiores problemas, uma coisa não anula a outra. Nesse sentido, não há ganhadores, só humanos tentando acertar, viver um dia apos o outro com menos tristezas e mais alegria. 

Apesar de saber disso, não é fácil falar de como é difícil viver aqui sozinha, com todas as coisas boas que tenho, enquanto tem gente dormindo no meio da rua, sem casa ou sem comer. Minha dor não é nem um pouco comparável a dessas inúmeras pessoas, é até injusto abrir a boca pra falar algo. 

Mas eu preciso falar, eu preciso colocar aquilo que me aflige pra fora, todos nós precisamos. Isso não quer dizer que somos egoístas, quer? Sou só humana. Às vezes me faltam palavras, me falta coragem de dizer o que meu coração quer dizer quando o mundo parece estar desabando, me pego olhando pra mim mesma e encarando todas as minhas esquinas meio esquisitas. Não sou perfeita, sinto frio, sinto saudades, tenho ciúme, raiva e às vezes só quero ficar em posição fetal chorando até todo esse peso impensável sair de dentro de mim, até todas as dúvidas irem embora. 

Amo quem sou hoje, amo o lugar onde estou, tenho consciência da oportunidade que estou tendo e percebo que ela é única pra mim e deve ser usada da melhor forma possível. Mas dói ser sozinha aqui, dói não ver minha família, dói acordar pensando que to em casa definitivamente, ao invés de mais um dia aqui. (Também me pesa a saudade das comidas mais elaboradas, não aguento mais comer só frango e macarrão). Meu coração pesa, duvida e sofre. Um sofrimento pequeno pra muitos, mas às vezes grande e o suficiente pra me fazer chorar aos domingos.

Por enquanto estou curtindo esses dias de copo meio vazio, preciso desse tempo pra me descobrir, perceber minhas angústias, minhas dores e ânsias. Afinal, tudo tem dois lados, nem tudo são flores o tempo todo, né? Não sei como terminar esse post, sinceramente, porque ele meio ta todo sem lógica? Mas também não tem problema, ele é o reflexo de mim mesma. É preciso aceitar a inconclusão e imperfeição de certas coisas. 




(Quero fazer um apanhado de coisas legais que vi/escutei esse mês vou me programar prometo)
(Também quero ser gente aceitável e responder os comentários de quem ainda não desistiu e aparece por aqui, vou responder!! Obrigada por ainda estarem por aqui, isso significa muito em dias em que me sinto sozinha demais no mundo e sempre) 

11 abril 2016

Enquanto a máquina termina de lavar as roupas

Sei que ando monotemática, mas juro que vou tentar mudar isso. As coisas estão se ajeitando, to começando a anotar as coisas, determinar meus horários, fazer a lista de compras do mês, e até as faxinas semanais. 

Vim aqui hoje dizer que nunca pensei que estaria aqui. Sim, novamente, to falando sobre como é surreal viver esse mundo da  medicina, mas não quero falar somente disso, também quero dizer que nunca pensei que realmente estaria aqui, cuidando da minha própria casa, da minha comida, da lavagem das roupas, das compras e contas certinhas pro mês. É louco, é surreal, triste, mas bom demais, tudo junto e misturado. 

Sei que já faz um mês que não apareço aqui, por isso vou fazer logo um apanhado geral do que me aconteceu esses dias. Primeiro de tudo, estou me acostumando à cidade, não é igual a viver numa cidade que conheço desde que nasci, mas não é tão ruim que eu queira sair correndo. Na verdade, só mudei de escola uma vez, mudei de casa poucas vezes, então ter uma mudança drástica dessas foi e está sendo enriquecedor demais pra mim. Por isso vou espalhando aos quatro ventos que cresci nesse mês o que não cresci em três anos, quatro ou cinco e continuo a crescer. 

To andando, seguindo e feliz como não estive em um bom tempo. Sabe quando você se encontra? Pronto, eu me encontrei aqui, estou realizada. Sinceramente, desejo esse sentimento a todo mundo, o sentimento de dever cumprido (Tá, não to nem no começo, mas to no caminho e isso já é suficiente pra mim) 

Confesso que não tenho vida, até tenho, mas ela se resume a fazer feira e estudar (e fazer faxina). E só, to falando sério. Várias vezes durante as semanas, enquanto escrevia uns relatórios, tive vontade de escrever aqui, trocar o relatório pelo blog, mas sabe como é né, preciso tirar notas boas. Como tive prova sábado e to esperando a máquina terminar de lavar as blusinhas que coloquei, arranjei esse tempo pra dar um oi e dizer que não morri, só to por aqui vivendo (enlouquecendo). 

Hoje fui pela primeira vez numa Unidade de saúde, numa comunidade carente, onde permanecerei por quatro anos do curso, aprendendo e contribuindo com tudo de possível. E me encontrei, e amei e percebi que o ser humano é lindo demais, por isso quero ser cada dia mais humana, tanto quanto possível. Sei que é só o começo, mas a perspectiva de ser um pontinho de amor nesse mundo, de atenção e cuidado me dá forças pra aguentar todas as noites sem sono (muitas), até as vezes que acordei de madrugada pra estudar, e os professores que tenho que aguentar, os termos técnicos e toda a não-vida minha de hoje em dia. Novamente, me encontrei e nessas curvas da vida, ando me encontrando cada dia mais. 

Só tenho motivos pra agradecer, até os aperreios e as vontades de jogar tudo pro alto porque é loucura demais esse curso (sério) e é coisa de louco mesmo, por isso que tem gente que fica meio perturbado. O curso exige muito da gente, mas esses encontros, essas visitas às comunidades e toda vez que paro pra ler um pouco sobre o SUS e percebo que existe tanto pra fazer, tanto pra contribuir, tanto pra doar, eu percebo que no fim valerá a pena, já ta valendo. Então eu sigo, vou seguindo, feliz da vida e com o coração feito escola de samba, doido pra pular do peito, sair sambando por aí e chamando todo mundo pra sambar junto comigo. Vamos lá, dança também, porque a vida é bonita demais. 


10 março 2016

Pensamentos desconexos sobre uma semana e tanto

Deixa eu contar uma coisa pra vocês, faz exatamente uma semana e um dia que estou nesse estado totalmente quente e desconhecido na vida dessa que vos fala. Sim, caros amigos, Alagoas, ou mais precisamente, Maceió é mais quente que Recife. Como isso é possível, vocês me perguntam, eu não sei responder. A questão é que to aqui e, adiantando, ta sendo uma loucura só.

Cheguei quarta, depois de aproximadamente quatro horas de viagem de carro, com minha vida - quase -  toda na mala. Com exceção dos meus livros, trouxe tudo, inclusive minha vontade, esperança e tudo o mais que uma mudança dessas é capaz de causar em qualquer um. Finalmente cheguei, arrumei tudo no lugar, fui na faculdade pegar horário e etc e pronto. Vida nova. Minha mãe passou cinco dias aqui comigo, ficamos eu, ela e minha "roommate". Nesses dias, quando não estava na faculdade, íamos conhecer a cidade que, sinto muito, não chega aos pés de Recife (não que haja uma comparação) (tem sim). Meu novo apartamento fica exatamente ao lado da faculdade e a aproximadamente três quarteirões da praia, não que isso me interesse. Na quinta pela manhã, fui pra uma reunião. Conheci algumas pessoas da turma, alô alô prazer como é que tá tudo bem cê é de onde e por aí vai.

Enfim. Sábado minha família toda veio aqui, fomos fazer feira, comemos, passeamos e ficamos juntos, como sempre aconteceu. Até chegar o domingo. Às 13:00 eles foram embora, todos eles, inclusive minha mãe. E foi aí que eu chorei pela primeira vez desde a descoberta inusitada de que me mudaria e cursaria medicina. Mas eu chorei tudo o que eu não tinha chorado ainda e muito mais. Chorei por estar, finalmente, de cara com o curso que sempre sonhei. Chorei com a perspectiva - até realidade - de um dia me tornar, mesmo, médica (Depois de um tempo tentando passar e não conseguindo, eu via essa realidade cada dia mais distante). Chorei porque eu me sentia feliz, mas algo em mim pesava demais.

Sou uma pessoa completamente família. Pode não parecer, ou talvez eu não deixe transparecer, mas eu sou tão família que não sei ser sozinha, não sei ir em restaurantes sem pensar em levar minhas irmãs, ou pensar em comer fora da mesa - até hoje como na mesa, mesmo sozinha-, não sei viver no completo silêncio por muito tempo (mesmo que o ame), não sei não ter com quem conversar por madrugada adentro, ou discutir sobre feminismo, ou apenas falar do dia que passou antes de dormir. Também não sei tomar decisões sem consultar outras opiniões antes, não sei viver sem implicar com minhas irmãs ou qualquer coisa parecida. Porque eu nunca fui só, nunca precisei ficar só.

Só que domingo eu fechei a porta, enquanto eles desciam pelo elevador, e me vi completamente sozinha, numa cidade estranha, cheia de gente estranha e com pessoas conhecidas a "apenas" 4 horas de viagem. Foi aí que não consegui segurar, eu precisava colocar pra fora essa sensação estranha de vazio, de completa e absoluta incógnita. Então eu chorei.

Apesar da estranheza inicial, como a faculdade praticamente me suga inteira, passei os dias seguintes nessa sensação de estar e não estar num lugar, de sonho versus realidade, ou de férias passageiras. Acho que ainda não caiu a ficha de que passarei, no mínimo, seis meses aqui. Mas é que, sinceramente, nem deu tempo de pensar a respeito, eu só to indo e indo e indo. E, nesse processo, enlouquecendo, ao mesmo tempo que sinto calor, estudo, decoro ossos e rio um pouco da loucura que é viver esse sonho doido que é cursar MESMO medicina. Depois de tanto tempo, vocês têm noção? Acho que a ficha ainda não caiu. Na verdade, nenhuma ficha caiu. Ta tudo muito doido e, sinceramente, as coisas só melhoraram agora porque recebemos três dias de mini férias e todos os artigos que tinha pra entregar foram cancelados. Estamos, eu e meus colegas de classe, em êxtase. FESTA FESTA COMEMORAÇÃO, pelo menos enquanto ainda podemos - ou temos tempo. (Gente, recadinho rápido aqui, quem quiser fazer medicina e tiver a ingênua ideia de que depois ainda terá vida social, desista, corra, vá pra outro curso (isso porque só comecei agora e dizem que só piora!!!!!!!!!!)). Mas, juro, vale a pena toda a dor de cabeça, todos aqueles choros (mas se puderem passem perto de casa - recomendo)

Apesar de odiar viver em Maceió (Sei que odiar é uma palavra muito forte, mas depois que vim pra cá amo TANTO TANTO Recife que vocês não têm noção) e de, ás vezes, querer largar tudo pra voltar pra minha casinha, minha caminha, meu aconchego e meu lar, quando eu paro pra pensar, me olho no espelho de jaleco e me imagino lá na frente, daqui uns anos, sendo MESMO médica, meu estômago fica todo cheio de borboletas, meus olhos brilham, meu coração pula, faz escândalo, se emociona; é aí que eu percebo que to no caminho certo e sinto que as coisas darão certo. Porque, dizem, o amor é, e também tem, a resposta pra tudo. Então quando as coisas pesam demais, nesses oito dias elas já pesaram algumas vezes, eu paro, penso e sinto tudo aquilo que vive dentro de mim, e percebo que to indo, seguindo no melhor caminho. (Ah e nunca totalmente sozinha )





Obs: Sinto que esse tempo longe da minha família, mesmo sendo difícil, vai me tornar uma pessoa melhor, conhecedora da minha própria força e liberdade. Sei que esse é um passo muito importante pra mim. 
Obs2: Sinto muito pela loucura que foi esse post, mas o que posso fazer? As coisas estão realmente uma loucura. Nada mais lógico. 
Obs3: Até hoje à tarde eu tinha tanta coisa pra fazer que tava me batendo uma bad paralisadora, não tinha tempo nem pra respirar, quiçá dormir. Só de pensar que dormirei linda e bela hoje, fico maravilhada. Por isso, to devendo mimo pra algumas pessoas maravilhosas que ainda não desistiram de mim e continuam a comentar nesse blog, me perdoem por demorar tanto pra responder os posts, é que ta TUDO MUITO LOUCO MESMO. Mas juro que assim que der apareço pelos cantinhos de vocês. 
Obs4: Sim, já to bem cansada, mas também to bem feliz.